quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Qual é o perfil dos jogadores brasileiros?





O Nirvana

Quais os tipos de jogadores que há no Brasil?

Olá pessoal, nessa postagem eu vou tratar de um tema que estava à pensar hoje na garagem de casa, olhando a paisagem lá embaixo de ruas e casas em um dia como outro qualquer, mas que foi o cenário propício para me assaltar as seguintes perguntas: Será que todos aquelas pessoas que aparecem eventualmente comentando as impressões que tiveram sobre determinados aplicativos de Reversi lá na Google Play (PlayStore) são de fato jogadores assíduos do jogo que estão rondando de maneira totalmente anônima por ai?

Cheguei a conclusão de que não poderiam ser, pois da mesma forma como eventualmente baixamos joguinhos em nossos celulares que de imediato nos divertem e entretém para, depois sem mais nem menos abandonarmos e esquecermos até que existem instalados em nossos aparelhos, boa parte desses jogadores são apenas transeuntes curiosos que ali pararam para “experimentar” mais um prato daquele cardápio, somente por um prazer momentâneo para assim logo depois se satisfazer com algum outro prato atrativo na lista de sabores daquela página. Claro, nem todos ali são partes desse time, não representam esse quadro, são jogadores assíduos e praticantes natos do jogo, mas são muito provavelmente uma minoria.
O fato de eu achar, sim... apenas acho já que não fiz nenhuma pesquisa 100% acurada sobre a temática proposta, é devido ao fato de que não há muitos jogadores de Reversi no Brasil, ao menos depois de jogar e trocar ideia com as pessoas por 13 anos seguidos é de que o nosso nicho é muito pequeno, nenhuma empresa com pretensões ambiciosas irá lucrar valores astronômicos com a venda de tabuleiros do jogo por aqui, o diga a empresa Grow em 1980 e depois em 2004. A demanda no país é modesta, então a aposta também é modesta em todos os quesitos, o que faz empresas comercializarem o jogo sim aqui no país, mas destinadas à um público seleto, com lucros pequenos se comparado à venda de grandes jogos consagrados nacionalmente ou mundialmente. Isso poderá mudar? Claro, espero. Mas isso será em um futuro, estou falando do dia de hoje, do agora. Mas, sem mais delongas, voltando ao assunto principal, vamos considerar os jogadores fortuitos que aparecem em chats de apps como pertencente à uma categoria de jogadores, a categoria 1. Bora lá falar delas e das outras categorias.

Antes, um adendo aqui.

Não há uma regra de escala nessas categorias, algumas pessoas, ou várias, podem alternar de maneira anacrônica a ordem desta, ou até mesmo pular uma, duas, três ou mais categorias e se fixarem em apenas uma delas, ou dali até convergir à outra abaixo ou acima na escala, então ela é líquida, flexível e o único caráter que empreguei a essa lista, nessa ordem, é a de dar sentido a um fluxo coerente com boa parte das pessoas com as quais eu conversei que me relataram trechos organizados dessa maneira que apresento aqui, inclusive boa parte parece com processos dos quais eu passei também. E claramente não tenho a intenção de colocar qualquer juízo de valor absoluto nas decisões alheias, me restringindo ao direito de qualificar apenas as características produtivas de uma maneira ampla dentro de um cenário maior de cada categoria de jogadores, entendendo que individualmente cada um é dono de si e tem suas opiniões, não tendo obrigações de estar em um estágio ou em outro. Compreendido? Então agora sim, vamos lá.


Categoria 1, Curiosos e Nostálgicos.


Nessa categoria entram os transeuntes de navegação, muitos deles a fim de achar algum bom jogo para passar o tempo, outros procurando jogos que remetem à infância ou adolescência, ou bons tempos passados que não voltam mais e, nessa se deparam com uma novidade ou com o já conhecido jogo: Reversi. Estes jogam o jogo, gostam, ou matam a saudade, jogam de novo e de novo, comentam o que acharam, e vão embora e o jogo é esquecido por aqueles que só o conheceram agora, ou deixado de lado novamente por aqueles que já conheciam o jogo, mas que só queriam matar a saudade mesmo. Porém, alguns já jogavam em sites, ou progrediram para os mesmos, que é o que veremos à seguir.


Categoria 2, Os Adeptos ao Site

Nessa categoria encontramos uma infinidade de jogadores, a impressão que se tem é que o Brasil está ali de maneira maciça de alguma forma, (no caso de jogadores aqui do Brasil) ao menos na minha época vi muitas pessoas falando em português no site, e conversaram comigo, e se apresentaram e até me deram algumas dicas de como jogar depois de um tempo, nessa fase é como se você tivesse descoberto o mundo! Pois, é a fase onde descobrimos que aquele joguinho das pecinhas pretas e brancas só não está enfurnado ali dentro de um aparelhinho celular offline, pois você descobre a interação. Na minha época o jogo estava dentro de um celular antigo da LG, era jogador offline e já fui apresentado com seu nome comercial, o Othello. Muitos jogadores param por ai, não se interessam em pesquisar ou ir além disso, (lógico que não são obrigados a conhecerem, cada um cada um) logo não conhecem nem mesmo que há versões em tabuleiro do jogo, e que no Brasil e no mundo há federações e associações  que são os órgãos que representam, disseminam e organizam competições do jogo mundo à fora, aqui no Brasil é a Federação Brasileira de Othello.  Mas há aqueles, que igual a mim, foram adiante.


Categoria 3, Os Integrantes

Nessa categoria, alguns entendem a importância de pertencer a um grupo de jogadores e ser mais ativo por procurar informações ou aprender o jogo. Essa é a fase que antigamente levavam alguns a irem a grupos no Orkut, e hoje no Facebook, Whatsapp e canais especializados do jogo no Youtube. É a fase da potencialização e interação, pois a pessoa não acha mais satisfatório jogar offline e online com outras pessoas sem a interação informacional, ela quer interagir. É nessa fase que desperta em alguns o desejo da “oficialidade” e da “disseminação”, (e também o desejo de ter um tabuleiro do jogo) muitas das vezes, se não a maioria esmagadora das vezes, que é a categoria 3 que forma os jogadores da categoria 4, que veremos à seguir.

Categoria 4, A Oficialidade e Realidade (O Profissional)

É nessa categoria que a pessoa não quer só mais jogar offline ou online, ela que jogar em um tabuleiro, participar de uma competição real. Não que jogar online não seja real, mas estar ali presente com outros jogadores no mano a mano da um toque especial a coisa, então alguns vão a campeonatos promovidos por órgãos oficiais ou em encontros casuais para jogar com os amigos. Algumas vezes é aqui, ora é na categoria 3, que nasce outro aspecto muito importante no meio, a aura do disseminador.


Categoria 5, O Disseminador

Nesse estágio alguns jogadores não se sustentam ou se alegram em apenas serem bons jogadores e de já terem participado de competições oficiais ou encontros extraoficiais, eles querem fazer mais pelo jogo, seja por método de ensino, seja por paixão ao esporte. Nessa fase alguns divulgam em escola, lutam por estabelecer o jogo na grade de ensino, conversam com políticos para promoverem o jogo, negociam com empresas privadas (corporações), levam tabuleiros à Sescs ou clubes. Outros divulgam pela Internet, criando grupos, páginas, blogs, sites para jogar o jogo em si, canal no Youtube ou apps. É uma fase e categoria de jogadores muito importante à sobrevivência da modalidade no país (claro que nem todos que criam apps ou simplesmente codificam o jogo são jogadores em si, às vezes é só um exercício de trabalho de faculdade, mas me refiro aos que fazem por já serem jogadores).

Categoria 6, A Essência

Essa é a fase onde o jogador já fez de tudo, já conheceu os apps, sites, páginas, blogs, canais, já participou de competições em tabuleiro oficiais e extraoficiais, já divulgou ao seu modo e mesmo assim ainda quer e acha que pode fazer mais pelo jogo. É aqui onde muitos continuam divulgando e inventando métodos para atrair mais gente e maneiras de divulgar e ensinar a mais gente sobre o jogo, e de estimulá-los a fazer o mesmo. É um estágio onde a essência da pessoa já está ligada ao jogo, seu modo de ver o mundo já tem o jogo incluso de alguma forma. Às vezes é uma fase frustrante, mas se persistente pode trazer mais frutos, pois é nessa fase onde nascem os jogadores que “criam” os disseminadores, é uma fase encantadora.

Categoria 7, O Nirvana

Ainda não conheço algum jogador que tenha chegado a essa fase, nem aqui no Brasil nem em outro lugar do mundo, pois ela é quase irrealista, será quase uma religião para quem a atingir. É uma fase onde o jogo e a pessoa viram o mesmo conceito abstrato, onde um é o outro em si. Como isso? A pessoa não se anima mais em divulgar pela Internet ou em instituições governamentais ou corporativas, ela passa a ser ela mesma a instituição, a Internet e o disseminador ao mesmo tempo. Onde vai as pessoas já sabem para que veio, e o que irá fazer, o jogo começa a ser projetado de várias maneiras diferentes, as pessoas começam a ver o jogo em tudo junto a ela, pois ela projeta o jogo onde vai, seja em camisetas, banners, em atitudes, em referências, em métodos, em competições oficiais ou não. A presença dessa pessoa é quase onipresente. Mas ele não é só um super-disseminador, também é um super-jogador e uma super-referência. Nada nesse jogador é falso, é tudo real e a paixão ao jogo encanta aos olhos de quem vê. Um jogador assim não necessariamente precisaria viver do jogo, mesmo que vivesse do jogo, o dinheiro para ele, seria um trunfo para promover ainda mais o jogo.
Não se sabe de um jogador dessa categoria no mundo, mas um desse, já seria uma arma e tanto para a sobrevivência e divulgação do jogo aqui no país, por exemplo. Esse jogador teria, caso esse jogo fosse uma religião/filosofia, atingido ao nirvana, ou, brincadeiras à parte, o “reversana”.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

A "Obrigatoriedade" do Vencer



Nos últimos dias, semanas e meses eu tenho enfrentado um dilema quase inédito na minha vida, e ele consiste basicamente no porquê da escolha, uma vez que não há a vontade em si, ou o propósito tangível da ação. Eu comecei a jogar Reversi em 2004, offline em um celular antigo, parei depois de alguns meses e voltei só no final de 2006, já de modo online. Fui descobrindo o jogo, me encantando com suas nuances estratégicas, me deslumbrando com sua complexidade e prática, aprender e se tornar um master era o meu primeiro propósito ali estabelecido. Em 2009, já com bastante habilidade no jogo e, superado o primeiro propósito e ainda assim encantado com a dinâmica e plástica do jogo, resolvi criar um blog para assim, pode ensinar as coisas que eu aprendi aos demais, tanto no mundo online quanto presencial, esse foi meu segundo propósito, e nasceu o Othello Classic, que teve um papel muito positivo na minha vida; foi a passagem da infância para a idade adulta dentro do jogo, simbolizando, foi assim, metaforicamente que eu hoje entendo essa fase. Depois de várias postagens, que foram desde aquelas falando sobre estratégias básicas, às que falavam sobre competições ao redor do mundo, eu resolvi que eu mesmo poderia estar lá, em um desses campeonatos presenciais, dos quais até então só tinha um: O famigerado Campeonato Brasileiro de Othello, e foi assim que em 2011, eu me aventurei na minha primeira competição oficial, já que eu tinha ganhado um extraoficial organizado na nossa cidade, Franco da Rocha, no início de 2009, mas estar ali no oficial, era o início do meu terceiro propósito, participar e, quem sabe ganhar um campeonato brasileiro de Othello, e ganhei nesse mesmo ano, feito que me deixou muito feliz, muito feliz mesmo!


Passaram-se os anos, e eu pude participar de mais campeonatos brasileiros, onde ganhei quase todos, (na verdade só perdi um) mas continuei treinando mesmo assim. Até que em 2014 eu consegui comprar finalmente um tabuleiro oficial de Othello, o mesmo utilizado no campeonato mundial, esse meu era de uma linhagem antiga, quando a marca ainda era Tsukuda, hoje é a MegaHouse. E assim, tive a ideia e a coragem de começar a gravar vídeo aulas de Othello, que foi quando começo meu quarto propósito, e assim foi. Com o tempo, para ajudar a divulgar, criei alguns grupos no Facebook e no Whatsapp, onde a grande maioria foi se desmanchando aos poucos (a maioria das vezes eu deletei o grupo), posso chamar essa fase de o quinto propósito, e se estabeleceu de alguma forma até os dias atuais, onde agora, no ano de 2019, não me apareceu mais nenhum propósito, e eu preciso desses propósitos para me entregar a qualquer projeto de vida, sem eles, não tenho porque jogar, não tenho porque treinar, por exemplo.


Parece bobagem, mas uma coisa por enquanto, dentro da minha mente, do meu discernimento, ainda está ligada a outra, posso ser um bom entusiasta/jogador/professor desde que eu esteja me sentindo hábil a isso, mas uma vez onde eu não tenho mais estímulos externos, a vontade de jogar, treinar somem gradualmente. Claro, tenho consciência de que ir a um abrigo para menores abandonados, ou lar de idosos e levar meus tabuleiros para ensiná-los algo lúdico seria gratificante, e para isso nem sequer é necessário saber jogar estrategicamente de fato, basta saber as regas e ter vontade de ensinar. Mas o fato é, que como jogador, com a ambição competitiva, vontade de ganhar, esse propósito/fase em mim, já passou. Talvez os propósitos posteriores vieram como algo intrínseco, quanto mais eu divulgava e ensinava, mais eu ficava com vontade de jogar, treinar e competir, quanto mais eu jogava, treinava e competia, com mais vontade eu ficava de divulgar e ensinar. E agora? Qual o meu verdadeiro propósito em voltar a jogar?


Vou fazer um pequeno resumo agora, mas é importante saber. Até o início de 2018, eu tinha uma amiga lituana que jogava todo dia comigo de manhã, e quando eu estava livre das minhas obrigações, à tarde também. Era muito divertido jogar com ela; que tinha um nível bem inferior ao meu, mas que depois de jogar tanto comigo, acabou aprendendo bastante ao ponto de conseguir ganhar de mim às vezes, eu jogava com ela desde 2013, era minha amigona online, conversávamos de tudo, desde política mundial, lituana e brasileira, até futebol, passando por assuntos famosos no momento, que foi manchete tanto no país dela, quanto aqui no Brasil. Enfim, ela trabalhava fora da Lituânia, ela às vezes tinha que passar mais de um mês na Letônia (país do lado) na cidade de Riga, capital daquele país, mas sempre voltava animada como sempre. Às vezes ela viajava à lazer mesmo, me enviava até fotos dos países aonde ela ia, muito legal e, antes que alguém pense, sim, ela era uma pessoa real. Bom, dessa vez, ela simplesmente falou que iria se ausentar um pouco, mas sumiu. Nunca mais voltou desde março de 2018, no início achei que fosse mais uma das longas viagens dela, pois ela já chegou a passar oito meses trabalhando fora, mas nos enviávamos emails, já que nossa conversa habitual mesmo era no chat do site de jogos onde jogávamos, mas dessa vez nada. Nem responde os emails... Por saber de algumas coisas sobre ela, e por suspeitar de outras, tenho quase certeza de que infelizmente ela se foi... Ela não faria isso com um amigo, acho de verdade que ela se foi... Não tenho como ter certeza, mas meu coração diz isso. E o que isso tem a ver com minha falta de vontade de jogar?


A princípio o meu hábito de jogar online de manhã ou quando podia, continuou, mas foi diminuindo aos poucos, porque descobri que não tinha a mesma graça jogar com estranhos, o que me fez começar a só querer jogar com pessoas que eu conhecesse, todos brasileiros. Que era algo, ao menos diariamente, impraticável, pois cada um tem a sua rotina. A minha amiga não só me faz falta como o ser humano magnífico que era, mas também como a pessoa, depois da minha ex, que mais me incentivava a jogar. Não que ela falasse diretamente, mas não precisava. Ela, querendo ou não, era meu treino também, e a pessoa que me fazia juntar risada com Reversi, era um estímulo para mim, que se foi. Ainda consegui participar de bastante torneios em 2018, onde ganhei todos, incluso o brasileiro, mas ao meu ver, fadado a enjoar com o tempo. Em 2019 parece que o efeito chegou, já fazia meses que eu não jogava com a mesma frequência de antes, e foi diminuindo ainda mais, somando-se problemas pessoais também. Em maio de 2019 eu parei de vez de jogar, só jogava comigo mesmo ou tentava resolver algum problema ou outro na Internet. Meu nível tem diminuído drasticamente, mesmo assim ainda consegui ganhar um torneio online, e perdi um presencial, mas joguei bem até, mas longe do que eu era. A pergunta é: Qual será o meu sexto propósito?


Por hora não tem, o que me faz ficar totalmente sem vontade de jogar ou evoluir. Tenho algumas ideias, mas são só ideias por enquanto. Dar aulas online poderia ser o sexto, mas é só uma extensão do quarto propósito. O que me sobra é só o resquício de “campeão” onde tenho a ilusão da obrigação de ganhar, o que é um fardo que me nego a carregar, pois a minha habilidade no jogo sempre esteve ligada à vontades, desejos e propósitos, sem isso, sou apenas um simples jogador. Tenho outras perspectivas de vida, não sei se consigo dedicar tanto tempo ao Reversi, pois sem propósito, perde um pouco do sentido. Mas de uma coisa eu tenho certeza, adoro jogar Reversi, e esse sempre será o meu jogo favorito.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A Incrível Aventura de Participar de um Torneio Online de Reversi


Ontem (dia 17 de outubro, o texto original foi postado no dia posterior ao evento, no Facbook) tivemos a realização de mais um campeonato online, onde entre muitas risadas e bate-papo no WhatsApp aconteceu o que foi em minha opinião pessoal, um dos melhores campeonatos que eu já pude participar em minha vida! E isso de nada tem a ver com o fato de eu ter vencido, e sim com a harmonia e dinâmica de todo o grupo envolvido com o evento. Tinha gente dos mais diversos estilos de vida e regiões do Brasil, mas todos formavam uma só família ali naquele momento, não havia divisões de gênero, política, étnica ou região; éramos um só ali, a família Reversiana Souza Silva Cid Brandão Dayvs Pimentel Jara e Vanessa.

É exatamente disso que eu gosto nesse jogo, dessa diversão, dessa coisa lúdica que só os jogos podem proporcionar. Gosto dos momentos ansiosos antes de começar, gosto do treino anterior, gosto das expectativas, gosto de falarem que querem jogar, mas que: “Estou fazendo a janta, mas tentarei ir.” – Fernanda Pimentel – RS. Ou, “Olha só o que eu comprei para o campeonato... (Nesse momento ele exibe no grupo a foto de um Quinta do Morgado Suave, o vinho).” Halan Dayvs – AM. Tem mais essa, eu tentei ligar pelo Whats a uma das participantes para lembrá-la do horário do campeonato, mas ela não pôde atender, por quê? Segue: “Oi, eu não pude atender porque estava dirigindo” – Vanessa Fabiane – SC. Enquanto isso, outros apenas me diziam: “Já estou aqui me aquecendo” Lucas Cid – São Carlos – SP. E a mais icônica de todas, segue: “Vou para casa da minha vó, lá eu consigo pegar o wi-fi do vizinho” – David Souza – RJ. Cara, isso foi sensacional... Haha. Sabe, essa expectativa é demais!

Enquanto isso, Alfredo Jara em Jundiaí, interior de São Paulo, organizava a tabela recodificando ao meu pedido todas as possibilidades, tabela de 3 jogadores, 5,7,9 10 que seja. Mas estávamos pensando em tudo, mas o homem da tabela era ele. Tá tudo pronto, mas faltava o Ricardo Brandão do Rio de Janeiro, liguei para ele e de primeira ele não pôde atender, mas da outra vez me atendeu: “Fala... Já começou o campeonato? Já vou lá, to indo”. Enquanto isso o Adegar Alves lá de Medicilândia no Pará avisava: “Pessoal, pra mim vai ser complicado a comunicação, pois estou no celular. – Mas farei o possível.” Cara, que sensacional, todo mundo empenhado em um mesmo sentido! Vocês conseguem enxergar isso? Não é apenas para jogar, é um esforço em conjunto de pessoas diferentes, de lugares diferentes em um mesmo propósito!

Os jogos começaram finalmente, com todos presentes... com chuva no Rio Grande do Sul, terra da Fernanda, com wi-fi emprestado no Rio de Janeiro, terra do David, com malabarismo Whats/PlayOk lá no Pará, terra do Adegar, e eu aqui concentrado com meus pensamentos em Franco da Rocha, município de São Paulo. E borá lá.

Sobre os jogos?

Da uma passadinha lá no PlayOk e vê algumas das partidas, a galera deu show. Parabéns a todos os envolvidos.

São esses momentos que mostram o quanto esse jogo é especial, o quanto jogos de tabuleiro podem unir as pessoas, mesmo à distância.

Valeu Galera, por mais esse torneio.

Classificação Final

Fabrício Silva – paztotal

David Souza - ddavid2

Vitor Cid - lordvitor3

Adegar Alves – admiib

Ricardo Brandão – bujuvalo

Halan Dayvs – halandayvs

Lucas Cid – lordlucas4

Fernanda Pimentel - othello

Alfredo Jara – apeine

Vanessa Fabiane – vanessafab

Na imagem de capa do texto, partida entre Vitor Cid (49) e (15) Adegar Alves, jogo da primeira fase, terceira rodada.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Como ser um bom jogador de Reversi?




Não há receita de bolo nisso, nem quero ser presunçoso ao ponto de achar que tenho essa resposta de pronto a todas as pessoas, mas posso resumidamente numerar algumas características e hábitos que podem facilitar a coisa. Porém, no fundo é bem provável que isso tudo dependa mais de duas coisas fundamentais: Personalidade e Inteligência.


Vamos lá?


1 – Goste do jogo

Sim, se você não gostar do jogo com certeza sucumbirá nas primeiras dificuldades de aprendizado, pois descobrirá que esse jogo de início, pode parecer mais desafiador do que prazeroso, necessariamente.


2 – Jogue

Não adianta só gostar, tem que jogar também! Oras, se ser bom em futebol, por exemplo, fosse tão somente sentar no sofá em um dia de domingo e gritar: “Vai Corinthians!”, tava bom demais, não é? (caso seja corinthiano, graças ao Universo eu não sou), caso fosse assim talvez jogadores de futebol profissionais apenas precisassem jogar umas partidas de futebol de PS do Xbox que tava bom demais. Por isso, se quiser ser um bom jogador de Reversi, jogue! E de futebol também.


3 – Assista partidas

Bom, a essa altura você já descobriu que gosta do jogo e decerto não perdeu tempo e começou a jogar igual um louco, firmeza até aqui meu camarada, (ou minha camarona) mas... Gostar por gostar e jogar por jogar eu poderia te listar uma lista infindável de pessoas que gostam de um monte de coisas e fazem um monte de coisas, e que estão satisfeitos com isso, mas sempre estão e sempre estarão na média de “Mais ou menos, mais ou menos...”, não basta só gostar e jogar, se você não começar a observar e absorver jogadas, lances, técnicas, habilidades e estratégias de jogadores mais avançados, você decairá dentro dos seus próprios conceitos, ficará preso dentro das suas próprias dificuldades e, bem provavelmente, não se desenvolverá nunca! (e se sim, com uns 20 anos de atraso). Lembram do filme Náufrago? Depois de um tempão preso naquela ilha, o inspetor da Federal Express ficou preso em seus próprios pensamentos, ficou preso em seus próprios conceitos, ficou doidão! Cuidado para não começarem a chamar seus tabuleiros de Wilson! Viu? Então, vá assistir jogos de jogadores mais avançados, faz bem.


4 – Analise Partidas

Tá, até aqui você descobriu que gosta do jogo, descobriu que está jogando sem parar, e descobriu que quando para é justamente para assistir partidas de outros jogadores em geral, além de beber água, se alimentar, trabalhar e dormir; perfeito. E agora? Bom, você pode tentar ir melhorando aos poucos, executando jogadas novas ao poucos, ou você pode acelerar o processo aprendendo a mexer em algum software que cole transcrições, como o WZebra, por exemplo. Aprenda a mexer em algum programa e utilize-o para treinar, se aperfeiçoar, isso fará você dar um grande passo rumo ao conhecimento pleno do jogo. Não encare os programas de Reversi como se pode encarar máquinas brutas que auxiliam o homem há décadas, um programa de Reversi não é uma escavadeira, pois ao contrário da primeira, você poderá copiar o estilo e repeti-lo da sua forma, já do contrário, eu nunca vi um ser humano erguer 10 toneladas de terra com as mãos, por mais que observe uma escavadeira trabalhar.


5 – Enfrente os Melhores

A não ser que você seja extremamente narcisista, assuma que há muito que aprender e vá sem medo para cima dos melhores jogadores, mesmo que leve umas 1000 surras, sairá de lá com algum aprendizado e, se sentirá melhor depois, seja como jogador, seja como ser humano. Jogar contra os melhores é uma experiência incrível, é uma oportunidade de colocar à prova tudo que aprendeu até aqui, de (se for o caso) puxar conversar e perguntar onde errou, onde precisa melhorar e de como treinar.

De repente você até mesmo equilibra a partida, ou perde de pouco, tudo vira aprendizado. Mas seja humilde se descobrir se tudo que sabe, não é 10% do que o seu oponente sabe, isso faz parte também, o negócio é continuar treinando e, esperar o dia em que até esse seu adversário tão poderoso, poderá balançar com as suas jogadas, e nossa... Isso será quase como um rito de passagem! (Sim, eu já tive o meu).


6 – Tenha a Mente Aberta, Jogue Contra Todos

Ironicamente jogar somente contra jogadores bons, poderá fazer você criar vícios de jogadas terríveis, já fiz uma postagem no meu blog explicando sobre isso, mas resumidamente se trata, por exemplo, de todos os jogadores de ponta apenas utilizarem as mesmas aberturas, uma vez que talvez as aberturas xots poderiam fornecer os mesmos bons resultados das aberturas normais. Pois bem, sempre quando um jogador bom é zerado (perde logo no início sem nenhuma peça no tabuleiro, é desse zeramento que estou falando) nem precisa se dar ao trabalho de perguntar quem era o “temível” jogador que fez isso com ele, a resposta quase sempre será: Um jogador iniciante. Jogadores iniciantes quase nunca sabem aberturas, sejam as padrões ou sejam as xots, por isso eles seguem apenas o que pensam ser o certo no momento, ou seja, são quase imprevisíveis. Se você não jogar contra jogadores assim, você nunca irá desenvolver melhor a sua intuição, a sua criatividade e apuramento tático e estratégico, você precisa aprender a jogar tanto contra jogadores de ponta que têm títulos e que vá em competições oficiais e até mesmo em mundiais, tanto quanto terá que aprender a jogar contra quem está jogando esse jogo pela terceira vez na vida, todos eles têm algo importante para lhe ensinar, saiba e decore isso, é importante.


7 – Dê tempo ao tempo

E por último, tenha em mente que cada pessoa é diferente da outra de várias maneiras, inclusive no que tange habilidades de aprendizado, personalidade e nível de inteligência. Para alguns o que pode significar apenas 2 anos para estar bom, outros podem demorar 4 ano ou até mesmo um pouco mais, meses para ser um jogador de ponta (tipo um Maxilliano, Takemoto ou Takanashi) é só legado aos gênios, os normais precisam de mais tempo e treino para isso, inclusive os três da lista entre parênteses acima, precisaram de anos também. Fique calmo e vá no seu ritmo, que quando menos esperar, estará lá ganhando de trocentos jogadores que antes eram inalcançáveis para você. Com o tempo você alcança todas as suas joias do infinito, só não vá usá-las sem sabedoria, ok?


É isso ai, meu muito obrigado.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

10 Anos



Pois é, lá se vão 10 anos desde o dia em que eu decidi criar esse blog, não imaginava que essa ideia se transformaria em uma odisséia que me levaria tão longe, não pensava que minha imensa vontade de mostrar aos brazucas o quão legal esse jogo é, pudesse trazer para nosso time desde tradutores que passaram do inglês/francês para o português livros de suma importância ao aprendizado do nosso jogo, até pessoas especializadas em organização de eventos e campeonatos de jogos diversos, que agora se dedicam, em certos casos, exclusivamente ao nosso magnífico jogo Othello/Reversi. De certa forma, também nunca pensei que esse hobby (jogar e escrever) fosse um dia me levar à Câmara Municipal de São Paulo para receber uma homenagem, surreal e sem palavras para descrever.


No começo eu pensava em divulgar tudo isso no Orkut, sim... Orkut, não riam... Tô ficando meio antigo já, e entre jogar algumas e cuidar do meu sobrinho, que na época tinha 2 aninhos, a minha vontade por divulgação aumentava, mas foi só depois de vencer um jogador tido como quase imbatível e um dos melhores, se não o melhor, jogador da América Latina na época (não que eu alguma vez tenha concordado com isso, por razões pessoais) eu me senti “aprovado” e autorizado a falar do jogo, me senti “formado” em reversologia e, de agora em diante tinha o aval e a expertise para me chafurdar e explanar tudo sobre esse jogo às pessoas, agora a chama do conhecimento estava comigo, era assim que eu me sentia. E minha ex-namorada me incentivava e aprovava tudo isso, foi jogando com ela que eu tinha a oportunidade na maioria das vezes de passar os conceitos estratégicos em imagens no blog, muitas daquelas partidas foram jogadas com ela, por isso que eu agradeço muito a ela por tudo isso também, pois ela também fez parte disso, e sempre torceu muito por mim. Mas tudo foi uma espécie de brincadeira, onde eu me divertia mostrando vídeos de jogadores famosos jogando, ou ensinando algumas táticas e estratégias que eu já sabia e dominava na época, bem como minha vontade de estudar mais sobre o jogo aumentou, junto com a curiosidade em pesquisar sobre como as outras organizações de Othello ao redor do mundo se comportavam, e passar isso aos brasileiros, que ao meu entender (e isso não mudou muito infelizmente) não se importavam muito com a história e as oficialidades desse jogo, muitos nem sequer sabiam que existia a versão em tabuleiro do jogo que eles jogavam online, no Flyordie, PlayOk , Reversi para Internet do Windows XP ou no Reversi do MSN.

Minha vontade irredutível era e de certa forma ainda é, que todos que jogam esse jogo ao menos saibam que esse jogo, por mais que seja uma brincadeira, um passa-tempo ou uma válvula de escape bem interessante para muitos, ainda assim tem inúmeras aplicabilidades, é uma ferramenta útil em escolas, clínicas, hospitais e tem um grande poder sociabilizador e de transformação mental e comportamental. Lógico, esse conceito se aplica a todos os jogos de tabuleiros, bem como a muitos games. De 2009 para cá, em 2019 muita coisa mudou, temos campeonatos constantes com muitos jogadores, e não mais estamos apenas presos em São Paulo, pois já tivemos torneios em Minas Gerais, Santa Catarina e no nordeste, não demorará a chegarmos ao Rio de Janeiro, talvez ainda esse ano. Tivemos um Campeonato Brasileiro, o de 2016, com aproximadamente 81 participantes! Isso não só foi um marco para história do jogo aqui no Brasil, mas no mundo, um recorde.

Hoje eu divulgo muito mais no Youtube e Facebook, mas jamais esquecerei o pilar e origem de tudo, que é aqui nesse blog, o meu querido Othello Classic. 

Bom, acho que vou ficando por aqui, eu apenas queria comemorar esses 10 anos com uma postagem, esse jogo é maravilhoso e de certa forma, mudou a minha vida, e esse blog foi e ainda é, uma das formas de eu demonstrar isso.

Obrigado a todos vocês que ao acompanharem meu trabalho, aqui ou no Youtube ou Facebook, fizeram isso tudo chegar até esse ponto tão alto em que chegamos.


Até uma próxima.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Qual é o seu tabuleiro favorito?





           Olá a todos, espero que estejam todos bem por ai.


  • Esses dias eu fiz algumas pequenas votações no meu grupo de Whatsapp, onde mostrei inúmeros tabuleiros de formatos, épocas, preços, materiais e marcas diferentes. E o resultado foi algo que eu já esperava de certa forma – com algumas leves e surpreendentes alterações, de fato. Mas no geral, tivemos mais ou menos o que a maioria dos jogadores preferem, tabuleiros com uma aparência durável, geralmente com detalhes ou todos de madeira, e que sigam com a temática setentista inventada por Shiro Hasegawa (pai de Goro Hasegawa), ou seja, com fundo verde e peças pretas e brancas. No total foram 59 tabuleiros de amostra e depois de duas votações, tivemos os 10 mais votados, que pretendo colocar aqui abaixo, mas antes, qual é a moral da história? Bom, já disse ai acima, coloquei a carroça na frente dos bois como sempre mas não gosto muito de fazer suspense, sou prático como uma jogada brilhante no Reversi, o resultado é rápido e perceptível. Mas, explico de uma forma melhor, o povo gosta do tradicional, na verdade a maioria dos jogadores – mesmo inconscientemente, e isso é bem importante frisar - são bem apegados ao conceito universal de Othello com Desdemona e os gramados verdes da Inglaterra medieval e, se algo fugir disso, acaba caindo no conceito artesanal estético, onde mesmo que não tenham nenhum dos elementos otelístico que acabei de falar, inevitavelmente terão que ser bonitos, belos e de aparência durável, é isso que vende e, é justamente isso que abre a questão: Se gostam, se é bom, se é imensuravelmente durável em comparação com a grande maioria dos modelos vendidos (ou que eram vendidos) por marcas como Mattel, Pressman, Grow, e pela própria Tsukuda (hoje nas mãos da MegaHouse), por que não produzem em grande escala para outras partes do mundo? Não me refiro ao oitavo da lista que é puramente artesanal, mas até mesmo ele, por que não simulacros? Alguns, como o sétimo da lista por exemplo, só vendem no Japão, garanto que se alguma empresa daqui, como a própria Grow ou a Hasbro quisessem produzir desse mesmo tabuleiro, haveria quem comprasse. E o sexto da lista?! Minha nossa, que tabuleiro! E o campeão da lista? Pois é, o campeão não é produzido por nenhuma empresa, nem mesmo no Japão, ao menos a nível comercial.  Na lista ainda temos os Tsukudas, (os 2, 5, 9 e 10 da lista são) são resquício do DNA otelístico que há em cada jogador que tenha aprendido a jogar esse jogo no Atari nos anos ’80, ou de alguém iniciantes em sites como o PlayOk (antigo Kurnik), FlyOrDie ou o extinto Vog, ou alguém que tenha iniciado mais recentemente nos tabuleiros de Othello da Grow de 2004, ou se deparado com fotos no Google Imagens que tenham essa temática, que de longe preenche toda a tela do computador de qualquer um que procure, faça o teste. Aqueles com cores diferentes de verde, branco e preto são os ditos tabuleiro de Reversi, mesmo que alguns azuis possam carregar a marca Othello com eles.

  • Essa epidemia pelo padrão otelístico, atinge tão fundo nos nossos gostos que é quase praticamente impossível alguém nunca ter se incomodado uma vez na vida por ter jogado num site ou tabuleiro com cores berrantemente diferentes do habitual, ou ter preferido no final das contas jogar no tabuleiro verde com peças pretas  brancas ao invés do vermelhinho e etc... E observem só, eu não estou dizendo que isso seja errado. De forma alguma! Como podem bem reparar, as cores do meu blog são verde, branca e preta e não é à toa não, a palavra “Reversi” automaticamente denota a cor verde na minha imaginação, que só é completada com os detalhes brancos e pretos, representando as peças, viram só? Eu pessoalmente prefiro os tabuleiros tradicionais também, não sou palmerense, mas a cor verde para esse jogo é sublime, é a minha real preferência também. Mas seria isso caso o jogo chegasse até mim de outra forma? E se Goro Hasegawa não tivesse resolvido ressuscitar o jogo Reversi com o nome Othello e toda a temática que o segue? Se, vamos supor, a pessoa que o relançasse optasse pela cor bege, ou laranja como fundo? Será que esse não seria o padrão pétreo que nos rodearia para sempre? Ainda lembro da pequena saia justa que a empresa Lansay passou ao tentar relançar o jogo na França com o fundo do tabuleiro em azul, logo os representantes da FFO (Federação Francesa de Othello) se pronunciaram contra! Como a empresa francesa não dependia da FFO para quase nada, brigaram por lançar o jogo com o fundo azul mesmo, o que de fato foi feito. Bom, que eu saiba o tabuleiro não foi lá grande sucesso não.

  • Antes de Hasegawa vender a sua ideia à Tsukuda no início dos anos ’70, o jogo, como todo bom leitor desse blog sabe, já existia. Com cores e regras levemente diferentes é claro, mas já estavam lá faz tempo, seja com a Waddy nos anos ’30 ou mais antigamente ainda com a Mc Loughlin Bro’s em 1890 (esse igual ao Annexation, em formato de cruz) e, claro com o Annex e Annexation de 1876 à 1883. E fazia um relativo sucesso, acredito que o que fez a ideia otelística perdurar, quanto as outras se extinguirem ou terem menor valor, foi justamente o fato que eu abordei em minha outra postagem no blog: (O Resumo da História do Othello e Reversi no Brasil) onde eu falo da possível correlação de cumplicidade que  houve na ajuda mútua entre o jogo Othello e as grande empresas digitais, videogames e computadores, onde um acabou por alavancar o outro, um ajudou na venda do outro, no geral de maneira indireta, (apesar de a própria Tsukuda ter lançado os seus próprios modelos digitais, no estilo “Tetris” de Othello de mão, que não tinham palhetas de cores, eram bem toscos mesmo) e como os consoles copiavam a temática otelística, as vendas recaiam nos tabuleiros que tivessem essa mesma temática, onde eram todos de Hasegawa. A Atari 2600, com seu cartucho, a Nintendo com sua versão para NES, todos puxavam essa temática verde, peças brancas e pretas. Mas sim, alguns consoles puxavam para cores alternativas, como o computador da Atari, o Atari ST, onde o console do jogo era com uma temática de cores de tabuleiro preto, peças roxas e amarelas (com direito a carinha nas peças ).

  • No geral, eram essas as cores que imperavam, não foram nessas tonalidades que eu conheci o jogo, mas grande parte dos jogadores foi. Os sites de Reversi online sempre preferiram  essas cores, como já citei acima no caso o PlayOk, FlyOrDie e Vog, ainda tem o Ludoteka, Yahoo Games, Mega Jogos e Ig Games Center. Nas modernas plataformas digitais, movidas pelo avanço dos celulares, temos na plataforma Android centenas de Reversis com essa temática, e o atual app mais famoso para jogar online que existe na atualidade, o Reversi Wars, é verde. Sem esquecer do Dr. Reversi também, que já seguia o mesmo caminho. Sem contar programas como WZebra, NTest, Logistello, Deep Green, Aros Magic e etc... Tudo isso estourou, com exceção dos apps de celular, é claro, nos anos ’80 e ’90! E todos seguiram o mesmo fluxo.

  • Bom, concluindo esse texto, eu digo que por mais que nós quase que majoritariamente prefiramos os tabuleiros tradicionais ditos acima, nunca venhamos a deixar de lado a arte que alguns desses modernos e arranjados tabuleiros possam nos trazer, que é o que justamente essa votação provou ser verdade, o campeão não é nem de longe um tradicional. Jogar Reversi é sempre bom, seja onde for, indiferente da cor da plataforma ou do tabuleiro, desde que seja possível distinguir entre tabuleiros e peças, é claro. E só para constar, eu também votei, os tabuleiros que ficaram na posição 1, 2, 5 e 6 foram os meus favoritos, dois tradicionais e dois que fogem à temática.

  • Abaixo, do primeiro ao décimo os tabuleiros mais votados pelos colegas do grupo de Whatsapp que me ajudaram nessa questão.

  • Agradecimentos especiais à Alfredo Jara, Alamir Jr., Ricardo Brandão, Adegar Alves, Halan Davys, Jun Takemoto e Jacqueline Batista (como votante especial).





Tabuleiro de Madeira, Artesanal Rústico


1

Tsukuda Oficial, Moderno



2

Simulacro de Tsukuda



3

Tabuleiro Metálico Magnético Simples



4

Tsukuda Branco, Deluxe



5

Tabuleiro Metálico Magnético Sofisticado



6

Big Othello



7

Tabuleiro Artesanal de Cerâmica



8

Tsukuda Oficial Preto



9

Tsukuda Ouro, Deluxe



                                                                                 10




  • Todos os tabuleiros dessa lista, exceto o número 3 que não confirmei, são do Japão.

    Obs: Esses pontos à frente de cada estrofe ou linha, foi a minha tentativa de realinhar o texto, ficou noob mais foi o melhor que eu pude fazer. :)

    Valeu, e até mais. :)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

"É só um jogo"




Boa tarde, beleza por ai?


Mais um ano começou e estamos todos por aqui, ótimo que seja assim, mesmo que eu esteja quase que totalmente sem assunto para postar nesse blog. Porém, tem uns dias que eu quero falar sobre um tema, do qual tentarei discorrer a seguir.  Não fiz antes por pura preguiça de pesquisas mais aprofundadas sobre o tema e, preferi fazer de maneira mais casual e descompromissada como seria uma simples e divertida conversa de boteco, ok? Pois bem, já tem um tempo que eu cheguei a conclusão de que jogadores interessados correm atrás de dados, estudos, história, prática e teoria por conta própria, não é com alguém tentando “abrir-lhes” os horizontes mostrando-os o quão magnífico e entusiástico que é o mundo dos campeonatos ou encontros amistosos presenciais cara a cara em um tabuleiro, jogando e conversando e, talvez bebendo algo que fariam esses jogadores mudarem de ideia, pois de certa forma, nada como o aconchego do nosso lar para jogarmos umas partidinhas online. Esse é o tipo de coisa que só quem já participou sabe como que é, e não adianta tentar convencer alguém que jogue apenas online que o “online” é apenas um simulacro mal feito e tosco de alguma coisa que não seria bom nem mesmo se fosse algo real, ou seja, nem chega perto de ser uma imitação ruim do que é jogar em um tabuleiro (óbvio, que isso de uma perceptiva pessoal  mesclada ao que eu ouço outros jogadores falarem também). Mas, como sou meio insistente, às vezes tento puxar conversa com alguns desses jogadores online que falam o meu idioma, para cinco segundos depois me arrepender de ter falado um “olá”, os mais educados (digo, aqueles que não te deixam no vácuo ou simplesmente lhe respondem mal com algumas palavras pejorativas) são mesmo assim, pessoas ainda intrinsecamente ignorantes no que diz respeito ao que é o jogo Reversi jogado em tabuleiro e, totalmente ignorantes sobre nomes de estratégias, história, jogadores e competições, mas... Isso ainda não é o pior, porque até entre esses jogadores ainda há mais uma divisão, porque de certa forma, como eu já havia dito antes, já me conformei que 92% dos jogadores online estão pouco se lixando ou nem sequer sabem da existência do jogo em tabuleiro, mas há uma turma que me fez ir dormir pensando no quão, e me desculpem a palavra, BABACAS podem ser. Eu estive conversando com um jogador português, que joga até de forma razoável e etc. , e lhe perguntei se conhecia jogadores brasileiros ali mesmo no site e tal, foi quando ele me respondeu que não conhece tantos, e continuei a conversa, falei sobre as competições de Othello, sobre a galera em geral e eis que eu li ele escrevendo: “isso é só um jogo”, e não falou quase mais nada depois disso, Ok eu pensei, é claro que isso é um jogo e, foi justamente isso que eu o respondi, entendi na hora o que ele quis dizer com aquela frase e, você que está aqui lendo isso também deve ter entendido, presumo eu. Mas serei mais explícito, para ele e gente como ele, Reversi é um joguinho de bolinhas pretas e brancas e ganha quem tiver mais bolinhas da sua cor no final da partida, e é um direito dele achar isso! Como já disse em postagens antigas minhas aqui, cada um vive e desfruta o jogo da maneira que bem entender, tabuleiro, online ou em app de celular, tanto faz, cada um cada um. Porém, o que me fez pensar o quão idiota foi a frase dele, foi o fato de que se no passado alguém convencesse a grande maioria de que xadrez é só um jogo de velho, que futebol é só um jogo de rua ou vila, que vôlei é só um jogo de quadra de escola, talvez muito provavelmente esses jogos (esportes) não teriam chegado aonde chegaram nos dias de hoje, foi por causa de gente otimista que esses esportes cresceram e dominaram todo o mundo nos tempos de hoje. E mesmo assim, obviamente, que não deixaram de ser jogos, mas sentiram a diferença no tratamento, não é?

Esportes de todos os tipos são usados não apenas em competições e movimentações de capitais, investimentos, lazer e cultura, mas até mesmo por clínicas no auxílio a pessoas com problemas de saúde, seja na ajuda ao emagrecimento ou problemas psicológicos. Mas, como disse o nosso amigo, “é só um jogo”, não é?  Já escrevi aqui no meu blog a importância que o xadrez teve até mesmo como ferramenta política durante a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, jogo esse que também teve suma importância como métrica no que seria o primeiro grande duelo entre homens e máquinas, no confronto de Kasparov contra o super computador Deep Blue em 1997, numa sequência de partidas históricas, onde o jogador humano foi derrotado, (e hoje em dia com o AlphaGo no jogo GO derrotando desde Lee Sedol à Ke Jie que são dois super jogadores nesse complexo jogo) esses avanços ajudaram no entendimento e aprimoramento dos testes de Inteligência Artificial, que de fato podem até mesmo estarem sendo usadas no seu computador ou smartphone agora mesmo, mas... talvez xadrez seja só um jogo, correto?

Não preciso explanar aqui aonde o futebol chegou, com todos os seus times, empresas, capitais, ídolos, torneios e super estádios, e: “É Tetra! É Tetra!” o vôlei nos deu campeões olímpicos e, é um jogo de grande influência ao redor do mundo, talvez não saísse do papel se não fosse por um importante entusiasta chamado William George Morgan, lá em Massachusetts nos Estados Unidos, dentro de uma Universidade Cristã lá no ano de 1885. E observem o fato, ao criar o vôlei ele estava pensando em criar um jogo  onde os mais velhos pudessem jogar sem ter o perigo de sofrerem lesões físicas, devido ao choque corporal com outros jogadores, por isso o vôlei é jogado de forma separada, com as equipes divididas por uma rede, legal né? Com o jogo Othello não é diferente, hoje em dia esse é um dos jogos que da a oportunidade de pessoas idosas, por exemplo, terem um modo de recreação, de diversão e socialização com outras pessoas, pois o desgaste físico é próximo de zero e, contusões por colisões físicas só se for numa porrada ao perder uma partida, o que eu acho muiiito difícil que aconteça. (risos) Entendem que por mais que seja “um jogo”, o que o envolve é muito maior, como também eram as coisas invisíveis que circundavam os consolidados esportes futebol, vôlei e xadrez outrora?  Aqui mesmo nesse blog eu fiz uma pequena entrevista com a Psicopedagoga Andreia Oliveira, onde ela explicou sobre como utiliza o jogo Reversi em tabuleiro, como ferramenta de auxílio no tratamento com jovens com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e de como o tratamento surti efeito. Sem contar que também há pesquisas que apontam para uma melhora cognitiva em pessoas que jogam jogos de tabuleiro (nesse caso, serve online também), coisas como memória, planejamento, tomada de decisões e etc., afloram com a prática desses esportes.


Sabe, às vezes eu acho que quem “acha” esse tipo de coisa, na verdade não acha... Acredito que a inquietação de saber que existam pessoas que tratem esses jogos com um tino tão afinado e planejado, de saber que existam pessoas que levam a esperança de futuras colheitas e distribuição desses frutos para as futuras gerações, seja algo que os fazem se sentir fúteis, ou irrelevantes, coisa da qual os deixem de certa forma frustrados ao saber que aquilo que para eles são bolinhas bicolores numa tela verde virtual, tem uma utilidade muito maior do que podem ou querem aceitar.