sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Qual é o seu tabuleiro favorito?





           Olá a todos, espero que estejam todos bem por ai.


  • Esses dias eu fiz algumas pequenas votações no meu grupo de Whatsapp, onde mostrei inúmeros tabuleiros de formatos, épocas, preços, materiais e marcas diferentes. E o resultado foi algo que eu já esperava de certa forma – com algumas leves e surpreendentes alterações, de fato. Mas no geral, tivemos mais ou menos o que a maioria dos jogadores preferem, tabuleiros com uma aparência durável, geralmente com detalhes ou todos de madeira, e que sigam com a temática setentista inventada por Shiro Hasegawa (pai de Goro Hasegawa), ou seja, com fundo verde e peças pretas e brancas. No total foram 59 tabuleiros de amostra e depois de duas votações, tivemos os 10 mais votados, que pretendo colocar aqui abaixo, mas antes, qual é a moral da história? Bom, já disse ai acima, coloquei a carroça na frente dos bois como sempre mas não gosto muito de fazer suspense, sou prático como uma jogada brilhante no Reversi, o resultado é rápido e perceptível. Mas, explico de uma forma melhor, o povo gosta do tradicional, na verdade a maioria dos jogadores – mesmo inconscientemente, e isso é bem importante frisar - são bem apegados ao conceito universal de Othello com Desdemona e os gramados verdes da Inglaterra medieval e, se algo fugir disso, acaba caindo no conceito artesanal estético, onde mesmo que não tenham nenhum dos elementos otelístico que acabei de falar, inevitavelmente terão que ser bonitos, belos e de aparência durável, é isso que vende e, é justamente isso que abre a questão: Se gostam, se é bom, se é imensuravelmente durável em comparação com a grande maioria dos modelos vendidos (ou que eram vendidos) por marcas como Mattel, Pressman, Grow,e pela própria Tsukuda (hoje nas mãos da MegaHouse), por que não produzem em grande escala para outras partes do mundo? Não me refiro ao oitavo da lista que é puramente artesanal, mas até mesmo ele, por que não simulacros? Alguns, como o sétimo da lista por exemplo, só vendem no Japão, garanto que se alguma empresa daqui, como a própria Grow ou a Hasbro quisessem produzir desse mesmo tabuleiro, haveria quem comprasse. E o sexto da lista?! Minha nossa, que tabuleiro! E o campeão da lista? Pois é, o campeão não é produzido por nenhuma empresa, nem mesmo no Japão, ao menos a nível comercial.  Na lista ainda temos os Tsukudas, (os 2, 5, 9 e 10 da lista são) são resquício do DNA otelístico que há em cada jogador que tenha aprendido a jogar esse jogo no Atari nos anos ’80, ou de alguém iniciantes em sites como o PlayOk (antigo Kurnik), FlyOrDie ou o extinto Vog, ou alguém que tenha iniciado mais recentemente nos tabuleiros de Othello da Grow de 2004, ou se deparado com fotos no Google Imagens que tenham essa temática, que de longe preenche toda a tela do computador de qualquer um que procure, faça o teste. Aqueles com cores diferentes de verde, branco e preto são os ditos tabuleiro de Reversi, mesmo que alguns azuis possam carregar a marca Othello com eles.

  • Essa epidemia pelo padrão otelístico, atinge tão fundo nos nossos gostos que é quase praticamente impossível alguém nunca ter se incomodado uma vez na vida por ter jogado num site ou tabuleiro com cores berrantemente diferentes do habitual, ou ter preferido no final das contas jogar no tabuleiro verde com peças pretas  brancas ao invés do vermelhinho e etc... E observem só, eu não estou dizendo que isso seja errado. De forma alguma! Como podem bem reparar, as cores do meu blog são verde, branca e preta e não é à toa não, a palavra “Reversi” automaticamente denota a cor verde na minha imaginação, que só é completada com os detalhes brancos e pretos, representando as peças, viram só? Eu pessoalmente prefiro os tabuleiros tradicionais também, não sou palmerense, mas a cor verde para esse jogo é sublime, é a minha real preferência também. Mas seria isso caso o jogo chegasse até mim de outra forma? E se Goro Hasegawa não tivesse resolvido ressuscitar o jogo Reversi com o nome Othello e toda a temática que o segue? Se, vamos supor, a pessoa que o relançasse optasse pela cor bege, ou laranja como fundo? Será que esse não seria o padrão pétreo que nos rodearia para sempre? Ainda lembro da pequena saia justa que a empresa Lansay passou ao tentar relançar o jogo na França com o fundo do tabuleiro em azul, logo os representantes da FFO (Federação Francesa de Othello) se pronunciaram contra! Como a empresa francesa não dependia da FFO para quase nada, brigaram por lançar o jogo com o fundo azul mesmo, o que de fato foi feito. Bom, que eu saiba o tabuleiro não foi lá grande sucesso não.

  • Antes de Hasegawa vender a sua ideia à Tsukuda no início dos anos ’70, o jogo, como todo bom leitor desse blog sabe, já existia. Com cores e regras levemente diferentes é claro, mas já estavam lá faz tempo, seja com a Waddy nos anos ’30 ou mais antigamente ainda com a Mc Loughlin Bro’s em 1890 (esse igual ao Annexation, em formato de cruz) e, claro com o Annex e Annexation de 1876 à 1883. E fazia um relativo sucesso, acredito que o que fez a ideia otelística perdurar, quanto as outras se extinguirem ou terem menor valor, foi justamente o fato que eu abordei em minha outra postagem no blog: (O Resumo da História do Othello e Reversi no Brasil) onde eu falo da possível correlação de cumplicidade que  houve na ajuda mútua entre o jogo Othello e as grande empresas digitais, videogames e computadores, onde um acabou por alavancar o outro, um ajudou na venda do outro, no geral de maneira indireta, (apesar de a própria Tsukuda ter lançado os seus próprios modelos digitais, no estilo “Tetris” de Othello de mão, que não tinham palhetas de cores, eram bem toscos mesmo) e como os consoles copiavam a temática otelística, as vendas recaiam nos tabuleiros que tivessem essa mesma temática, onde eram todos de Hasegawa. A Atari 2600, com seu cartucho, a Nintendo com sua versão para NES, todos puxavam essa temática verde, peças brancas e pretas. Mas sim, alguns consoles puxavam para cores alternativas, como o computador da Atari, o Atari ST, onde o console do jogo era com uma temática de cores de tabuleiro preto, peças roxas e amarelas (com direito a carinha nas peças ).

  • No geral, eram essas as cores que imperavam, não foram nessas tonalidades que eu conheci o jogo, mas grande parte dos jogadores foi. Os sites de Reversi online sempre preferiram  essas cores, como já citei acima no caso o PlayOk, FlyOrDie e Vog, ainda tem o Ludoteka, Yahoo Games, Mega Jogos e Ig Games Center. Nas modernas plataformas digitais, movidas pelo avanço dos celulares, temos na plataforma Android centenas de Reversis com essa temática, e o atual app mais famoso para jogar online que existe na atualidade, o Reversi Wars, é verde. Sem esquecer do Dr. Reversi também, que já seguia o mesmo caminho. Sem contar programas como WZebra, NTest, Logistello, Deep Green, Aros Magic e etc... Tudo isso estourou, com exceção dos apps de celular, é claro, nos anos ’80 e ’90! E todos seguiram o mesmo fluxo.

  • Bom, concluindo esse texto, eu digo que por mais que nós quase que majoritariamente prefiramos os tabuleiros tradicionais ditos acima, nunca venhamos a deixar de lado a arte que alguns desses modernos e arranjados tabuleiros possam nos trazer, que é o que justamente essa votação provou ser verdade, o campeão não é nem de longe um tradicional. Jogar Reversi é sempre bom, seja onde for, indiferente da cor da plataforma ou do tabuleiro, desde que seja possível distinguir entre tabuleiros e peças, é claro. E só para constar, eu também votei, os tabuleiros que ficaram na posição 1, 2, 5 e 6 foram os meus favoritos, dois tradicionais e dois que fogem à temática.

  • Abaixo, do primeiro ao décimo os tabuleiros mais votados pelos colegas do grupo de Whatsapp que me ajudaram nessa questão.

  • Agradecimentos especiais à Alfredo Jara, Alamir Jr., Ricardo Brandão, Adegar Alves, Halan Davys, Jun Takemoto e Jacqueline Batista (como votante especial).





Tabuleiro de Madeira, Artesanal Rústico


1

Tsukuda Oficial, Moderno



2

Simulacro de Tsukuda



3

Tabuleiro Metálico Magnético Simples



4

Tsukuda Branco, Deluxe



5

Tabuleiro Metálico Magnético Sofisticado



6

Big Othello



7

Tabuleiro Artesanal de Cerâmica



8

Tsukuda Oficial Preto



9

Tsukuda Ouro, Deluxe



                                                                                 10




  • Todos os tabuleiros dessa lista, exceto o número 3 que não confirmei, são do Japão.

    Obs: Me esses pontos à frente de cada estrofe ou linha, foi a minha tentativa de realinhar o texto, ficou noob mais foi o melhor que eu pude fazer. :)

    Valeu, e até mais. :)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

"É só um jogo"




Boa tarde, beleza por ai?


Mais um ano começou e estamos todos por aqui, ótimo que seja assim, mesmo que eu esteja quase que totalmente sem assunto para postar nesse blog. Porém, tem uns dias que eu quero falar sobre um tema, do qual tentarei discorrer a seguir.  Não fiz antes por pura preguiça de pesquisas mais aprofundadas sobre o tema e, preferi fazer de maneira mais casual e descompromissada como seria uma simples e divertida conversa de boteco, ok? Pois bem, já tem um tempo que eu cheguei a conclusão de que jogadores interessados correm atrás de dados, estudos, história, prática e teoria por conta própria, não é com alguém tentando “abrir-lhes” os horizontes mostrando-os o quão magnífico e entusiástico que é o mundo dos campeonatos ou encontros amistosos presenciais cara a cara em um tabuleiro, jogando e conversando e, talvez bebendo algo que fariam esses jogadores mudarem de ideia, pois de certa forma, nada como o aconchego do nosso lar para jogarmos umas partidinhas online. Esse é o tipo de coisa que só quem já participou sabe como que é, e não adianta tentar convencer alguém que jogue apenas online que o “online” é apenas um simulacro mal feito e tosco de alguma coisa que não seria bom nem mesmo se fosse algo real, ou seja, nem chega perto de ser um a imitação ruim do que é jogar em um tabuleiro (óbvio, que isso de uma perceptiva pessoal  mesclada ao que eu ouço outros jogadores falarem também). Mas, como sou meio insistente, às vezes tento puxar conversa com alguns desses jogadores online que falam o meu idioma, para cinco segundos depois me arrepender de ter falado um “olá”, os mais educados (digo, aqueles que não te deixam no vácuo ou simplesmente lhe respondem mal com algumas palavras pejorativas) são mesmo assim, pessoas ainda intrinsecamente ignorantes no que diz respeito ao que é o jogo Reversi jogado em tabuleiro e, totalmente ignorantes sobre nomes de estratégias, história, jogadores e competições, mas... Isso ainda não é o pior, porque até entre esses jogadores ainda há mais uma divisão, porque de certa forma, como eu já havia dito antes, já me conformei que 92% dos jogadores online estão pouco se lixando ou nem sequer sabem da existência do jogo em tabuleiro, mas há uma turma que me fez ir dormir pensando no quão, e me desculpem a palavra, BABACAS podem ser. Eu estive conversando com um jogador português, que joga até de forma razoável e etc. , e lhe perguntei se conhecia jogadores brasileiros ali mesmo no site e tal, foi quando ele me respondeu que não conhece tantos, e continuei a conversa, falei sobre as competições de Othello, sobre a galera em geral e eis que eu li ele escrevendo: “isso é só um jogo”, e não falou quase mais nada depois disso, Ok eu pensei, é claro que isso é um jogo e, foi justamente isso que eu o respondi, entendi na hora o que ele quis dizer com aquela frase e, você que está aqui lendo isso também deve ter entendido, presumo eu. Mas serei mais explícito, para ele e gente como ele, Reversi é um joguinho de bolinhas pretas e brancas e ganha quem tiver mais bolinhas da sua cor no final da partida, e é um direito dele achar isso! Como já disse em postagens antigas minhas aqui, cada um vive e desfruta o jogo da maneira que bem entender, tabuleiro, online ou em app de celular, tanto faz, cada um cada um. Porém, o que me fez pensar o quão idiota foi a frase dele, foi o fato de que se no passado alguém convencesse a grande maioria de que xadrez é só um jogo de velho, que futebol é só um jogo de rua ou vila, que vôlei é só um jogo de quadra de escola, talvez muito provavelmente esses jogos (esportes) não teriam chegado aonde chegaram nos dias de hoje, foi por causa de gente otimista que esses esportes cresceram e dominaram todo o mundo nos tempos de hoje. E mesmo assim, obviamente, que não deixaram de ser jogos, mas sentiram a diferença no tratamento, não é?

Esportes de todos os tipos são usados não apenas em competições e movimentações de capitais, investimentos, lazer e cultura, mas até mesmo por clínicas no auxílio a pessoas com problemas de saúde, seja na ajuda ao emagrecimento ou problemas psicológicos. Mas, como disse o nosso amigo, “é só um jogo”, não é?  Já escrevi aqui no meu blog a importância que o xadrez teve até mesmo como ferramenta política durante a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, jogo esse que também teve suma importância como métrica no que seria o primeiro grande duelo entre homens e máquinas, no confronto de Kasparov contra o super computador Deep Blue em 1997, numa sequência de partidas históricas, onde o jogador humano foi derrotado, (e hoje em dia com o AlphaGo no jogo GO derrotando desde Lee Sedol à Ke Jie que são dois super jogadores nesse complexo jogo) esses avanços ajudaram no entendimento e aprimoramento dos testes de Inteligência Artificial, que de fato podem até mesmo estarem sendo usadas no seu computador ou smartphone agora mesmo, mas... talvez xadrez seja só um jogo, correto?

Não preciso explanar aqui aonde o futebol chegou, com todos os seus times, empresas, capitais, ídolos, torneios e super estádios, e: “É Tetra! É Tetra!” o vôlei nos deu campeões olímpicos e, é um jogo de grande influência ao redor do mundo, talvez não saísse do papel se não fosse por um importante entusiasta chamado William George Morgan, lá em Massachusetts nos Estados Unidos, dentro de uma Universidade Cristã lá no ano de 1885. E observem o fato, ao criar o vôlei ele estava pensando em criar um jogo  onde os mais velhos pudessem jogar sem ter o perigo de sofrerem lesões físicas, devido ao choque corporal com outros jogadores, por isso o vôlei é jogado de forma separada, com as equipes divididas por uma rede, legal né? Com o jogo Othello não é diferente, hoje em dia esse é um dos jogos que da a oportunidade de pessoas idosas, por exemplo, terem um modo de recreação, de diversão e socialização com outras pessoas, pois o desgaste físico é próximo de zero e, contusões por colisões físicas só se for numa porrada ao perder uma partida, o que eu acho muiiito difícil que aconteça. (risos) Entendem que por mais que seja “um jogo”, o que o envolve é muito maior, como também eram as coisas invisíveis que circundavam os consolidados esportes futebol, vôlei e xadrez outrora?  Aqui mesmo nesse blog eu fiz uma pequena entrevista com a Psicopedagoga Andreia Oliveira, onde ela explicou sobre como utiliza o jogo Reversi em tabuleiro, como ferramenta de auxílio no tratamento com jovens com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e de como o tratamento surti efeito. Sem contar que também há pesquisas que apontam para uma melhora cognitiva em pessoas que jogam jogos de tabuleiro (nesse caso, serve online também), coisas como memória, planejamento, tomada de decisões e etc., afloram com a prática desses esportes.


Sabe, às vezes eu acho que quem “acha” esse tipo de coisa, na verdade não acha... Acredito que a inquietação de saber que existam pessoas que tratem esses jogos com um tino tão afinado e planejado, de saber que existam pessoas que levam a esperança de futuras colheitas e distribuição desses frutos para as futuras gerações, seja algo que os fazem se sentir fúteis, ou irrelevantes, coisa da qual os deixem de certa forma frustrados ao saber que aquilo que para eles são bolinhas bicolores numa tela verde virtual, tem uma utilidade muito maior do que podem ou querem aceitar.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

A Partida Alien



Olá pessoal, tudo bem com vocês?


Conhecem o site Recanto das Letras? Para quem não conhece, é um site onde escritores amadores e profissionais se revezam na publicação de textos, que vão desde artigos, passando por contos e indo até mesmo à entrevistas. O meu espaço favorito, como não poderia deixar de ser, são os contos de ficção científica, nessa sessão há outros tipos de contos, como os famigerados contos de amor, temos contos policiais, de fantasia, mistério, terror, e outros mais, depende da sua predisposição e gosto para isso.  É um site movimentado, quase todo dia tem texto novo por lá, já eu, em quase um ano de cadastro, tive apenas dois textos, ambos contos de ficção científica. Um deles é enorme! Nem sei se poderia ter classificado ele como conto, pois no geral contos são concisos e com finais imprevisíveis, o meu texto está mais para uma história de ficção, não exatamente para um conto. Já o meu segundo conto no Recanto das Letras, está sim para uma narrativa que se encaixa em tudo aquilo que se entende como conto e, é um pedaço desse texto que colocarei aqui como introdução, para quem tiver interesse em prosseguir com a curta leitura, possa clicar no link abaixo dessa minha explanação e curtir o conto que escrevi.

Ai você me diz: Mas Fabrício, o que isso tem a ver com Othello e Reversi?! Você gosta de estratégia, tática, empatia e de surpreender o adversário no jogo? Então esse conto é sim para você. :)

Boa Leitura, e Obrigado.



"A Partida Alien


Era por volta das 4h30 da manhã quando repentinamente uma enxurrada de sinais de rádio inundaram os receptores do Centro de Busca por Vida Extraterrestre, além da peculiar corrente neutrina que fizeram alguns detectores de partículas quase torrarem os circuitos. Todo o sistema de inteligência artificial quântica perscrutava detalhadamente cada feixe de combinações de sinais que advinham de, o que parecia ser, um globo com um raio de 15 metros, que estava a aproximadamente 293.517 km de distância do planeta e, se movia numa incrível velocidade em torno do nosso planeta. Ao que parece que nossa IAQ decifrou, o objeto se manteve invisível até que por conta própria, se descamuflou e enviou sinais propositalmente direcionados aos nossos receptores. Nossa civilização já conhecia os métodos e estratégias de comunicação de um séquito de espécies alienígenas através do Cosmos..."


Para Continuar Lendo, Clique no Link Abaixo:

http://www.recantodasletras.com.br/contosdeficcaocientifica/6143181

domingo, 22 de outubro de 2017

A Mais Plausível Origem do Jogo Othello



Othello History

Vamos lá, o Othello foi inventado por Goro Hasegawa no Japão, logo após o final da guerra em um mundo devastado pelos horrores que somente uma guerra pode causar, diz que o mesmo criou o jogo usando de início tampinhas de garrafas de leite como peças, numa placa de jogo qualquer. O jogo lembrava um pouco o famoso jogo de tabuleiro chinês: “GO”, por usar padrões pretos e brancos de cores de peças, diz-se que o jogo foi um sucesso entre seus colegas de classe. Após anos e anos, quando estava trabalhando em uma empresa, ele relembrou do jogo que havia criado, refez o mesmo protótipo com peças de tampinhas de garrafas de leite e apresentou a uma fábrica de brinquedos, no caso a Tsukuda Original e, a mesma vingou! E em 29 de abril de 1973 foi batizado esse novo jogo com o nome de “Othello©”, ideia essa de seu pai, o senhor Shiro Hasegawa, que era um especialista em literatura inglesa, e achou similaridade entre a dinâmica e cores do jogo com o que acontecia na trama escrita pelo autor William Shakespeare, intitulada: “Otelo, o Mouro de Veneza”, detalhes como as cores preto e branco do jogo (General Otelo que era negro, e Desdemona sua esposa branca) as intrigas e reviravoltas entre os personagens, junto ao fundo verde do tabuleiro que mais se parecia com os campos verdes ingleses onde a trama decorria, fizeram jus ao nome do jogo. Teve grande impacto no Japão e, em 1977 foi lançado nos Estados Unidos pela Gabriel Industries, sob licença da Anjar.co do norte-americano Jim Becker e, teve incríveis 1 milhão de cópias vendidas apenas nesse ano! Em 1977 também tivemos o primeiro Campeonato Mundial de Othello, que teve cinco nações diferentes nessa primeira edição que consagrou o jogador japonês Hiroshi Inoue, como o primeiro campeão mundial de Othello da história, ao derrotar o norueguês Thomas Heiberg na final. Tivemos alguns campeonatos nacionais no decorrer dos anos, mais exatamente durante a década de 1980, Japão, Suécia e Itália por exemplo, despontavam nesse quesito. E para completar, sabemos que as competições em inúmeros países estão ai até hoje, principalmente os famosos e esperados Campeonatos Mundiais de Othello que se realizam uma vez a cada ano. Tivemos a criação da Federação Mundial de Othello em 2005 e, de mais um monte de outras federações e associações nacionais ao redor do mundo. Pois bem, essa parte da história talvez você já saiba, mas e a outra? Essa história começa em 1876 em Londres na Inglaterra, que foi o ano em quem John W. Mollett, através de uma empresa de brinquedos comercializou o jogo “Annexation”, jogo esse com a mesma dinâmica do nosso “Othello” porém, com um tabuleiro em formato de cruz. Anos depois Lewis Waterman, mais exatamente em 1883, também na mesma Londres, através da empresa Jacques & Son, comercializou um jogo muito similar ao de Mollett, com o nome “Reversi”, porém com um diferencial; esse tinha um tabuleiro igual aos de xadrez, 8x8 com 64 casas. A confusão estava armada! Começava ai uma guerra armamentista entre ambas as empresas e inventores, que motivou Mollett a recriar o seu jogo, agora com o mesmo tabuleiro 8x8 de Waterman mas o intitulando de “Annex – A game of reverses”, isso gerou processo de Waterman que acusou Mollett de plágio, depois de perder de início, Mollett ganhou na apelação, por dizer que o nome “reverses” diz respeito à natureza do jogo, e em nada ao nome do jogo de seu concorrente “Reversi”. A coisa toda foi longe e nunca entraram num consenso, teve até criação de livros com pseudônimos e, semi-plágio de títulos entre os livros, acreditem ou não. Pois bem, vamos pular toda essa confusão e vir até a era moderna de Hasegawa, e tentar responder o que de fato muda do jogo dos londrinos em relação a invenção de Hasegawa. No jogo de Waterman e Mollett, mesmo que eu reconheça que o jogo de Waterman acabou ficando mais famoso do que o jogo do seu compatriota, ao menos no quesito da ideia original por ter usado o tabuleiro 8x8 e não o em formato de cruz. Temos algumas diferenças conceituais com o Othello de Hasegawa e, já deixo aqui registrado que as evidências apontam que foi justamente Waterman quem possivelmente copiou primeiro a ideia de Mollett, e não o contrário. As diferenças entre o Reversi de Waterman e Mollett com o Othello de Hasegawa são:

1 - As peças no Reversi londrino são colocadas avulsas do início ao fim do jogo, não há peças centrais em diagonais pré-definidas como há no Othello de Hasegawa, o que de fato, como bem observado por entusiastas do jogo Othello, poderia criar diagramas paralelos de cores, o que estrategicamente defasaria o leque de possibilidades táticas e estratégicas em relação ao jogo Othello.

2 – Ao passar a vez no Reversi londrino, o jogo simplesmente acabava, coisa da qual não acontece no jogo de Hasegawa. De fato isso é um limitador, pois uma das estratégias mais lindas que há no Othello, se chama “Paridade” que tem maior clareza e predominância em um jogo onde haja continuação após o passe, coisa da qual no Reversi londrino é limitada, mesmo que o conceito de paridade em si, ainda possa existir.

 3 - A terceira característica que diferencia o jogo Othello do Reversi londrino é mais estética do que processual, que seriam as cores entre os tabuleiros, no Othello como dito acima, as peças são pretas e brancas em um tabuleiro verde, já o Reversi de Waterman, as peças são pretas e vermelhas em um tabuleiro bege, essa diferença pode ser menos impactual, desde que você sempre saiba que: “Não há jogo Othello oficial com outras cores, que não sejam as cores já descritas acima, a não ser em lançamentos pontuais com a cor de tabuleiro azul, por exemplo”, com isso, não haverá problema. Em compensação, a lista de “Reversis”, que de nada tem a ver com o Reversi londrino (Já chego lá) extrapola o leque de cores possíveis para peças e tabuleiros.


Bom, tirando essas diferenças, o Reversi londrino de Waterman, é quase exatamente o mesmo jogo do Othello de Hasegawa, o que fez quase 100% da comunidade de jogadores de Othello ao redor do mundo pensar sim, na possibilidade de Hasegawa ter tomado como base para a criação do seu jogo, o Reversi londrino, uma vez que o próprio pai de Hasegawa, o Sr. Shiro Hasegawa, era um especialista em literatura inglesa, ao que parece, pode ter tido conhecimento de jogos de tabuleiros tradicionais da terra da Rainha, por que não? Ou até mesmo, quem sabe, alguma das inúmeras versões de “Reversis” espalhadas pelo mundo. Poderia Hasegawa ter criado esse jogo sozinho e de forma espontânea sem nunca antes ter tido algum conhecimento do Reversi londrino? Sim, claro. É um jogo relativamente simples, com regras e estruturas simples. Mas o nível de semelhanças entre os jogos e todas as “pistas inglesas” em sua composição, nos induz a conjecturas diferentes ao que é dito oficialmente. Nunca saberemos com toda a certeza se essa história é real, uma vez que nada disso foi declarado oficialmente por Hasegawa ou órgãos como a Associação Japonesa de Othello, a empresa Tsukuda Original, tão pouco a poderosa Mega House, que é quem detém hoje em dia todos os direitos autorais de distribuição do jogo através do mundo. O fato é, que não há provas conclusivas de ambos os lados para afirmações contundentes, mas há uma tendência em alguns grupos ou sites oficiais, em apoiar unicamente a ideia de criação japonesa do jogo, ignorando totalmente a ideia de origem londrina. Ao que sabemos, essa história que trata da origem londrina, é sim a mais plausível de todas já contada sobre a real origem do jogo Othello. Hoje em dia inúmeros programadores criam seus apps e programas de “Reversi” para computadores ou celulares com as mesmas regras do jogo Othello (que sim foram criadas por Hasegawa) e, batizam esses apps e programas com o nome genérico “Reversi”, que inclusive  de nada tem a ver com o Reversi londrino em suas regras.  A meu ver, caso acreditasse firmemente que o atual jogo Othello não tivesse de fato nada a ver com o Reversi londrino, eu chamaria isso de injustiça ou plágio, mas como tudo indica o contrário disso, acho até bastante compreensiva essa apropriação da marca, acredito que a excelente tomada  de mercado que Hasegawa e seu pai tiveram para relançarem o jogo Reversi com uma nova roupagem, acaba por ser a mesma desses inúmeros programadores que hoje se apropriam dessas mesmas novas regras do Othello, para implementarem em seus softwares.  Ao que tudo indica, a ideia do Reversi londrino ser o ancestral do Othello, está no inconsciente coletivo de milhares de pessoas, que sobre nenhuma forma conseguem desassociar um jogo do outro. Pessoalmente eu tenho um certo respeito pelo Sr. Goro Hasegawa, pois sem ele é bem provável que o antigo jogo Reversi não teria tido êxito tantos anos depois de desaparecer. De certa forma, essa nova remodelagem que teve nas mãos de Hasegawa e, sem todo o trabalho e esforço do Sr. Hasegawa junto ao Sr. Jim Becker da Anjar.co, eu não teria conhecido esse jogo e tido um hobby tão maravilhoso quanto esse que é poder jogar Othello/Reversi e, fico feliz por isso, a isso não deixarei de ser grato. Como também não posso deixar de ser grato aos dois grandes londrinos, Mollett e Waterman, por nos deixarem essa herança tão linda, que serviria de base ao nosso atual Othello.

Finalizando, digo que o nosso queridíssimo Othello teve um ancestral inglês, com uma história confusa, mas no final bonita, de criação e continuação de uma tradição que por muitos anos, entreterá muitas pessoas ao redor do mundo.

Obrigado


Fontes:

Pressrelese - World Othello Championship 2017 (Download do Comunicado de Imprensa)

https://woc2017.worldothello.org/live-media/pressrelease

El Reversista - Historia del Reversi

https://sites.google.com/site/elreversista/historia

Fédération Français  d'Othello - Une Historie de 135 Ans (Comparação Entre os Tabuleiros)

http://www.ffothello.org/othello/histoire/

Anjar co. - Othello® - A Minute to Learn, A Lifitime to Master®

http://www.anjar.com/othello.htm 

domingo, 24 de setembro de 2017

Fan Mian, A Equivocada História do Reversi Chinês




Olá a todos, tudo bem com vocês reversianos?

Vamos falar de um assunto que provavelmente dará pano pra manga? Afinal, que história é essa de Reversi chinês e, qual a origem dessa lenda sem pé nem cabeça que alguns sites propagam por ai? Se segurem nas cadeiras e vamos lá!

Pois bem meus amigos e amigas, já venho notado há um tempo, incansáveis sites propagando em suas repartições publicitárias ou explanativas, textos que fazem uma alusão a uma possível origem chinesa ao jogo Reversi, que peremptoriamente propagam as mesmas explicações infundadas de que: “Reversi é um jogo cuja história ninguém sabe ao certo, e que alguns acreditam que foi criado em Londres por John  W. Mollett ou por Lewis Waterman no século 19, e outros creem que foi criado na China com o nome "Fan Mian”, tais sites disseminam as duas hipóteses com pé de igualdade como se de fatos fossem antagônicas e igualmente aceitas pela comunidade Internacional de jogadores e estudiosos da história do jogo, o que me fez elaborar a seguinte questão: Será mesmo que o estranho jogo Fan Mian foi realmente o predecessor do jogo Reversi na antiga Londres, ou terá sido isso uma invenção que através de boatos se propagou como um contágio e se alastrou por inúmeros sites ao redor do mundo?

Venha comigo e, vamos ver o que descobrimos sobre essa história, (ou seria “estória”?) em torno do lendário Reversi Chinês...

Fan Mian

Estava eu a navegar pela web tentando conhecer o vovô chinês do Reversi, diziam Fan Mian ser o nome desse belo e notório ancião de importantes dinastias chinesas e, ansioso eu estava para poder vê-lo, tamanha foi a minha surpresa ao descobrir que o velho chinês não era lá muito fã de fotografias, ao ponto de nenhum artefato fotográfico ou pincelada artística terem engarrafado um vívido e límpido retrato deste senhor reversiano... Fiquei encabulado, eu confesso, mas não sou de desistir assim tão fácil e, prossegui afinco na busca, quase arqueológica, dentre todos os fragmentos empoeirados das vastas dinastias no encalço do famigerado “Fan Mian” o tal jogo que alguém, de talvez suma importância, atribuiu valor inegável, na base do que viria a ser, o Reversi londrino. Céus e céus, não encontrei nada além de ctrl+c e ctrl+v... Apenas cópia e cola, tanto em inglês quanto em português, de uma tal ascendência reversiana provinda de um tal jogo chinês chamado “Fan Mian”... Mas, o dito cujo, não vi e não consegui traçar nenhuma linha direta entre quaisquer jogo chinês com o Reversi, a não ser aquela pífia explicação da associação japonesa de Othello onde correlacionam a base do Othello de Goro Hasegawa ao GO, coisa da qual todos já estão carecas de saber, se tratar possivelmente de um desvio documental.  Em minhas pesquisas, e com a ajuda de um amigo que logo, logo citarei aí abaixo, notei que a ideia de um jogo chinês, com características similares ao jogo londrino e, consequentemente ao nosso Othello, germinou de um livro lançado em 1954, por E.O. Harbin (pseudônimo?) chamado: “Games of Many Nations” onde, dentre provavelmente muitas menções, ele citou um jogo chinês que devia lembrar o Reversi londrino em seu aspecto estrutural e estratégico, e só. Infelizmente esse livro é de difícil acesso para nós brasileiros, eu pessoalmente gostaria muito de saber de onde Harbin tirou estes enunciados, gostaria de saber e estudar suas premissas, mas o que tenho e o que me chega em pesquisas tanto em inglês, português e chinês são fragmentos de tudo que conseguiram enxugar de sua obra lúdica e, que frustantemente não explana absolutamente nada sobre suas conclusões deveras excêntricas sobre a origem do jogo Reversi, prerrogativas quase que “religiosas” por parte de propagadores irracionais da ideia do Reversi chinês.

Acredito que Harbin por si só não teve um papel tão decisivo na disseminação da ideia, e sim alguns de seus leitores que detinham algum conhecimento sobre o jogo londrino ou da recém invenção patenteada de Hasegawa, o Othello; e que em um frenesi de deslumbramento contagiante, propagaram que o jogo Reversi se equivalia aos jogos mais tradicionais já conhecido, como GO, Xadrez ou Mancala, e que o colocando como um sobrevivente milenar chinês, ganharia suma importância frente aos concorrentes do mundo contemporâneo, seria muitíssimo legal, se não fosse uma possível mentira. Não há correlação alguma de jogo chinês com Reversi inglês e, cansado de procurar e não achar absolutamente nada, pedi a ajuda de um amigo que também tem um certo tato para pesquisas, Alfredo Jara, editor do blog “Othello No Brasil” e tradutor do livro: “A minute to learn... A lifetime to master” de Brian Rose, e fiquei surpreso quando o mesmo descobriu por exemplo que o nome “Fan Mian” é o nome de uma cidade ao sul da China, seria possível que Harbin (se é que ele foi para lá ‘algum dia e ainda por cima’ durante as décadas de 1940 e 1950 em plena Revolução Chinesa, conjecturou) viu um jogo similar ao Reversi nessa região e a priori concluiu que devesse ser “vô” do mesmo? O mais estranho foi a descoberta de que “Fan Mian” em tradução livre para o português significa: “Do outro lado” ou algo similar a isso, que remete a ideia de “dois lados”, binarismo, antagonismo ou algo de sentidos contrário, ideia que lembra a dinâmica do jogo Reversi realmente. Estranhamente eu já havia descoberto, ao pesquisar sobre quem de fato foi E.O. Harbin, que “Harbin” na verdade, é também o nome de uma cidade ao norte da China, onde é comemorado um festival na cidade de gelo, que é como a cidade fica de dezembro a fevereiro durante esse festival, (nem mencionei o fato de uma cidade ficar ao norte e outra ao sul, “binarismo”?). Sobre o tal Harbin, o amigo Alfredo Jara descobriu e me enviou um link, onde detalhava algumas informações sobre o mesmo, e dentre essas informações, pude ver que ele escreveu outros livros, tais como: “Nova Enciclopédia da Diversão (1985), Diversão e jogos antiquados (1978) FUNOLOGIA: 1.000 Jogos e planos de entretenimento (1951) dentre outros” e descobri que ele fazia parte do conselho de educação da Igreja Metodista, e nada mais além de uns ensaios de filosofia é possível obter desse anônimo e estranho escritor. A verdade é: Enquanto há uma miríade de evidências, pormenorizadas traçando possíveis elos entre o Reversi londrino e o Othello atual, com documentos, livros e jornais, já com seja lá o que Harbin aborda em seu livro, não há uma só prova esticada para páginas de Internet que pudessem ser analisadas por especialistas em jogos de tabuleiros, não há nem sequer uma imagem digna do que seria esse tal jogo chinês chamado “Fan Mian”, não há outros autores falando do jogo e, por fim, não há nenhum órgão oficial do jogo Othello que mencione “Fan Mian” como sendo precursor do Othello atual. Não estou aqui dizendo que tudo que órgãos oficiais dizem deva ser crível tão somente pela égide da “autoridade”, pois há muitos veículos por ai, oficiais, que falam absurdos tamanhos em quase todos os assuntos da sociedade humana, mas quando todos os órgãos oficiais, com bases concretas, dizem a mesma coisa, é um bom sinal de que aquele possivelmente seja o caminho correto, apenas nos cabendo averiguar se de fato é.

Rota da Seda

Sabemos de toda a importância dessa antiga rota no comércio e formação de grandes civilizações no passado, tal como a egípcia, mesopotâmia, indiana e obviamente a própria chinesa, que se fazia valer guardando o segredo a sete chaves da receita de fabricação da seda, produto esse que nomeou a rota. Como também foi de suma importância no transporte e distribuição de animais domésticos, porcelanas, artefatos culturais, invenções das mais variadas , alimentos exóticos e etc. E até mesmo de traços culturais, linguísticos e religiosos  que migraram de povos para povos durante anos de existência da rota. Essa rota não só importou seda, como também não somente se limitou à terra firme, as suas rotas marítimas com o domínio das técnicas de navegação, tiveram real importância ao longo do tempo na influência cultural de todas as regiões e culturas daquela época.

Então, teria algum jogo com dinâmica reversiana atravessado essa rota da China à Antioquia, posteriormente Pérsia e depois Europa? Ou costa marítima indiana, árabe, Mar Mediterrâneo e Europa? Quem sabe? Porém não irei discorrer sobre esse assunto por ser bastante complicado e exigir maior especialidade na área, o que posso dizer é que não achei nada que me levasse a crer na teoria de Harbin. Outro fato é de que, se o único critério que Harbin usou para concluir que um jogo era parente de outro foi somente sua similaridade, isso acaba numa loucura interpretativa da qual cada um, a seu bel-prazer, poderia rotular como primos, qualquer jogo com regras e estilos parecidos, mesmo que distantes geograficamente e no tempo, como por exemplo o jogo “Latrúnculo” que em um lance rápido de olhar, qualquer ser humano que conheça o jogo Reversi, diria se tratar do mesmo jogo... E não poderia ser diferente, tabuleiro 8X8 e peças pretas com brancas ou vermelhas, o problema é que esse é um jogo com regras diferentes e tão antigo que era jogado no Império Romano e até mesmo antes disso, na Grécia antiga. O tabuleiro que Mollett criou e, que posteriormente Waterman sofisticou, era em formato de cruz, pois bem, que tal dizer que Mollett se baseou num jogo chamado “Patolli”? Nada mal, já que este também era um jogo em formato de cruz, o problema estaria no fato de que este era um jogo com regras e dinâmicas muito diferentes do Reversi de Mollett e, que fatidicamente era jogado por povos da Mesoamérica, de nobres Astecas à Maias, este era um jogo muito popular naquela época, desde 200 AC à 1521 DC. Ainda na região asiática, teríamos o “Ming Mang”, originário do Tibete, que detém um tabuleiro parecido com o jogado em Reversi, (também na antiguidade foi jogado em tabuleiros de GO 17x17 e/ou 19x19, dependendo da época) e modos de capturas de peças que ligeiramente lembram um pouco o jogo Reversi, tanto quanto o próprio GO o lembra, jogos de regras parecidas, mas sem vínculo direto. Como veem, não da para somente correlacionar jogos pela suas similaridades anatômicas e até mesmo estratégicas. Acredito que determinar criações (e também seres vivos) como próximas tão somente pelo critério anatômico, é tão errôneo que levar-nos-ia a conclusões risíveis, como dizer por exemplo que a Pirâmide de Tenochtitlán da civilização asteca, que foi construída em 1375, teve como base e influência as pirâmides egípcias de 4.000 mil anos atrás, como a pirâmide de Gizé por exemplo - a não ser que você acredite no que o cômico livro “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich von Däniken diz a respeito disso, com alienígenas ditando as regras e toda a fantasiosa ideia. A lógica (construir amplo embaixo e mais cônico acima, para sustentar o peso) e a laboriosidade tanto quanto a engenhosidade humana explicam melhor essa questão do que suposições fantasiosas, ainda citando outro exemplo agora dentro da zoologia, seria o mesmo que dizer que morcegos são pássaros somente porque têm asas e quase sempre têm o mesmo tamanho, não é assim que taxonomia de animais funciona, correto? A não ser que você esteja amplamente desatualizado nessa questão. Voltando ao assunto principal, temos jogos nascidos do Reversi vivos hoje em dia, poderia falar alguns, mas vou me abster somente em dois, o primeiro é o “Biversi” de Bill Taylor, jogo esse jogado em um tabuleiro de 9X9, onde dois grupos de peças pretas e brancas (um na esquerda superior e outro na direita inferior) dispõem-se nas intersecções dos cruzamentos das linhas em verticais e horizontais (assim como no GO), jogo de regras similares ao Reversi e de conexão direta com o jogo Reversi. Já o outro jogo é o “Revertello” de Fred Horn (jogo de 2004) é jogado em um tabuleiro hexagonal, com três peças brancas e pretas dispostas já no início da partida, no centro do tabuleiro. Os dois jogos citados, quanto outros dos quais não mencionei, tem parentesco direto com o jogo Reversi, o fator histórico e documental sempre vem em primeiro lugar em qualquer julgamento dessa natureza, mas sendo o mais preciso possível, qual é exatamente o elo decisivo que une o Reversi londrino ao Othello atual? Quer minha opinião sincera sobre essa correlação? Então lá vai, a base de criação do Othello atual, teve estímulo no Reversi londrino, porém eu estaria mentido se dissesse que isso é uma verdade inquebrável, pois devido ao grande hiato secular entre as duas criações, fica difícil traçar um paralelo irrefutável e intrínseco entre os dois jogos, sem contar a resistência cultural japonesa em dar alusão a tudo que venha de fora do Japão, falo isso pois até mesmo a Associação Japonesa de Othello nem sequer menciona em seu site oficial a história bem documentada do Reversi londrino, eles preferem encaixar a iluminação da criação do Othello, ao jogo GO. E então você me pergunta: Mas o GO é um jogo chinês, correto? Sim, mas foi levado ao Japão muito séculos antes e meio que se incorporou à cultura local e ficou indissociável dos campos japoneses, tanto quanto o jogo Dominó (que também é de origem chinesa) se incorporou à cultura brasileira dos tiozinhos no bar jogando e bebendo, isso era mais popular antigamente aqui no Brasil, confesso, mas ainda é tangível como sendo algo peculiar à nossa cultura, e até mesmo a cultura latino americana em geral. Talvez por isso, foi mais fácil à associação japonesa de Othello intricar “Othello + GO” era como estar falando de jogos inventados no mesmo país, o Japão, e olha que ainda faltavam muitos anos para que Yumi Hotta criasse um dos mais premiados Animes da história, o “Hikaru no GO” que foi uma sensação no Japão, elevando a popularidade do GO a um patamar quase sem precedentes na história! Voltando ao assunto do hiper tradicionalismo japonês, ouvi um especialista em história japonesa dizer que um dos fatores do islamismo que varre a Europa, chamando e conseguindo cada vez mais adeptos em todos os países europeus, não fazia nem sequer um mero arranhão dentre os japoneses, devido ao fato de a cultura japonesa ser extremamente tradicionalista e resistente meio que naturalmente a tudo que é de fora do Japão, sejam religiões, estilos, opiniões e modos de vida, para o japonês médio, só existe japonês e não japonês, existe até mesmo uma palavra para isso “Gaijin” que não significa apenas estrangeiro, mas também “Não-Japonês”, no clássico livro de ficção científica do escritor William Gibson, essa palavra e descrita como sendo de teor pejorativo.  Vi certa vez em um vídeo de uma coreana que fala português (“Coreaníssima” é o nome do seu canal) onde a mesma explicava que o Japão jamais assumiu oficialmente os crimes de guerra que cometeram durante as invasões aos territórios coreanos como tortura e estupros. Acredito que esse seja um traço cultural japonês, obviamente sem generalizar, mas os japoneses em geral têm uma certa dificuldade em assumir qualquer coisa que coloque o Japão em segundo plano, até mesmo filhos de coreanos nascidos no Japão, que falam e se comportam como japonês, são tidos como “não-japonês” pelos japoneses, a coisa fica mais flexível em questões mais light como cultura pop, motivo do qual febres musicais orientais atuais, como são as chamadas “k-pop” (de origem coreana), fazem um estrondoso sucesso dentre os jovens japoneses, talvez por se semelharem às “J-pop” que são de origem japonesa, o fato é, volto a dizer, que em geral a cultura japonesa como um todo é tradicionalista e resistente e, isso é quase imutável, talvez por isso a associação japonesa de Othello nunca tenha assumido influência londrina na criação de seu jogo, e tão pouco assumiria em relação ao fantasioso “Fan Mian”, se essa resistência não existisse, saberíamos de fato, de onde Hasegawa retirou a ideia para sua criação, mas, mesmo sem essa confirmação em 100%, (e sim 97%, os 3% restantes seriam caso Hasegawa tivesse tido a mesma ideia dos londrinos já que é um jogo de dinâmica e regras simples) não significa que investigações da história do jogo, não tenham apontado como “quase” certo de que o Reversi londrino foi o precursor do Othello atual O JOGO É EXATAMENTE O MESMO, apenas mudando detalhes de regras, como a que diz que (ao contrário do Othello), as quatro peças iniciais não eram fixadas de início e sim colocadas avulso pelos jogadores e, regras sobre o “passe”, do qual determinava o final da partida até mesmo o nome do jogo é de uma peça teatral do inglês William Shaskepeare “Othello, o Mouro de Veneza” e o próprio pai de Goro Hasegawa era um estudioso da cultura inglesa e; de forma alguma podemos imputar teorias menos críveis no lugar de “teorias” mais bem documentadas, que é o caso acima. Não há motivos para colocarmos uma história 10% crível sobreposta a uma de 97% de indicativos. No decorrer da história humana, sempre houve mitos e todo tipo de histórias incríveis, algumas caem no vale da fantasia, outras no possível e, outras viram até mesmo religiões e seitas, o conhecimento e estudos dessas histórias, bem como a análise minuciosa, discriminam cada uma a seu devido lugar no cronograma como foi no caso do santo sudário, que descobriram ser falso depois dos testes de carbono-14. De forma mítica, tentaram imputar uma identidade messiânica à Tiradentes, o pincelando como um homem de cabelos e barbas longas, como na imagem mais tradicional de Jesus Cristo, na tentativa de endeusar um símbolo tão corajoso e nacional quanto aquele (tínhamos que criar uma imagem brasileira frente à portuguesa, uma identidade própria) coisa da qual é amplamente contestada, uma vez que a opinião de especialistas diz exatamente o contrário, que ele morreu careca e sem barbas, devido a procedimentos pré-executório. Ou seja, sempre “forçam a barra” um pouquinho para vender o peixe... E nos jogos orientais, há lendas? Sim, primeiramente tenho que contar sobre o Manual de GO chamado: “Sun Ce e Lu Fan jogando GO”, manual esse descrito como o mais antigo manual desse jogo de todos os tempos, praticamente esse manual mostra esses dois lendários personagens jogando GO. Sun, era o irmão mais velho de Sun Quan, um antigo rei do reino de Wu, e Lu era seu conselheiro chefe, resumidamente Lu ajudou Sun a reverter a falta de dinheiro, tropas e grãos do qual padecia, na história diz que o mesmo seguindo o conselho de Lu, entregou seu selo imperial para Yuan Shu em troca de 3000 tropas, conseguindo resolver o embaraço e obtendo êxito militar, e diz a lenda que Sun e Lu jogaram GO para afiar táticas militares de dominação, assim planejando maiores empreitadas. Bom, por mais que todos esses personagens tenham sido verdadeiros e importantes na história chinesa, (assim como Tiradentes também foi ao Brasil), essa parte da história envolvendo o jogo GO, não. Arqueólogos descobriram em escavações um tabuleiro de GO que mostrava um tabuleiro diferente do mostrado no manual, pois naquela época, provavelmente durante a Dinastia Han, o GO era jogado ainda em 17x17 casas, enquanto que a descrição do manual mostravam 19x19 casas, invenção posterior à essa dinastia, provavelmente inventaram para dar um quê de importância magistral ao manual, mesmo que de qualquer forma esse manual ainda continua a ser o mais antigo do jogo em todo o mundo. Outra história interessante envolvendo o jogo Go, é a lenda de Lanke, que conta a história de um garoto chamado Wang Zhi, pertencente a Dinastia Jin, que estava cortando madeira numa montanha, e notou que haviam dois imortais jogando GO e, então parou para assisti-los jogar, de certo ficou tão interessado naquele jogo que se esqueceu do tempo, assim que a partida acabou e os imortais se foram, ele se virou para pegar o seu machado para que pudesse prosseguir contando madeira e, ficou intrigado ao ver que o machado estava totalmente enferrujado e sem cabo, assustado voltou para casa e não encontrou nenhum parente seu e, para seu terror, descobrira que o máximo que as pessoas na região sabiam, era que havia uma história que falava de um garoto que um dia saiu para cortar madeira na montanha  e nunca mais voltou. Foi ai que ele percebera que ao assistir os imortais jogando GO, ele próprio tinha ficado preso num tempo próprio, como os imortais. Todas essas histórias nos servem como base e alicerce para construir um raciocínio, e chegar a uma verdade inegável, a de que o ser humano tem uma certa tendência ao deslumbramento mágico, faz parte da nossa mente o poder da criação, dos lampejos de criatividade que circundam toda a nossa psique, que se bem aplicada resultam em todos os tipos de artes humanas, pinturas, arquiteturas, música, cinema, dança, literatura, poesia e, etc. Porém, má usada e, quando há uma possibilidade de enfeitar uma ideia para que ela pareça ser mais atraente e durável frente as outras, a criatividade a dispor da mentira, vira a receita do mal, mas desde que sirva a um propósito maior, a mentira em si vira um mero e insignificante detalhe. Talvez a palavra “mentira” em si ganhou um peso diferente em nossa época, o “Zeitgeist” é sutil e mutável , e nos faz perceber de nuances diferentes e com um observar crítico coisas das quais achamos no mínimo antiéticas, mas que na época era apenas o mudus operandi daquela população, ainda hoje em dia existem por exemplo, sites de criação de notícias falsas, coisa da qual gera muita receita de lucro através de cliques e cliques para os administradores dessas plataformas,o ser humano se sente mais atraído por notícias e coisas das quais os tirem do cotidiano, os arranque da monotonia, mesmo que isso seja falso. Querem algo que lhe deem uma mescla de sensações prodigiosa, esperta e antenada frente aos pobres “desinformados” que ainda acreditam, por exemplo, que vivem num planeta oval.  Inúmeras teorias da conspiração inundam imaginário coletivo, vai desde “Elvis não morreu” até terraplanistas, sem contar os poderosos Iluminatis que dizem ser donos dos Estados Unidos e até do bar do seu Zezinho na esquina.

E então, voltando ao tema principal dessa postagem, conhecendo a tendência humana para invenções de patuscadas, será mesmo que na China antiga, sem provas concretas e verificáveis, se baseando apenas no que um autor que não quis se identificar escreveu em um livro de mais de meio século atrás, é possível dizer que sua proposta do Reversi chinês ser o predecessor do Reversi londrino e, consequentemente do nosso Othello atual é verdadeira?

Acredito firmemente que se você, leitor desse blog, for uma pessoa com um nível de ceticismo balanceado, saberá da resposta na ponta da língua, que será a mesma que a minha, um sucinto não. Mas, caso você leitor desse blog, por algum motivo conjecturou possibilidades das quais eu não me atentei e, acredita sim numa origem chinesa para esse jogo, sinta-se à vontade para comentar logo abaixo  nos comentários e, (sem ironia alguma) informar as fontes para que eu possa colocar um adendo com tais fontes, além dos agradecimentos.

Mas, por hora a minha opinião é a de que Fan Mian, o famigerado tal Reversi chinês, é uma mentira, uma criação equivocada de um escritor anônimo durante a década de 1950 e, decair nesse conto, é forçar a barra e jogar toda a incrível e bem documentada história que fez do nosso jogo, tudo aquilo que ele é hoje.

Meu muito obrigado, e até mais.


Algumas fontes e complementos de leitura:


Di.fc.ul. (um dos sites que criticam a história chinesa do Reversi)

Setup Group, INC. (um dos propagadores da história do Reversi Chinês)

http://www.setupgroup.com/xo/othello.php 


China Link Trading (os jogos mais populares da China)

http://www.chinalinktrading.com/blog/os-jogos-mais-populares-na-china/


List Verse (os 10  jogos mais populares na China)

http://listverse.com/2013/01/20/10-most-important-board-games-in-history/

Yahoo (um pouco sobre Harbin, o autor)

https://answers.yahoo.com/question/index?qid=20071220154331AASKxNC


Youtube, Documentário Sobre Jogos da Antiguidade – GO e Xadrez Chinês

https://www.youtube.com/watch?v=YMVaUN0YAXc

Wikipédia - Reversi (História Oficial)


Wikipédia – Latrúnculo

https://pt.wikipedia.org/wiki/Latr%C3%BAnculo

Ludopedia - Patolli

https://www.ludopedia.com.br/jogo/patolli 

Amazon (livro do Harbin: Game of Many Nations)


https://www.amazon.com/Games-Many-Nations-Harbin/dp/B0000CJ13V 


Agradecimentos


Alfredo Jara

Link para o seu blog: http://othellobrasil.weebly.com/

domingo, 27 de agosto de 2017

O Jogo Reversi no Tratamento à TDAH



“ (...) Uma mulher escreve algo na lousa, aquele giz escorregando em silhuetas circulares formam palavras... “Escrevam as tabuadas do sete e do oito, para entregar no final da aula”. Que chato penso, mas deixa eu ver aqui... Abro o caderno, folheio até a matéria de matemática, procuro a primeira folha em branco e começo a multipli... Lá fora o dia está tão legal, talvez eu pegue minha bicicleta para dar umas voltinhas lá na rua à frente da rua de casa, será que a mãe do Bruno deixará ele sair para brincar na rua hoje? Caramba, os pés das cadeiras estão enferrujando, e a professora não para de batucar aquela caneta na mesa... Acho que domingo vou ao Shopping, e... tá, sete vezes um é sete mesmo, barulheira esquisita lá fora, acho que a turma da quinta B está de aula vaga, será que a Ismênia não veio hoje? Acho  que não temos aula dela hoje, ou é amanhã? Humm,  sete vezes dois é quatorze, vezes três vinte e um... Caramba! Olha o tamanho do pipa mandado, acho que vai cair lá no pátio... ”

Essa história ilustrativa acima, foi apenas um simples esboço que teve o intuito de mostrar bem toscamente o que pode se passar pela cabeça de uma criança com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) doença essa que teve um aumento de diagnóstico nos últimos anos e, que afeta um a cada vinte jovens em todo o mundo, principalmente crianças e adolescentes e que será tema hoje desse blog devido a trabalhos feitos por psicopedagogos, onde os mesmos utilizam jogos como ferramenta lúdica na elaboração de estratégias para aprimoramento e desenvolvimento cerebral de crianças que sofram com o transtorno, uma vez que jogos de uma forma geral, ajudam qualquer tipo de pessoa, (desde que não tenham algum comprometimento cerebral mais severo, devido a outro tipo de doença) no desenvolvimento da intuição, criatividade, memória, atenção e por que não, de estruturas que levam a uma elevação da cognição, da inteligência como um todo. E, adivinhem só, o nosso queridíssimo jogo, o Reversi, é utilizado nesse processo e, portanto não poderíamos deixar esse tema de fora desse blog, já que o maior foco aqui é a divulgação e a elucubrações de ideias e, tendo em mãos uma ideia tão boa quanto essa, o mínimo que posso fazer é mostrar aqui para vocês que esse jogo pode, mais uma vez, não ser algo apenas para jogar na tela do seu computador, notebook ou Smartphone e, que pode estar salvando crianças e adolescentes (posteriores adultos com problemas) do isolamento social, acadêmico e de toda a gama de preconceito que esse assunto aborda.

Eu conheço de Reversi, mas não sou perito no que a ciência diz sobre esse transtorno mental, então nada melhor do que perguntar para quem sabe e trabalha com e sobre o assunto e, que inclusive é uma das psicopedagogas que utilizam o jogo Reversi no tratamento desses jovens, então, eu converso aqui com a Psicopedagoga Andreia M. Oliveira, que é professora e pedagoga, trabalha como coordenadora em escola infantil e, tem Pós-graduação em Psicopegadogia Clínica e Institucional, atualmente trabalha no consultório como clínica; ela também atua como docente na Universidade Central Paulista UNICEP em São Carlos há oito anos dentro do mesmo âmbito profissional. Ela nos falará o que tem sido feito nos últimos anos aqui no Brasil no diagnóstico e tratamento do transtorno e, como a sociedade como um todo vê e entende o assunto, bem como, quais são os processos estruturais e cognitivos que abarcam crianças e adolescentes que adotam um jogo de tabuleiro como estímulo e ferramenta de tratamento.

Obviamente que sei da seriedade e complexidade que todo esse assunto demanda e, de todos os debates acalorados entre acadêmicos na tentativa de padronizar, diagnosticar e entender o que é a até então pouco conhecida, TDAH. Contudo e, justamente por isso essa postagem terá apenas o intuito de mostrar um viés no entendimento do transtorno, e o que está sendo feito no tratamento aplicado sob a ótica de jogos de tabuleiros, estímulos que têm ajudado jovens a domesticarem o próprio problema, então, sem mais delongas, eu passo a palavra a Psicopedagoga-Andreia.

OC – Prof. Andreia, o que seria exatamente o Déficit de Atenção com Hiperatividade e como são feitos os diagnósticos e tratamentos da doença?

Psicopedagoga Andreia: Primeiramente Fabrício é um enorme prazer em atender um pedido seu, para falarmos um pouquinho sobre problemas de aprendizagem. O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade é uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade causando prejuízos a si mesmo e aos outros, em determinados ambientes nos quais a criança ou adolescente estão inseridos. O mais comum seria na escola.  Os diagnósticos são realizados geralmente em um sistema MULTIDISCILPLINAR onde entra vários tipos de profissionais para fecharem o diagnóstico certeiro. Por exemplo, o professor da sala de aula fazendo as primeiras queixas, posteriormente nossa conduta como psicopedagoga investigar e avaliar juntamente com o neuropediatra, o psicólogo ou Fono. Após serem realizados todos os testes e as avaliações necessárias, dai sim fazemos uma visita na escola para relatar os procedimentos de avaliação e da rotina da criança para que possa ser realizado um trabalho em conjunto. Os tratamentos são vários: No trato severo existem no mercado alguns tipos de psicoestimulantes no caso a anfetamina conhecida como metilfenidato que atuam diretamente sobre o neurotransmissor dopamina, por isto seus efeitos de maior energia, euforia, concentração, redução do sono, apetite e cansaço são inibidos e diminuídos severamente. Em outros tratamentos sem medicação podem ser realizadas intervenções com atividades lúdicas e praticas para que as crianças e adolescentes possam treinar e interagir alguns conceitos importantes como: Atenção, foco, concentração, memorização,raciocínio lógico e outros.

OC – Existem doenças que podem facilmente serem confundidas com o TDAH, mas que têm características diferentes?

Psicopedagoga Andreia: Sim, podem sim ter semelhanças ou ate mesmo estarem juntas ao diagnóstico da hiperatividade. As mais comuns são as comorbidades da Discalculia, Dislexia, o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), e outras causadas também pela falta de atenção, concentração, agitação, ansiedade e impulsividade etc.

OC – Quando e como começou a trabalhar com jogos com as crianças e adolescentes e quais foram os resultados?

Psicopedagoga Andreia: Fabrício, assim que me formei em Psicopedagogia já iniciei meu trabalho em clinica, portanto a partir do diagnóstico fechado como foi dito, dou inicio aos atendimentos com intervenções lúdicas com jogos e brincadeiras sempre relacionadas ao desenvolvimento cognitivo da criança/ adolescente. Sendo assim com o uso de jogos de regras, tabuleiros e raciocínio lógico matemático esses alunos passam a ter capacidades diferenciadas de estratégia e calculo mental, começam a ter maior nível de concentração e foco nas atividades propostas pela escola. Percebe-se também em geral em todas as crianças e adolescentes um aumento considerável da autoestima. Isso para o nosso trabalho não tem preço e também perceber a melhora em casa, assim vemos pelos relatos dos pais ou familiares.

OC – Levando em consideração que o TDAH é uma doença genética que modifica a anatomia cerebral, (pacientes têm um córtex pré-frontal diminuído, por exemplo) bem como suas reações bioquímicas, como e de que forma um jogo de tabuleiro poderia atuar num processo adaptativo inferindo uma melhoria observável no âmbito clínico?

Psicopedagoga Andreia: O jogo pode interferir sim na conduta cognitiva, psicossocial, moral e muitas vezes psicológica da criança/adolescente com o transtorno. No caso ajuda na atenção, na capacidade que o indivíduo possui de auto estimular-se, planejar-se, traçando objetivos e metas; auxilia no controle dos impulsos, no controle das emoções, na memória que depende também da atenção.

OC - Sabemos que o mundo mudou e está sempre em mudança, o que antes era apenas uma característica humana que não fornecia tantos empecilhos, como a agitação e a falta de atenção, hoje em dia em um mundo mais “assentado” com criações sociais como as escolas, onde as crianças realmente necessitam preencher uma grade curricular para ir adiante dentro desse sistema, esse detalhe cerebral começou a se desnudar e emergir junto a percepção de educadores, psicólogos e toda uma miríade de especialistas na área neurológica, o que levanta outras questões como adaptabilidade natural ao mundo moderno, já que existem áreas de atuação tanto na vida profissional quanto social, que a “atenção” não é exatamente a coisa mais exigida e, o desprendimento e o “desfocar” e pensar “fora da caixa” sejam o caminho mais inovador para determinados seres humanos. Em contrapartida a isso, crianças diagnosticadas com TDAH sofrem mais acidentes domésticos do que crianças sem o transtorno, o que nos empurra obviamente para uma métrica, como medir a dimensão do transtorno, somado ao ambiente social do individuo que porta essa característica mental?

Psicopedagoga Andreia: Fabrício nem sempre isso acontece, há sim um numero diferenciado de acidentes domésticos ou tipos de problemas causados pelo transtorno da Hiperatividade causado pela agitação e impulsividade das crianças e a falta de atenção, não somente na escola, mas no cotidiano em si. Ocorre que dependemos muito da questão do âmbito familiar ao qual essa criança/ adolescente esta inserido, temos famílias que ficam muito ligadas ao processo de adaptação das crianças, fazendo com que muitos dos problemas ou perigos sejam amenizados. Já em outros casos sentimos uma falta de segurança e lapso por conta de pais ou cuidadores que não ficam de “olho na criança”...assim podendo ser considerado um risco para o mesmo.

Pesquisas com tribos coletoras no Quênia, no caso a Ariaal, mostrou que indivíduos com maior frequência de genes ligados ao transtorno (lembrando que o indicie de pessoas com TDAH é o mesmo em todos os países do mundo, o que desbanca isso como sendo um fenômeno meramente social) tinham um melhor desempenho em caçar do que indivíduos sem os genes de ligação, uma vez que pela falta de dopamina no cérebro desses indivíduos (hormônio ligado ao bem-estar e que por falha estrutural sináptica é deficitária em pessoas com TDAH os deixando entediados facilmente) os deixavam pouco satisfeitos e, tinham um comportamento mais “agitado” que os faziam sempre caçar e caçar mais, para que pudessem se sentirem saciados, coisa da qual caçadores sem a doença e, portando com dose normal de dopamina no cérebro, se contentavam com uma ou duas caças por exemplo. Isso mostra que muito provavelmente essa é uma das condições humanas e, que por ser útil no passado, foi evolutivamente passada adiante, mas que no mundo moderno acabou por se tornar conflitante e um grande problema a ser tratado, já que deixamos de ser nômades e silvícolas desde muito tempo.

OC – Prof. Andreia, você acredita que em todos os casos a TDAH pode ser um problema se não tratado, mesmo em casos onde a doença se apresenta de forma leve ou não existe métrica no diagnóstico?

Psicopedagoga Andreia: Sim, o TDAH é um transtorno que causa sérios danos para o individuo se não for tratado bem cedo. Logo que os pais ou responsáveis pela criança ou ate mesmo se já estiver na idade da adolescência perceberem, ainda é possível fazer o diagnóstico preciso e rapidamente entrar com a intervenção para que o problema possa ser amenizado. Muitas vezes em pouco tempo de tratamento conseguimos atingir níveis de aprendizagem ou ate mesmo comportamental muito positivos. Portanto quanto mais rápido esses pais e responsáveis procurarem ajuda, mais cedo esses indivíduos terão cuidados especializados e necessários.

OC  - E sobre pessoas adultas que afirmam serem portadoras de TDAH, mas que recusam algum tipo de tratamento por dizerem que é justamente o transtorno que o fazem serem mais criativos e bem-sucedidos profissionalmente, uma vez que souberam escolher uma profissão onde a doença não fosse mais uma desvantagem, e sim uma vantagem profissional?

Psicopedagoga Andreia: Para falarmos sobre as pessoas adultas com o transtorno de Hiperatividade, onde por algum motivo não houve nenhuma intervenção quando criança, podemos sim identificá-las como, por exemplo: pessoas com um ou mais empregos, porem trocam sempre de ramo, pessoas que se sobressaem no emprego justamente por terem mais visão, maiores capacidades de destaque, ficam ate depois do horário, não se importam com a quantidade de coisas para fazer, claro que muitas são as dificuldades por ter a hiperatividade, ficam mais cansadas que as outras, passam por estresse, cansaço tanto físico ou emocional etc.

OC – Pessoas com TDAH, como dito acima, têm um córtex frontal diminuído, exercer alguma atividade lúdica muda algo anatômico no cérebro além de ampliação sináptica?

Psicopedagoga Andreia: Ate o momento as pesquisas mais recentes nos mostram que podemos atingir sim, com atividades neurosensoriais, psicomotoras e psicopedagógicas, com o lúdico os sinais e ativação do cérebro. Pois somente se desenvolve em função destas interações, com MUITA estimulação que recebe e das aprendizagens que delas decorrem. Podemos dizer, sem sobra de dúvida, que o cérebro se reconstrói literalmente ao longo da vida, e isso se chama neuroplasticidade.

OC – O único remédio para o transtorno é a Ritalina, correto? Em quais casos ela é recomendada? Em sua opinião como profissional da área, o que ajuda mais no tratamento, remédios ou atividade lúdica? Ou ambos administrados em parceria é o caminho correto para um tratamento mais eficaz?

Psicopedagoga Andreia: Olha Fabrício, no mercado nos já temos alguns medicamentos novos que também auxiliam no tratamento da Hiperatividade (TDAH) além da Ritalina, na minha opinião, fico com a mais provável alternativa que e o trabalho MULTIDISCIPLINAR onde o neuropediatra fica com essa questão de ministrar ou não a medicação necessária e os demais profissionais da educação a questão tanto psicológica, pedagógica, linguística, fonoaudiologica e comportamental. Fazendo um trabalho integrado e muito serio, com certeza teremos uma eficácia e melhora no bem estar dessa criança ou adolescente em tratamento.

OC – Como você descobriu o jogo Reversi e por que esse foi um dos jogos escolhidos por você para o tratamento da TDAH?

Psicopedagoga Andreia: Na verdade tive o privilegio de ter uma Dra Mestre e professora excelente no curso de pós graduação Dra Lia Zaia da UNICAMP – já tive consultoria em Campinas com ela também, onde nos mostrou o jogo e suas diversas formas de aprendizagem, as características positivas do jogo para trabalharmos na clinica na intervenção de crianças e jovens com Déficit de aprendizagem.

OC – Andreia, nos fale um pouco mais sobre o nosso queridíssimo jogo Reversi, o que a garotada acha do jogo e como têm-se mostrado os avanços no trato da doença com a frequência de partidas e aplicação desse jogo específico?

Psicopedagoga Andreia: Trabalho com o jogo Reversi na maioria das vezes para atenção e concentração, memorização e antecipação de jogadas. Para as crianças e emocionante vê-las felizes quando suas oportunidades de jogadas viram o jogo fazendo com que vençam. Trabalho também a forma lúdica para verificar todas as oportunidades de jogadas antes que possam finalizar, a atenção e concentração e estimulada a cada partida. O ganho se da em sala de aula quando e possível ver que as crianças ficam mais concentradas no que estão fazendo, tanto no caderno quanto nas atividades praticas, (isso são relatos de professoras de sala).

OC – Agora uma questão mais descontraída - Dizem que pessoas com TDAH são geralmente pessoas mais criativas que as não portadoras do transtorno, teremos ai o surgimento de um novo campeão/campeã  no Othello/Reversi? 

Psicopedagoga Andreia: Sim, claro qualquer criança que possa ser estimulada ao jogo, formulando as normas e constituindo as regras, treinando e atingindo nosso objetivo, teremos sim muitos campeões, nesse jogo tão importante e benéfico, rico em aprendizado que e o Jogo Reversi.

OC – Moisés Correia, que é Presidente da Federação Brasileira de Othello conversou com você sobre a possibilidade de doação de tabuleiros de Reversi, que a federação pretende fazer a sua clínica, isso com certeza poderá dar um update no incentivo ao tratamento, concorda?

Psicopedagoga Andreia: Sim, fico muito feliz de estar contribuindo com essa rica oportunidade de falar um pouco sobre como o Jogo Reversi é importante na clinica de Psicopedagogia para as intervenções lúdicas nos transtornos e problemas de aprendizagem.

OC – Pretende ir adiante e incentivar alguns de seus alunos/pacientes (como me refiro aqui?) a se aplicar ao jogo e a participar dos campeonatos oficiais da FBO?

Psicopedagoga Andreia: Sim posso estar treinando com eles e na medida do possível indicá-los para participar dos jogos da federação juntamente com vocês. Será um prazer!

OC – Agora eu deixo esse espaço livre a você, o que você gostaria de dizer aos pais que desconfiam que os filhos sofram de TDAH? E as escolas em geral e governo, há algum recado?

Psicopedagoga Andreia: Na verdade muitas vezes a procura pelo tratamento vem um pouco tarde quando a criança/ adolescente já esta passando por muitas dificuldades na escola. Então fica um comunicado importante aos pais que começam a perceber que seus filhos possam estar passando por vários tipos de dificuldades tanto em casa como na escola tipo:
•           Não segue instruções até o final e não termina as atividades;
•           Não consegue prestar atenção a detalhes e comete erros por descuido;
•           Evita, não gosta ou se envolve contra a vontade em tarefas que exigem esforço mental prolongado;
•           Responde as perguntas de forma precipitada antes de terem sido terminadas;
•           Tem dificuldade em esperar sua vez;
•           Mexe com as mãos ou os pés e se remexe na cadeira (porem não para sentado no lugar)
•           Problemas de organização e disciplina;
•           Ansiedade;
•           É lento ao fazer seus deveres; porem não consegue fazer sozinho;
•           Frustra-se facilmente;
•           Tem grande imaginação e criatividade (ainda apresenta fantasia, não coordena o imaginário com o real, apresenta egocentrismo).
•           Demasiada inquietude;
Esses são alguns dos fatores que aparecem com muita frequência no Transtorno da Hiperatividade porem quando prestado atenção e já iniciar o diagnóstico e possível tratamento adequado pode-se dizer que se reduz em 50% na maioria das vezes os casos clínicos de maior dificuldade, com benefícios surpreendentes para a criança e adolescente.


Obrigado Andreia, pela excelente entrevista.

The New York Time - Sunday Review – TDAH – Ariaal Tribo do Quênia:

https://www.nytimes.com/2014/11/02/opinion/sunday/a-natural-fix-for-adhd.html

domingo, 16 de julho de 2017

Pan-Americano de Othello 2017 do Brasil


Olá a todos! 


Tudo bem com vocês?  

Eu estou aqui de maneira breve e, somente para avisá-los do Pan-americano de Othello que ocorrerá na cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo entre os dias 21 e 23 de julho.

Esse será o segundo Pan-americano da história! E o primeiro a ser realizado aqui no Brasil, (o primeiro foi disputado na Argentina) e contará com duas ilustres presenças gringas, Daniel Olivares e Marcelo Lisnovsky da Argentina.

Quer fazer parte da história? Venha participar conosco!

Para mais informações, acesse o site da Federação Brasileira de Othello no link abaixo.

Um grande abraço e, até a próxima.


https://othellobrasil.com.br/