segunda-feira, 13 de junho de 2016

Othello Federação Ltda




Othello Federação Ltda

Olá a todos,

Já faz oito meses desde a minha postagem explanando os problemas do atual cenário da FBO e ideias para engajar um caminho, e eis que tivemos sim alguns avanços, como por exemplo, os contínuos torneios e copas realizados em Nova Odessa e região por Moisés Jr. que tem sido nosso mais importante entusiasta nos últimos tempos. Fora ideias futuras como o reconhecimento da Secretaria Estadual de Esportes do Othello como um esporte oficial, e nesse momento a coisa vai dar uma guinada magnífica, porque poderemos ter esse patrocínio estatal (não sou nenhum fã e idólatra do Estado, mas como eu disse antes, para esse jogo “morto” que tanto amo, qualquer ajuda é bem-vinda) e isso permitirá quem sabe, montarmos e enviarmos uma equipe brasileira ao Campeonato Mundial nos próximos anos. Mas e ai, o que é necessário para pularmos essa fase do jogo e irmos adiante? Depende, se a sua intenção for realmente ver o jogo Othello num patamar de reconhecimento ao menos próximo a uns quarteirões do que é visto no Xadrez, existem três respostas: A primeira eu já encimei, é por meios governamentais, que é basicamente o que tem sido feito nos últimos meses lá em Nova Odessa, uma outra opção seria por meios de patrocínio comercial, que é o que só houve uma única vez na história desse jogo aqui no Brasil, lá no ano de 2004 com a Grow  (nos campeonatos mundiais e no Japão, empresas patrocinam os eventos de forma corriqueira), a outra opção é a da atitude pessoal, aquela em que você mesmo sem a ajuda de ninguém monta sua página no Facebook, Blog; Youtube; Whatsapp e Dissemina o jogo. E das duas outras alternativas que nos restam além do governo, essa independente é a que mais gosto, pois com ela não precisamos “pedir esmola” de ninguém, e podemos fazer o jogo crescer novamente que com o tempo, trariam patrocinadores para o jogo, o novos empreendedores querendo relançar o jogo aqui no país em grande escala, sem necessariamente dar ouvido ao copyright Othello, mas sim ao jogo Reversi. Como já falei aqui no blog, a empresa Ludens Spirit relançou o jogo aqui no país com a patente “Yin-Yang”, e isso já foi de grande ajuda a todos, mas podemos ir adiante, imagina a Hasbro ou quem sabe, a Estrela relançando o jogo aqui no país? (a Estrela já tem a categoria de jogos chamada “Academia da Mente”, então não seria impossível isso).

Mas e então, o que está acontecendo agora?

Bom, todo o levante reversista tá indo muito bem em Nova Odessa, de escola em escola, de cidade em cidade, mas para ir mais à frente é necessário algum reconhecimento oficial, que para a Secretaria de Esportes só se pode ter através de um sítio oficial, que no caso do Reversi seria através da página da Federação Brasileira de Othello, que é o órgão reconhecido internacionalmente pela World Othello Federation como a representante do jogo Othello no país, tudo seria muito fácil se não houvesse um porém:  Esse, que é o órgão que deveria dar todo tipo de subsistência àqueles que queiram divulgar o jogo está totalmente inativa há dois anos, sem nenhuma atualização e ainda com total dependência de hospedagens caríssimas ao ano, (cerca de 400.00 Reais Anuais) e como que ainda não fosse o bastante, ao que parece ser, se iguala à “Othello Club Deutschland” que seria o Club Alemão de Othello, que tem um dono, que é algo que jamais deveria acontecer com um órgão desses. Ao meu ver, e acho que todos concordam com isso, a Federação Brasileira de Othello é de todos! Óbvio que não necessariamente significa que qualquer um poderia mexer e implementar diretrizes ao bel-prazer, algo como uma cooperativa que se recicla uma vez a cada ano ou a cada dois anos que fosse, mas dando a possibilidade a todos que realmente têm um real comprometimento com o jogo de atuar, de decidir metas de acordo com as exigências da WOF e que dessem guinadas na propaganda do jogo no país. A Federação Brasileira de Othello nunca, jamais poderia ter um dono, (pois ao que parece, “quem paga a hospedagem do site praticamente é o dono” já que não acredito em altruísmo nesse caso) que é o que tem parecido acontecer aqui no nosso país. A FBO, atualmente não faz absolutamente nada, além dos pífios campeonatos protocolares com no máximo 4 a 6 jogadores por ano, e vira e mexe manda os resultados à WOF, que diz OK, valeu.

Temos algumas sugestões para o impasse?

Sim, a primeira delas é redemocratizar a FBO, que atualmente nem mesmo as ditas eleições presidenciais acontecem mais a cada ano como exige a regra, o nosso atual presidente é realmente muito bom, mas assim como qualquer outro membro da diretoria da FBO, vive de mãos atadas por não conseguir nem mesmo permissão para mexer no site, até mesmo eu que era incumbido disso tive minha senha extinguida sem mais nem menos, (Ok, sumiu e durante dois anos não teve atualizações no site, qual seria o papel do “dono” do site? Reparar na ausência de postagens e se preocupar, não? O que houve foi somente um total desmazelo) Outra ideia que foi sugerida foi a de encontrar uma nova hospedagem ao site da FBO que fosse deveras mais barata e independente, o que foi rechaçado pelo “dono da FBO”, que preferiu respostas evasivas e desconexas,  foi também sugerido que  já que o site tem que ficar nas mãos de uma pessoa (“dono”) que fosse nas mãos de uma pessoa comprometida, como é o caso da Federazione Nazionale Gioco Othello Italian Othello Federation que é um site criado por Biagio Privitera e que ao mesmo tempo é o maior entusiasta do jogo no Itália, é meio ditatorial? É, mas ao menos ele não atravanca o jogo em seu país. Outro caso é o da Ivory Coast Othello que nem sequer tem um website, mas que tem como “dono” Jeannot Ourega, que é também o maior entusiasta do jogo Othello na Costa do Marfim e, por que não, de todo o continente africano. Ainda a tempo, acontece o mesmo no Japão com o presidente Goro Hasegawa que é meio que um Rei na história desse jogo na era moderna, mas que ao invés de atravancar, ele faz a coisa toda andar lá no Japão e no mundo. Aqui no Brasil a atual pessoa mais comprometida e com tempo em período integral para isso seria o Moisés Jr. mas o máximo que lhe foi concedido pelo “dono” da Federação Brasileira de Othello foi um login (todos à serviço do Faraó?)no site, porém sem se esquecer que para atualizar o mesmo necessita enviar emails para um empregado que trabalha no prestando serviço à plataforma de hospedagem, para ai sim, depois de uns três dias a pessoa publicar/alterar o que você pediu, e com sorte não ter erros na postagem. Como eu disse antes, o site da Federação Brasileira de Othello é um dos mais bonitos do ramo que eu já vi, e é cheio de ferramentinhas interessantes, mas sua total dependência de terceiros para manutenção das informações (empregados da plataforma de hospedagem) e como se não bastasse, com o total e atual único domínio de uma pessoa só que não abre mão da propriedade da FBO e que não deixa “ninguém mais brincar” com o seu brinquedinho, a coisa tá mais parecendo o regime fascista de Benito Mussoline “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado” é só trocar o nome Estado por FBO.  Mas, esquenta não, eu tenho uma boa notícia para vocês... não é uma real exigência da WOF ter um site específico para dar-lhe o nome de “Acrópole” como os antigos gregos denominavam o santuário político e filosófico das cidades, que eram sempre situados nos montes na Grécia Antiga, por motivos estratégicos e simbólicos, nesse caso a WOF pode reconhecer uma casinha de madeira localizada abaixo de um barranco, com um humilde marceneiro morando nela, como o representante da propaganda reversista no país, ou seja, não é necessário website algum! Algumas federações e associações não têm website e mesmo assim são de total atividade no escopo mundial, não há prevaricação desses reais colaboradores e apaixonados pelo jogo, eles energizam o jogo em seus respectivos países, que é o caso da Denmark Othello Federation com o Henrik Vallund, a Suomi Othello Finland Othello Federation com o grande jogador Lari Pihlajapuro, e um outro exemplo aqui  mesmo na América Latina seria o Club Argentino de Othello que tem Daniel Olivares sempre atualizando seus compatriotas, nos três casos através do Facebook. Ou seja, nós podemos com todo o respeito dar uma “banana” ao Website FBO e fazermos nossa divulgação nós mesmos através de blogs, Youtube ou como nos exemplos acima, através do Facebook, desde que sejam obedecidas as regras dadas pela WOF e sempre linkando e documentando todas nossas ações, nada nos impedirá.

Acredito eu que toda essa situação vexaminosa e por que não mesquinha, da qual o Othello nacional  se encontra hoje em dia, com todas as suas dissensões acabarão um dia, e se tudo der certo nada irá tolher o crescimento do jogo em nosso país, aos poucos estamos abrindo mão daquilo que não precisamos, e rumando ao que realmente nos interessa, tendo em mente que a Federação Brasileira de Othello não é sine qua non, e que não atenderemos aos caprichos alheios de um jogo que é de todos nós, onde todos podemos e devemos opinar para render melhorias.  Chega de respostas evasivas! Chega de promessas que nunca vingam, oriunda de interesses meramente pessoais.

O amor ao jogo é a nossa égide, se você tá junto nessa, não deixe de participar dos nossos grupos no Facebook: Brazucas Por Othello e Revolução Paulista Othello/Reversi, e no nosso grupo do Whatsapp. (Para participar do nosso grupo no Whatsapp é só me procurar no Facebook com o nome de Fabrício Silva e me enviar uma mensagem privada com o seu número de telefone, deixarei o link das páginas no Facebook e do meu próprio Facebook abaixo).

Obrigado a todos.

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Ontologia do Jogo Reversi


Há uns dias eu estava pensando como seria legal casar algumas noções que encontramos dentro do jogo Reversi com algum escopo filosófico para facilitar (ou talvez não) a compreensão de alguns paradigmas intrínsecos ao jogo. Pois bem, todos sabemos que no final do século 19 nasceu ao menos dentro do conhecimento oficial, o nosso queridíssimo jogo lá no velho mundo, lá na terra da Rainha, a sempre inovadora Inglaterra. Não se sabe como aqueles pioneiros jogavam, quais eram as suas técnicas, quais eram seus primeiros pensamentos mais aprofundados em torno do jogo, mas talvez até mesmo com um certo nível de segurança, eu posso assegurar-lhes que deviam no geral, usar conhecimentos e compreensões deveras diferentes das que utilizamos hoje em dia, num mundo dominado pela tecnologia e digitalização dos meios, no advento da ciência computacional e progresso da Inteligência Artificial as nossas experimentações do mundo, dentro dessa era pós-moderna é diferente da clássica em muitos aspectos, e não poderia ser diferente dentro da mente dos jogadores antigos, vejamos o porquê.

Pulando quase um século de história e ignorando o total hiato e obscurantismo do qual o jogo Reversi entrou, cheguemos ao ano de 1977, apenas meia dúzia de anos após a reconfiguração do jogo e de todo o marketing publicitário no relançamento do jogo, que surgira agora com um novo e shaskepereano nome: Othello. E foi nesse ano que em Tókio acontecera o primeiro campeonato mundial de Othello, e logo de cara foram dois mundiais num ano só! Mas foquemos a esse primeiro, onde o japonês Hiroshi Inoue fez a grande final contra o norueguês Thomas Heiberg, o batendo nas duas partidas sem lá grandes dificuldades. Pois bem, aquela era uma época em que ainda não haviam os ditos programas de Reversi com a força que conhecemos hoje, os poucos que tinham era demasiadamente primários, como era o que ficou conhecido como o primeiro programa de Reversi já criado, o IAGO. Os jogadores no geral tinham que aprender tudo sozinhos e copiando uns aos outros para tentar melhorar o próprio jogo, o que fazia com que essas partidas se modelassem de uma forma bem diferente dos padrões modernos, mas o porquê disso? O ser humano é um ser social, ele é quase que 100% copia e execução, foi assim que progredimos como espécie durante milhares de anos, e é assim que aprendemos nos dias de hoje, seja para o aprendizado de nossa língua, em como se dirigir um carro, aprender sobre engenharia espacial  ou fritar um ovo, o ser humano necessita de outros seres humanos para aprender as coisas, caso contrário até aprenderia coisas básicas, mas a passos de tartaruga. Nessa partida do que foi a grande final do mundial, o torneio de maior prestígio dentro do mundo do Othello, vimos dois bons jogadores, mas ainda assim ambos não muito diferentes de jogadores que nos dias de hoje estejam aprendendo a jogar Reversi, e que com pouco esforço cheguem àquele nível dos dois na década de 1970, ou seja, os meios hoje em dia são mais favoráveis a esses humanos copiarem e executarem seus aprendizados. No decorrer de mais 10 anos, no mundial de 1987 vimos um certo progresso em comparação ao nível dos jogadores de 1977, por que isso? Opa meu amigo, mas ai já haviam softweres táteis  e programas integrados em computadores capazes de derrotar um ser humano, dos programas portáteis eu posso citar dois em particular, que também foram criados pela Tsukuda (a mesma marca que relançou o Reversi em tabuleiro, o Othello) que seriam o Clementoni Othello Elettronic Box e o Tsukuda Othello G5, não eram programas fortes, mas já ajudavam. E por meios digitais o magnífico The Moor, que em 1981 derrota o bicampeão mundial de 1977 e 1979, o dito cujo falado acima, Hiroshi Inoue. Ou seja, nessa época os seres humanos com sua capacidade de máquina de xérox estavam já aos poucos remodelando sua forma de jogar, agora não era mais necessário beber da fonte jogabilística humana, agora o sabor eletrônico parecia mais ácido e vigoroso. Muito bem, no campeonato mundial de 1997 a coisa já estava bem avançada, nesse ano empresas como Microsoft já haviam se adentrado pela facilidade e o prazer recompensáveis que era poder criar programas de Reversi, e lançou em sua plataforma o jogo embutido no Windows 3.0, até mesmo empresas de videogame como a Atari lançou a sua própria versão do jogo Reversi, e os programas estavam a todo vapor, havia até mesmo em 1993 uma plataforma virtual onde programadores poderiam entrar com seus programas e digladiarem com programas de outros programadores, a IOS (Internet Othello Server) plataforma essa criado por Igor Durdanovic, foram nesses anos que também surgiram livros sobre o jogo como o “Othello: Brief & Basic” de Ted Landau e o “Othello Par L’Exemple” escrito por vários jogadores baseado em partidas do mundial de Paris na França em 1988, se um jogador quisesse aprender, ele não teria como não aprender dentro de um terreno tão fértil.

Porém, desde 1997 até os dias de hoje a coisa toda não andou muito mais rápido, com a falta de descobertas matemáticas e programabilísticas que fomentasse e desse um acicate no entendimento do que é um sistema de busca bruta (Alpha Beta Poda, Heurística, Minimax), os jogadores estranhamente também pararam de progredir, temos uma miríade de jogadores, um grande contingente de estilos e performances, mas nada que digamos “Oh, como isso?”, o entendimento sobre o jogo deu uma empacada nas últimas duas décadas, mesmo com o advento dos aplicativos de jogo dos smartphones  e plataformas de dowload como a Google Play (Android) e iTunes (iOS) sou obrigado a assumir que muito se deve a copia e cola das mesmas jogadas que também são ensinadas nesses aplicativos, alguns jogadores magistrais como Ben Seeley ou Yusuke Takanashi ou até mesmo os criativos Arthur Juigner e Nicky Von den Biggelaar têm insights maravilhosos nas partidas dos quais nos deixam embasbacados, mas quase nunca fogem de jogadas que se pegarmos para estudar, veríamos que está dentro daqueles limites estipulados pelo leque humano aprendido e pelos ensinamentos capturados de softweres especializados. Ou seja, a máxima do filósofo alemão Martin Heidegger faz todo o sentido: “Nunca chegamos aos pensamentos. São eles que vêm.”

O jogo Reversi na sua forma oficial, 8x8 ainda não tem uma solução, o número de jogadas legais é de dez elevado à vigésima oitava potência e a árvore de jogo é de cerca de dez elevado à quinquagésima oitava potência, ou seja... Se é insolúvel para programas fortíssimos, quiçá para nós meros humanos. É nessa hora que adentramos em ideias abstratas como ao da fenomenologia do filósofo prussiano Emmanuel Kant, que diz que só o que podemos conceber através do uso da razão é o que experimentamos, há um todo intocável, intangível e invisível em sua real forma a nós humanos, ou seja... Seja lá o que for o jogo perfeito, só o que conseguimos conceber é aquilo que nos auto-ensinamos através de nossas vivências, e concretizamos aquilo que através de uma manipulação entendemos ser útil, então o julgamos verdadeiros. Se você leu a minha última postagem onde falo sobre a obsessão ao padrão, ainda mais nas aberturas de jogo, você entenderá o quão benéfico foi a criação dos ditos sistemas  XOT, onde uma plataforma cria aleatoriamente aberturas matematicamente equilibradas das quais você dará continuidade com seu adversário humano. Antes disso, acredito eu que deveria ser algo a contar nos dedos de uma só das mãos os jogadores que saíam daquelas aberturas já manjadas e ditas seguras pelos programas desde a década de 1980, ou seja, esse novo sistema deu um novo insight aos jogadores dos quais gerarão bons frutos lá na frente dentro do entendimento do jogo como um todo.

Bom, para finalizar eu fico aqui pensando, eu e minhas conjecturas sobre as possibilidades que ainda irão ser descobertas (ou virão até nós como diz a máxima de Heidegger) em torno do jogo Reversi, ainda estamos trilhando um caminho desconhecido, que será talvez finalizado lá bem na frente dentro do tempo, por novas mentes criativas e curiosas, que ajudarão a formar jogadores de um nível nunca antes visto, é esperar para ver.

Hoje meu blog faz 7 anos de idade, então resolvi trocar uma ideia aqui com vocês, até a próxima. :)

Alguns dos jogos dos mundiais de 1977 até 2015.

1977 (Jogos da Final)


Hiroshi Inoue 34 - 30 Thomas Heiberg: F5D6C3F3F4D3C4G6F6E6C5C6D7D8E7G5E3D2G4H3F7B5H5G3B4B6C8B8C7E8F8G8H4H6E2D1C1A3A6A5E1F2G7C2A4H8A2B7F1B3B1B2H7A7A8A1G1G2H2H1

Hiroshi Inoue 45 – 19 Thomas Heiberg F5D6C5F4E3C6E6F3D3F6G4C4B4A3B5E2D2H4C7B3C3A6D7D1C1C2E7B6E1F1G1F2B1C8A5A4D8E8B7A8B8B2A1A2G5H5G3H3A7G2H1H2H6G6H7G7G8H8F8F7



1987

Peter Bhagat 21- 43 Ken‘Ichi Ishii:  F5F6E6F4G5E7F7H5E3D3F3D6C7C5D8G6H4H3C6G4G3E8F8C4D2C2B3B5D1C3A5D7E2B4B6A3H7H6H2B8A4A6B2A2G7E1C1F2G2F1G1H8G8C8A7A8B7H1B1A1

Karsten Feldborg 37-27 Brian Rose :  F5F6E6F4E3C5C4E7G4G3G5F3E2H6D7D6E8H4G6F7F8C8H3H7B5F2F1A5B6C7C6D8B8C3A4D2D3A3C1C2B4B3A7D1E1H2H5G2B1G8H8G7A2A6B7A8H1A1G1B2


1997

Graham Brightwell 38-26 David Shaman :  F5D6C3D3C4F4C5B3C2E6C6B4B5D2E3A6C1B6F3F6F7E1E2G5D7E7G4C7H6F1G6H3H5G8E8G3D1B1F2G1D8C8B8B7A8A7A5H4H2A4A3F8H8B2A1A2H1G2G7H7

Makoto Suekuni M. 20-44 Emmanuel Caspard :  F5D6C3D3C4F4F6F3E6E7D7G6D8C5C6C7C8B6E3F8E8B8B5G5A6F7G4B4B3E2H5H3D2F2H7H6E1B7A8H8H4G3F1C2D1A4G8A3A5B2A2G7G2A1B1A7H2H1G1C1

2007

Stéphane Nicolet 27 – 37 Kenta Tominaga

c4e3f4c5d6f3e6c3d3e2b5c6d7f6g6f5b4e7f7a4g5g4h3h5g3h6h4h2a3a6b3c2a5a2d2c1f2e1d1f1g2c7b2h7b6a1b1c8d8a7b8e8f8h1g1g7b7a8g8h8

2015

Yusuke Takanashi 36 – 28 Makoto Suekuni

f5d6c3d3c4f4f6g5e6d7e3e7g3c5b6b5c6b4c7b3d8a6h6c2e8g4g6f3h3f7f2f8d2d1e2e1a3f1a5b2a1c8g7h4h5h8h2h7b1h1c1g2g8a7a8a2b8b7g1a4

Não sabe colar as transcrições no WZebra? Então aprenda aqui nessa minha outra postagem, link mais abaixo:

http://othelloclassic.blogspot.com.br/2010/06/wzebra-o-modo-para-se-seguir-as.html

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A Obsessão Pelo Padrão



A obsessão pelo padrão

Já repararam que os jogadores em geral, desde os mais iniciantes ao melhores tendem a fazer sempre as mesmas aberturas? Ok, isso se deve ao fato de que no inconsciente gerou-se uma estrutura do que é seguro e do que não é seguro fazer quando se joga Reversi, e isso se fixou muito nas ditas aberturas.  Você pode observar as mais famosas de todas que têm até os respectivos nomes de quem as patenteou e/ou nomeou,  Rose-Bill, Tamenori, Nicolet, Brightwell, Tanida Buffalo, Mimura Variation 2, Lollipop, No-Cat (Continuation) e etc... são muitas... Levando em consideração de que matematicamente o Reversi 8x8 não foi ainda decodificado, você conseguiria dar uma resposta honesta do porquê não criar uma outra abertura que fuja dessa premissa e ainda sim ter uma certa vantagem no jogo?

Isso me lembra aqueles embates filosóficos onde alguém diz que fulano não tem o ônus da prova, e sicrano diz que beltrano também não o tem, por estas respostas estarem dentro de um escopo ontológico, e a epistemologia  não trará a visão necessária para uma resposta fidedigna por ambas as partes.  E uma vez que metafisicamente falando é impossível empiricamente provar que a simples matemática de 2+2 é igual a 4, imagina então os bilhões e trilhões de possibilidades de jogadas possíveis que há no Reversi tradicional?  Estima-se que o número de partidas possíveis é algo em torno de 10 elevado à quinquagésima quarta potência,  então supomos que exista uma abertura “X Special” que ninguém usa por intuitivamente parecer insegura, mas que desde que seguida de maneira correta poderá lhe dar vantagem no jogo, ao ser rejeitada por cada vez mais jogadores, ela tende a parecer inconfiável,  mas essa percepção é apenas fruto de um mecanismo biológico, construído pelo cérebro humano e espalhado como um meme. Na verdade todos ficamos craques na mesma coisa, a intuição que foi e é uma arma maravilhosa no sentido da sobrevivência humana durantes milhares de anos, nesse caso pode apenas ser a afirmação e glorificação do erro. Nesse sentido, a intuição é um erro que um faz e o outro assina embaixo.

De forma alguma eu estou dizendo que as aberturas tradicionais estão erradas, matematicamente falando elas também fazem todo o sentido, os programas estão ai para falar por mim, mas já pararam para pensar o porquê existem  programas e programas? Todos usam o mesmo método Poda Alfa-Beta, porém a árvore de busca que um cria, o outro é incapaz de criar, de “enxergar”, é matematicamente além da sua visão computacional. Ou seja, o programa erra, mas o fato dele errar não significa nada para saber se o outro acertou, na verdade Reversi mesmo para máquinas pode ser um jogo onde ganha quem erra menos, assim como é entre humanos. Então voltemos a idéia central do post, que é o porquê de você e,  nem mesmo eu nos arriscarmos em aberturas alternativas, (alternativas no sentido de terem sido excluídas, mas ainda assim iguais) é interessante chamar essas aberturas de alternativas, porque me faz lembrar que nos tempos antigos os Romanos e seu império continental chamavam aos não romanos de bárbaros, que é justamente o mesmo nome que os gregos davam aos romanos por serem “não gregos”... (risos), então acredito eu que deveríamos focar mais nessas outras aberturas esquecidas pela história do jogo, e a visão memética dos reversistas no decorrer do tempo.


Óbvio, falei até agora de uma preferência geral que tem a assinatura dos jogadores mais bem treinados, mas existe uma outra classe de jogadores que mesmo sendo muito bons, e habilidosos no jogo tem uma inconstância perceptível no jogo, e não seguem o padrão na aberturas dos “viciados”, e procuram sempre construir suas próprias aberturas, mas com algumas exceções, mesmo esses ainda sim seguem alguma premissa, seguem algum padrão que em quase nada se compara aos inéditos jogos iniciais à la XOT playokiano, ou seja, o padrão está lá, vivo e pulsante.  Tá Fabrício, mas isso ou aquilo, esse ou essa não acabam no final das contas sendo um padrão? Sim, tudo é em si um padrão,  mas é a niquice de aberturas utilizada por oito em cada nove jogadores de muito conhecimento que me surpreende.

Em “Alice no Espelho”, a jovem menina se depara com um mundo de possibilidades através daquele vidro, um mundo todo quase igual ao seu, porém, tudo  invertido. A pergunta que eu li certa vez em uma revista ainda me persegue: “Será que o leite tem o mesmo gosto naquele mundo?”, talvez alguns respondam que sim, mas pense mais um pouco e leve em consideração que as moléculas e átomos que compõe a química que constrói aquilo a que chamamos de leite está ao contrário, não sabemos se o gosto seria igual, nem mesmo se o leite poderia exatamente existir nesse mundo. Nesse sentido, se o leite existisse nesse novo mundo, ele teria algum gosto e poderíamos tomá-lo desde que não fosse venenoso ou danoso de alguma forma à nossa saúde, apenas teríamos que adaptar nosso paladar a ele, assim como algumas pessoas se adaptam a alimentos dos quais a principio achavam ruins, amargos ou azedos, lembre-se, o gosto não existe, é apenas uma interpretação do seu cérebro. Então se puxarmos esse sentido as aberturas inexploradas do Reversi, a metáfora se ajusta perfeitamente já que o que temos que fazer é justamente se adaptar àquilo, treine seu “paladar” nessas novas velhas e eternas aberturas, que estão lá à espera que as desvendem.   Nossa mente procura a simetria, cria o belo no simétrico, os rostos mais atraentes são quase sempre os pares perfeitos, (lado esquerdo e direito idênticos) mas saiba você que o universo é assimétrico, afinal de contas seu corpo e boa parte daquilo que o compõe em nível celular ou não, também é.  Acredito que a perseguição com o jogo simétrico e aberturas padronizadas sejam um delírio jogabilistico, tanto quanto a percepção da beleza. Explore o outro mundo, seja uma Alice nesse sentido e se desprenda dessa criação da mente humana que tanto serve para dar algum sentido a nossa vida mas que às vezes faz o papel do grilhão em suas pernas, se liberte! Lembre-se, o Universo é assimétrico em sua essência.



Eis algumas aberturas não convencionais e algumas de suas loucas nuances:

   1. f5   2. d6  3. c4   4. f3 5. c5   6. e6 7. e7   8. g4 9. g5  10. c6 11. f4  12. f6 13. e3  14. e2 15. d7


   1. f5   2. f4 3. e3   4. f6 5. g4   6. c5 7. f7   8. g3 9. f3  10. e2 11. d3  12. h4 13. h5  14. f2 15. h3


   1. f5   2. d6  3. c7   4. f6  5. e6   6. f4  7. d3   8. c6  9. e3  10. f3  11. g4  12. h3 13. g5  14. h4 15. g3


   1. f5   2. f6  3. f7   4. e3 5. f3   6. g5 7. h4   8. d6 9. e6  10. f4 11. g4  12. h5  13. h6  14. h3 15. h2  16. g3


   1. f5   2. d6 3. c7   4. d7 5. c5   6. f6 7. d8   8. b6 9. f4  10. g4 11. e3  12. e6 13. e7  14. d3 15. f3



Aqui nesse link, você poderá ver algumas das aberturas mais tradicionais citadas por mim no início da postagem:

An Reversi Animated Guide

http://samsoft.org.uk/reversi/

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Disseminando o Reversi





Olá a todos mais uma vez, e cá estou eu para passar a limpo tudo que vem acontecendo no Brasil após a minha última postagem. Tivemos algumas propostas, ideias e apoio e, de certo modo a coisa até que fluiu,  e em outros aspectos a coisa ainda poderá bombar no futuro, e em outros infelizmente ainda está na promessa e empacada.


Com um mês de antecedência foi marcado uma liga de Othello na Ludus Luderia,  onde o negócio seria apenas jogar por pura diversão, e divulgar e ensinar o jogo aos interessados, e por ser num local famoso por ser o polo dos jogos de tabuleiros aqui em São Paulo, esperava-se a presença de muitos curiosos, algumas pessoas que largassem um pouco o jogo que já estava habituado a jogar e se enveredasse por desfrutar essa experiência magnífica que é jogar o jogo Reversi (Othello), porém, seja por ter sido numa data inapropriada por ser um hiato entre feriado e final de semana e o povo ter ido viajar (aqui em São Paulo as pessoas aproveitam o feriadão para fugir um pouco da cidade e ir para diversos lugares, principalmente para o litoral.) a coisa não rolou como o esperado, foram apenas três pessoas, e isso é justamente o que vem acontecendo nos últimos campeonatos brasileiros, e nunca o campeonato foi feito numa data de feriadão, então talvez a resposta para essa escassez seja outra, vejamos.

Também com um mês de antecedência foi marcado o que viria a ser a primeira Copa de Othello de Nova  Odessa, e quando a data chegou, foi um tremendo sucesso! Nada mais nada menos do que 20 jogadores estiveram presentes no evento, representando três cidades diferentes! Logo de cara temos um Recorde em número de participantes em um torneio de Othello, seja oficial ou não, aqui no Brasil.

Mas e ai? Qual foi a diferença entre um e outro?

A resposta talvez esteja no tipo de propaganda e divulgação que é feita, que eu saiba até agora nós da FBO, onde eu me incluo, só trabalhamos com propaganda virtual, uma propaganda virtual para atrair e construir algo no mundo real, e ficar só nisso talvez seja o pior erro que estejamos fazendo desde tempos mais remotos. Talvez isso fosse mais eficaz caso o Campeonato Brasileiro fosse disputado através de um servidor e não duma placa de plástico.

Não quero aqui fazer pensar que o marketing virtual seja danoso, muito pelo contrário, ele é agregador, porém sozinho dentro desse contexto de jogos de tabuleiros pouco conhecidos, não seja suficiente. (Quando publicitários divulgam aqueles spams, ou até mesmo quando você pega aqueles papeizinhos com propagandas de uma Rave local, ou do show de algum cantor “brega” naquelas cidadezinhas pequenas, existe uma boa chance de você ir caso aquele estilo de festa seja do seu agrado, porém isso acontece por você já ter uma idéia muito boa de como uma Rave ou um show de cantores antigos funcione, e não precise de mais informações para que você vá, o que não acontece com jogos de tabuleiros antigos que quase ninguém conhece.) o que precisamos é de um marketing mais agressivo e incisivo, que é o que vem acontecendo em Nova Odessa e em cidades vizinhas, onde a propaganda é na mão, onde as pessoas não só podem ler a respeito do jogo de maneira virtual, mas também possam pegar nas peças com as próprias mãos, possam olhar o tabuleiro, possam perguntar sobre alguma dúvida específica usando a língua ao invés dos dedos, e quando veem o chamado virtual para um campeonato, ah meus caros, eles já sabem muito bem do que se trata, e tendem mais a irem.


O Othello em Nova Odessa

O que vem acontecendo em Nova Odessa me faz lembrar muito o fenômeno que foi esse mesmo jogo na Costa do Marfim; na África, onde Ourega em junção ao governo local, promoveu, disseminou e fez uma propaganda muito abrangente e eficaz a respeito do jogo Othello, ganhando o respeito e admiração de muitos outros jogadores não só dentro da Costa do Marfim, mas também em boa parte da Europa e do mundo. Em Nova Odessa, cidade pequena no interior de São Paulo, mas em grande desenvolvimento e qualidade de vida, Moisés que trabalha junto a prefeitura na divulgação e incentivo ao esporte, já vinha trabalhando com jogos mais populares como Xadrez, Damas e até Queda de Braço (Braço de Ferro é como eu conheço esse esporte) há anos, e já tinha ideia da existência do jogo Reversi, mas ainda não tinha idéia da dimensão do próprio à nível mundial, o que ele teve a oportunidade de conhecer através de mim, daí para frente ele resolveu fazer algumas perguntas sobre tabuleiros, competições e afins, e logo após a minha última postagem ele realmente resolveu botar as mãos na massa e fazer por conta própria a dita propaganda agressiva da qual me referi mais acima, e aos poucos ele próprio fez alguns tabuleiros improvisados com papel cartão verde e peças de “mesinhas de pizza” (Elas servem para evitar que a pizza desmonte ou toque na surpefície  superior da caixa nas entregas delivery, na verdade eu nem sabia que isso existia, ao menos eu nunca vi isso na vida) ou madeira MDF, da qual teve a ajuda de uma amiga local, e começou a colocar o povo para jogar, desde crianças, passando por adultos até pessoas da terceira idade, e a aprovação foi imediata! Pessoas que nem sequer sabiam que esse jogo existia, se sentiram muito bem jogando “aquilo” ali pela primeira vez. Não demorou muito para ele começar a divulgar o jogo em outras cidades, no caso as cidades mais vizinhas, e novamente tudo ocorreu muito bem, a aprovação foi boa.

Eu estou muito esperançoso com o que há por vir, creio que todos colheremos os frutos dessa linda plantação, e também deposito minhas esperanças em casas especializadas, no caso a Ludus é um ótimo lugar para fazer esse marketing agressivo, é um trabalho de formiguinha, mas quando embala, desencadeia uma reação e um crescimento exponencial. Além do mais a ideia de Ligas na Ludus ainda não extirpou, em Janeiro teremos de novo, dessa vez numa data melhor escolhida, e vamos torcer para que de certo dessa vez e,  quem sabe eu consiga ir. Também penso muito em divulgar isso em algum SESC, o que mais eu penso é no SESC Pompéia, mas também lembro que já fiz uma postagem onde o SESC Ipiranga estava fazendo uma pequena mais bonita divulgação do jogo entre a criançada, então pode ser um bom foco se antenar aos SESCs da vida.


Está sendo cogitado a ideia de elegermos um representante da FBO em cada cidade onde tenhamos interesse em divulgação, no caso este seria uma espécie de tutor ensinando, informando e organizando todo o processo de divulgação e disseminação do jogo em cada cidade.


Links:


Fotos da primeira Copa de Othello de Nova Odessa

https://www.facebook.com/moisescorreiajr/media_set?set=a.1029123823786432.1073741982.100000664718142&type=3&pnref=story


Divulgação do Othello na Costa do Marfim

http://othelloclassic.blogspot.com.br/2012/05/divulgacao-do-othello-na-costa-do.html




quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Atual cenário e ideias futuras para o Reversi no Brasil





Olá a todos!

Pois bem, eu não pensava em voltar a escrever nesse blog tão cedo, mesmo já tendo se passado quase dois anos desde a minha última postagem séria, que foi quando eu falei sobre a morte prematura de Michael Handel, eu sinceramente achava que todos os meus assuntos já haviam esgotado, ou os poucos pendentes já não valiam mais a pena serem  abordados, mas agora meio que por um lampejo por desejo de expressão somada a uma tal necessidade de ação, aqui estou eu mais uma vez para encher o saco de vocês e no meio dessa lambança toda lapidar algo que nós todos de alguma forma possamos usufruir. Como bem vocês sabem e, se não sabem ficarão sabendo agora, uma vez por ano nesses últimos anos foram realizados campeonatos oficiais de Othello, que é o encontro  entre uma turma (nerd)e/ou curiosa para jogar o tão famigerado jogo dos anos ’70, o Othello, para os menos íntimos Reversi, é isso ai! Aquele mesmo que jogávamos no finado Windows XP, e que ainda uma certa galera joga no Flyordie ou no Playok. Até ai tudo bem, no ano de 2004 quando ainda não tinha nenhuma oficialidade, fizeram o primeiro encontro, e foi um sucesso! Teve até prêmio de viagem para a Inglaterra dada ao campeão daquele ano, e sonhos de futuros ainda melhore por vir, e então depois de uma pausa, amigos criam a Federação Brasileira de Othello em 2006, e no ano seguinte realizam o que viria a ser o primeiro campeonato brasileiro de Othello oficial, e foi outro sucesso. Depois até o ano de 2013 tiveram alguns campeonatos entre altos e baixos, alguns com um número razoável de participantes, outros com menos, mas era uma oscilação compreensível pela falta de tempo integral dos colaboradores com o projeto, porém nos últimos dois anos a coisa caiu, e caiu muito, não só os campeonatos em si, mas toda a estrutura da Federação Brasileira começou a amolecer.

Othello Copyright

É sabido de todos que o jogo Reversi foi inventado na Inglaterra no ano aproximadamente de 1880, e que de lá para cá tivemos um grande hiato em âmbito comercial do jogo, porém na década de ’70, surge Goro Hasegawa que relança, muda algumas regras e patenteia o jogo e lhe da o título da obra de Shaskepeare de mesmo nome, Othello... só que agora com um “©” na frente. Não podemos esquecer da grande ajuda de Jonathan Becker (Anjar.co), o americano que ajudou Hasegawa na divulgação, licenciamento e vendas do jogo nos EUA e em todo o mundo, até mesmo o slogan do jogo: “A minute to learn... a lifetime to master” foi de autoria dele. E o negócio estava indo que era uma maravilha, até que em 2004 a Grow aqui no Brasil, resolveu lançar o jogo, sendo portanto a dona da licença de produção do jogo em terras tupiniquins, e se vocês se lembram bem do que escrevi acima,“coincidiu” com o primeiro campeonato em nosso país (do que se tem notícia), óbvio que a Grow teve uma grande ideia, para fazer um marketing dinâmico nada melhor do que eles próprios criarem um campeonato com premiação para o campeonato mundial daquele ano, que viria a ser em Londres na Inglaterra, todos se esforçaram na divulgação, eu pessoalmente sempre terei um certo carinho pela Grow por causa disso, mas sabe como que é né... brasileiro é f... Se a Grow tivesse lançado uma bola de futebol, um jogo de futebol para videogame, ou uma marca de cerveja talvez o negócio tivesse dado certo por aqui, mas como foi um jogo de estratégia abstrata que requer mais neurônios que um par de mãos some, já em 2006 a Grow anunciou o fim da comercialização do jogo no Brasil... E é ai nesse ponto que temos um grande problema amigo leitor, o jogo “acabou” por aqui, mas no resto do mundo ta rodando, se bem o mal não vem ao caso, o fato é que muitas empresas em alguns países produzem o jogo ainda, e como não devia ser diferente, a marca continua forte no Japão com o que é agora a sua única dona, MegaHouse, que organiza os campeonatos mundiais e tem poder sobre a marca em todo o mundo, ou seja, se você quiser organizar um campeonato de Othello, sempre que usar esse nome, estará usando e falando de uma marca deles. Agora pensem em realizar um campeonato brasileiro de Othello aqui no Brasil, como conseguiríamos patrocínio para uma marca morta em nosso país? Quem vai organizar e divulgar o campeonato de um jogo que não vende, não porque ninguém compra, mas sim porque ninguém produz? Eu tenho uma solução bem simples para isso, porém tenho outras mais complexas e mais ousadas.

Atitudes práticas

1 - Talvez uma solução mais simples para isso é pedir a compreensão para os organizadores a nível mundial, para que possamos usar o nome Reversi na divulgação de nossos campeonatos ao invés de Othello, na hora utilizaremos os tabuleiros da marca (se é que isso também importe algo) e lançaremos após como campeonato de Othello, óbvio que explicando antes a todos que Othello e Reversi se trata do mesmo jogo.

2 – Outra solução seria procurar alguém que produza o jogo em nosso país com o nome certo, ou seja, Reversi. E assim organizar e divulgar junto com essa empresa os campeonatos, mas nesse caso teríamos que esquecer qualquer oficialidade junto a MegaHouse, e WOF (World Othello Federation), então o foco seria a divulgação e patrocínio feita por uma empresa que nada tem a ver com a marca japonesa, então não seria classificatória para competições internacionais e nem rankiamento.

3 – Tentar convencer outras empresas, a relançarem o jogo no Brasil, quem sabe a Estrela que seja... Mas sabemos que se a Grow que tem como força e especialização os jogos de tabuleiros não conseguiu sustentar a marca, quem dirá a Estrela. Então que tal a Mattel ou a Hasbro, a primeira comercializa (ou ao menos comercializou) o jogo na Europa, quem sabe não tentam no Brasil também? Teria que comprar a licença da Grow ou da Megahouse? Eu não sei, apenas sei que motivos para não fazer isso preenchem 80% do lado de uma balança, mas caso queiramos sustentar um sonho (ou um delírio) podíamos pensar num abaixo assinado dizendo: “Volta Othello Brasil!” e torcer para que eles mordam a isca, porque convenhamos, Othello ta mais para isca do que para comida...

4 – Essa é a ideia que eu mais gosto, que tal contatar alguém que já mexe com isso? Digo, com eventos, campeonatos, com organizações e divulgação de campeonatos em geral... Alguém que tenha algum contrato com a prefeitura de sua cidade ou alguém que faça trabalhos voluntários em algum SESC da vida, uma pessoa que ganhe, ou que tenha tempo livre para fazer isso gratuitamente. E essas pessoas existem meu caro leitor e minha cara leitora. Nesse caso a idéia seria jogar a sementinha no terreno fértil para que depois viesse a germinar, e brotar e florir tudo a nossa volta. No começo seriam campeonatos com 6 a 10 pessoas, e olha que isso já é a nossa média nos últimos anos,  depois (e sabendo que é possível e permitido organizar até quatro campeonatos nacionais por ano de acordo com nas normas da WOF) teríamos campeonatos com 15 a 20 pessoas, depois com 30 e depois 40 pessoas! Já sonhou com isso? Isso é altamente possível dentro do cenário que eu imagino. Nessa a Grow poderia fazer empréstimos de tabuleiros para as competições, e nisso eles confiam na FBO (Federação Brasileira de Othello), tudo bem que essas competições seriam no Interior de São Paulo (ou em outros estados), mas depois de ter uma galera já “viciada” e conhecedora do jogo, teríamos automaticamente uma galera disposta, e a palavra é realmente essa, DISPOSTA a vir até a capital, mais especificamente na Ludus Luderia e participar do campeonato dentro de onde é mais tradicional. (Lembrando também que o Campeonato Brasileiro Oficial pode ser realizado em qualquer lugar do Brasil, não necessariamente somente em São Paulo.)

Certo, até agora discorri sobre a história do jogo, sobre o surgimento do copyright Othello, sobre a produção do jogo em grande escala em nosso país, e o surgimento da nossa federação. Bem como também falei da decadência do atual cenário e pormenorizei algumas ideias para extirpar essa total inércia em que estamos agora. No decorrer dos últimos três anos, que foi quando estive mais ativo mexendo os pauzinhos na federação, recebi alguns conselhos de amigos, e ideias  também, algumas sugestões foram ótimas porém notei que tinha um pouco de visão simplista e fora da realidade, e vejo que existem algumas ideias na mente dos jogadores que são um motivo real para que não aconteça o desprendimento entre o mundo virtual e o real quando se trata de jogar Reversi. E esse é um dos outros grandes motivos de não haver mais jogadores em nossos campeonatos.

Jogar por dinheiro

Reversi não é Xadrez, e portanto por mais que haja comparações em peculiaridades de ambos os públicos, dificilmente Reversi será tão popular quando o milenar Xadrez, não nessa encarnação se me permite a hipérbole, no mundo do Xadrez há séculos vêm acontecendo competições mundo à fora, chegou até mesmo na história mais recente ser peça exibidora e definidora na guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética, onde os soviéticos associavam a supremacia de seu partido e política socialista apontando seus campeões mundiais como fator ímpar de potência intelectual, veja como exemplo Kasparov, Karpov... E Estados Unidos com o magnífico Bobby Fischer, e ao menos na era moderna houve competições com dinheiro envolvido no meio, e isso, ao menos de forma documentada, nunca ocorreu com o Reversi, e se falarmos com Othello, não seria necessária mais de uma mão para contabilizar, e ainda assim no Japão e não fora dele. Outro fator é que a FBO, assim como as inúmeras federações e associações ao redor do mundo, são organizações sem fins lucrativos, ou seja, não há “faça me rir” na jogada meu caro(a).  A maioria esmagadora das pessoas que podemos chamar de entusiastas desse jogo magnífico, o é por paixão ao esporte (quero chamar de esporte, ok?) e não porque quer ganhar um din-din no final do ano para somar ao décimo terceiro ou poder comprar a lata de leito ninho para o filhote, seria nobre se pudéssemos realizar caridade, mas realmente não há dinheiro envolvido na federação, (a não ser com os colaboradores mais assíduos que gastam com compras de troféus ou passagens para viajar para as competições, mas tudo isso com dinheiro próprio e não da federação, que não existe) porém ok, “ e se fizéssemos arrecadações de dinheiro para uma espécie de cofre para com isso comprar premiações aos competidores?” Ótimo, mas para isso teríamos que ter colaboradores, correto? Por enquanto esse não é o cume da questão, então por hora a FBO será da forma que é, venha por entusiasmo ou amor ao jogo, não por dinheiro.

Vamos jogar no tabuleiro? _ Oi, me chamou?. Tabuleiro! Você quer jogar? Issoédecomer?

Algumas pessoas ainda sentem MUITA dificuldade para imaginar o que é jogar Reversi num tabuleiro, e por mais que seja uma experiência cediça para quem tem um em casa, é sim uma visão labiríntica a muitos, o sossego de ver as próprias peças viradas pelo programa de um tablete, smartphone ou website é tranquilizadora para boa parte dos jogadores, alguns não se imaginam, e se imaginam logo pensam que fariam errado, a ideia deles próprios virarem as próprias peças num tabuleiro parece a princípio absurdamente desconfortável para eles, então logo o chamado de participar de uma competição onde o instrumento de jogo será de plástico, mas sem qualquer microchip e não fará ligações, logo o desanima, e isso não deveria ser assim.

Sim, já houve a ideia de usar tabletes em competições oficiais, e foi lá na Europa, porém a ideia logo se extirpou por não haver uma alma que conseguisse doar 30 ou 40 peças dessas para a competição, logo teriam que ser limpas, pois sempre há o risco da pessoa trapacear se usar o próprio aparelho, ao menos é assim que eu penso. Então nada como o bom e velho tabuleiro, e minha dica é se você ainda vê ele com estranheza, compre um, não tá assim tão caro, compre aprenda e se divirta. E eu garanto, perderá não só o medo, mas também aprenderá a sentir o prazer que é desfrutar de jogar em um bom tabuleiro.

E agora um intervalo para os nossos patrocinadores!

Pois é, tem gente que acha que é assim tão fácil conseguir patrocinador, que o Brasil é o país do incentivo ao esporte, cultura e desenvolvimento e etc... Não, e vocês sabem que aqui no nosso país as coisas não são tão fáceis assim, não há verbas para cultura, lazer, educação, saúde, segurança, ciência e tecnologia, quem dirá para incentivo a um jogo de tabuleiro que nem é lá tão conhecido assim fora do mundo nerd e erudito. Quer dizer que é só mandar um email para a secretaria do esporte e voilá! Patrocinaremos o campeonato brasileiro de Othello, assinado: Sr. Ministro do esporte do governo federal, ou que seja algum secretário da prefeitura local... Não! Não é assim que acontece... E como já deixei claro acima, empresas privadas não querem patrocinar e divulgar um jogo “morto”, não é assim tão fácil, a não ser que você viva num mundo encantado de algum livro infantil onde coelhos falem, a realidade é bem diferente disso.

Se queremos conseguir algum patrocinador para bancar os nossos campeonatos, temos que “fazer rir” primeiro, temos que mostrar que vale a pena o investimento, que vale a pena pagar um licenciamento que custa a alma de mil gerações mundiais, mas que terá um retorno significativo, temos que divulgar o jogo em eventos (veja como os argentinos fazem), temos que ter vontade e não esse marasmo todo que é onde a FBO (onde eu me incluo) está, e principalmente os jogadores em geral estão, os jogadores que são viciados online também têm a sua responsabilidade, todos temos. Gente, nosso campeonato não deveria nunca ser apenas uma reunião protocolar, ou seja, algo para “firmar” o contrato com a WOF, com suas normas e diretrizes. Um dia me disseram que nós da FBO somos uma “panelinha”, que o campeonato é uma panelinha, mas eu respondi da mesma forma que vou escrever aqui, - O campeonato é aberto a todos, as ideias podem ser dadas por todos, o incentivo também, até mesmo sugestão e apoio para jogadores fora de São Paulo organizarem um campeonato brasileiro em seus respectivos estados foi dada, mas ninguém quis. Em resumo, como disse um colega nosso, quem acaba movendo tudo isso somos nós mesmos, concordei com ele, mas penso que não deveria ser assim.

Minhas conclusões

Eu realmente acredito que ta na hora de termos pessoas verdadeiramente emprenhadas com a FBO, e eu assumo que não tenho mais tanto tempo para isso, todos que estão no comando agora já fizeram muito, e como é uma coisa lógica todas as federações e associações tem que ter alguém no comando para não virar baderna, alguém com tempo livre e conhecimento, e principalmente VONTADE, sei que os protocolos existem, sei que há exigências a serem cumpridas, sei também que isso terá que ser ensinado para essa pessoa ou grupo de pessoas que estejam empenhadas em colocar a FBO em um outro patamar, essa pessoa não precisa ser presidente, secretário ou diretor, precisa apenas ser o guia para o caminho para um novo mundo, a Federação em minha opinião tem um dos melhores (ao menos no que diz de layout e estética)se não o melhor website para sua hospedagem, mas peca em ser instável e viver fora de sistema e ser pouco maleável, além de ser altamente dependente de terceiros para suas atualizações. Seja lá quem quiser ascender a federação terá que ter em mente algumas coisas que escrevi aqui nesse post, e nunca deixar de pedir a ajuda dos mais experientes, das pessoas que estão há mais tempo mexendo com isso, as pessoas que já conhecem os atalhos e têm alguns contatos pessoais “chave”, que sirva como facilitador para um bom empreendedorismo. É isso ai turma, já ouvi algumas propostas que pareciam bem legais, na verdade são legais, mas que nunca são aplicadas por falta de tempo de quem as propôs, mas nada impede delas renascerem como uma fagulha naquela chama quase apagada, temos que ter esperanças que coisas boas virão, e ter em mente sempre esse foco.

Valeu.

Links complementares


Reversi wikipédia

https://en.wikipedia.org/wiki/Reversi

Megahouse

http://www.megahouse.co.jp/megatoy/products/item/1563/





domingo, 25 de janeiro de 2015

terça-feira, 22 de abril de 2014

5 Anos do Blog Othello Classic




Bom dia a todos.

Só para não deixar essa data passar em branco, posto nesse dia uma singela homenagem ao quinto ano do Blog Othello Classic.

Já se foram 5 anos desde o dia em que comecei esse projeto, e ai está ele, um pouco de lado eu concordo, mas ainda sim útil a muita gente que goste de saber de assuntos relacionado ao jogo.

Bom, a todos meu muito obrigado.