segunda-feira, 20 de março de 2017

Reversi A Lá "Psiquê"




Bom dia a todos

Pessuar, eu quero abordar aqui três assuntos que de certa forma estão totalmente ligados à esfera psicológica humana, e que de forma bem simples inundam nossa psique antes que sejamos capazes de atinar qualquer reação possível em represália a elas. Pois bem, sabe quando você está lá jogando todo tranquilo e quando se da conta, jogadas e movimentos simples que sempre executou sem titubear de repente somem da sua cabeça?
Ou quando você se vê preso num ralo de lama tentando sair de uma situação específica no jogo e afundando cada vez mais? Ou pior, quando você encara um jogador que não sabe nem onde está e o que está fazendo, e pensa que o está jogando Pac-Man do Atari ao invés de Reversi, e começa a pegar todas as peças possíveis de uma só vez e de maneira rápida, causando te deixando totalmente confuso e desnorteado. É isso ai meu(minha) caro(a) amigo(a) leitor(ora), a primeira situação eu nomeio de inconstância natural, a segunda eu nomeio de vórtice do desespero e a terceira de Síndrome do Pac-Man, todas  são normais e podem acontecer com qualquer jogador, não importando o nível em que esteja no momento, então novatos e campeões mundiais podem sofrer o mesmo infortúnio, mesmo que seja em formas e graus diferentes. Vou abordar cada uma delas logo abaixo, a classificando e discorrendo um pouco sobre elas, talvez uma breve tipificação desses fenômenos.


Inconstância Natural

Eu costumo falar que uma das maneiras de se identificar um programeiro profissional é justamente a sua total constância rítmica de vitórias ininterrupta, quase sempre são adversários inexcedíveis, imbatíveis e inabaláveis, além de um ego megalomaníaco na maioria da vezes, caracterizando falta de empatia ou bom senso, (deixando beeem claro aqui que não existe só um tipo de “trapaceiro” virtual, esse que citei é o mais simples de se identificar, se eu abordar os outros tipos, vocês iriam ficar de queixo caído, é uma miscelânea de comportamentos traçados que podem fazer uma pessoa a se viciar em trapaça) Agora voltando ao assunto... Ou seja, há uma total dissonância entre a capacidade social do sujeito incluindo sua consciência emocional, com o lado cerebral que cuida das abstrações necessárias, ou seja, têm-se a impressão de que fatores sociais e emocionais não influenciam sua capacidade analítica de jogo, eu poderia dizer de uma maneira bem “porcamente” e reduzidamente, já que não sou dessa área, que de alguma forma o sistema límbico não conversa com o lobo frontal do sujeito, o que apontaria que:  Ou o jogador inabalável em questão sofreu alguma lesão cerebral que tenha desvinculado os dois conjuntos neurais de alguma forma, ou, e mais provavelmente, ele não necessita utilizar tais áreas cerebrais ligadas a cognição, pois o programa já faz isso por ele. Talvez eu não esteja conseguindo ser claro o suficiente, então vou resumir, até onde eu sei não há ser humano capaz de vencer todas as partidas, ser humano capaz de estar bem tanto no jogo quanto emocionalmente todos os dias da vida, sem estresse, sem derrotas e sem nada que seja considerado negativo e natural a vida humana. Na verdade, o normal seria quando falamos de Reversi ou qualquer outro tipo de jogo, DERROTAS E VITÓRIAS com alguns empates eventualmente; é justamente a isso que nomeio de: Inconstância Natural. Se você tem dias que perde todas, dias que perde menos, mas ainda assim está longe da forma ideal, e já em outro ganha quase todas as partidas, bem-vindo jovem, você é normal, você é um ser humano, não uma máquina.

Agora você pode me perguntar o seguinte: O que causa isso?

Como já deixei a pista da resposta acima, só me cabe agora complementar, e é justamente isso mais ou menos ai que você pensou, o lance de jogar bem/mal/regularmente em dias diferentes está ligado além de outros, a fatores sociais e naturais tais como o sono, alimentação, estresse, ansiosidade, irritabilidade e preocupações do dia a dia. Uma pessoa ansiosa por exemplo, não tem paciência para analisar o melhor movimento, o que o empurra para derrotas relacionadas aos pequenos erros somados sistematicamente durante uma partida, já o estressado quer às vezes ganhar sem pensar muito, quer ganhar no grito mesmo, o mal alimentado pode estar com falta de nutrientes necessários para maior flexibilidade do tecido neural, como por exemplo a vitamina C, que ajuda em vários benefícios nosso sistema nervoso central, além de aprimorar a “conversação” sináptica. E quem aqui nunca ouviu falar no famoso Omega 3? E antes que falem, não estou sendo patrocinado a nada não (risos), Tá legal, que também ajuda na memória e em outras coisas também. E nem preciso falar aqui do decadente nível intelectual de uma pessoa que esteja com um alto nível de estresse, né? O cérebro é incapaz de trabalhar adequadamente se não estiver bem cuidado, e isso é algo já sabido de todo mundo, não há novidade alguma nisso. E ainda irão me dizer: “Ah Fabrício, mas e se a pessoa não estiver estressada, ansiosa ou mal alimentada ou nada disso ai que você falou, ela não irá jogar bem e ganhar quase todos os dias?” Hummm... Não, não vai. Falo isso porque além disso tudo ainda teria a questão das habilidades, treinos, técnicas pessoais e nível de inteligência, e mesmo que o sujeito fosse o Einstein, existiria uma coisa da qual ele não poderia jamais escapar: A sua condição humana, e até onde eu sei, todo ser humano erra, logo ele perderia muitas vezes. O melhor e maior ser humano de todos, nunca deixou de ser humano acima de tudo. Como bem dizia Nietzsche: “Humano, demasiadamente humano”.

 E ai, e sobre os tais vórtices do desespero, afinal o que seria isso?

Vórtice do Desespero

Esse é até engraçado, e eu ainda vivo caindo nisso, como também adoro fazer com os outros assim que percebo que o oponente está tentando desesperadamente se agarrar a algo, que geralmente é uma pecinha específica no jogo que ele perde e tenta A QUALQUER preço recuperá-la, tentando colocá-la de volta no lugar, geralmente o jogador que faz ou que cai num vórtice do desespero conhece a técnica de acessos, sabe construir pontes no jogo para facilitar sua ida e acesso a outras regiões, e é justamente o seu conhecimento que o destrói. Pois uma vez vendo sua linda ponte destruída, tende a querer  reconstruí-la, muitas das vezes é sim possível, mas e quando não é? E pior, e quando o seu oponente é malicioso o suficiente para saber que não é possível fazer aquilo e usa isso contra você? Eu já presenciei esse fenômeno pela Internet algumas vezes, mas também no tabuleiro cara a cara com o meu oponente, e é incrível ver que realmente a pessoa faz cara de desespero e inquietude sem saber o que está acontecendo, mesmo que a coisa toda esteja estampada na cara dela! Gente, sempre que vocês perceberem que o seu oponente sistematicamente destrói suas jogadas da mesma forma, encare isso como um aviso, você pode estar num vórtice do desespero.
Então o que faço?

Bom, caso esteja em um é hora de mudar de direção, mude a jogada e vá para outro lado e caminho no tabuleiro de jogo, saia com cuidado para uma direção que o criador do vórtice não perceba, e ironicamente o vórtice que ele criou para você, servirá para catapultar ele próprio antes que ele perceba. Nesse jogo aprender como mudar de direção, assim como o vôo dos pássaros, pode ser mais importante que sua velocidade e força de vôo como um Caça.


A Síndrome do Pac-Man

Esse terceiro tema me faz lembrar do livro O Mágico de Oz, quando a casa de Dorothy que foi carregada pelo furacão, cai em cima da Bruxa Má do Leste e a mata. Acho que no jogo quando um jogador meio desastrado que age e joga de maneira tresloucada ganha de maneira tão súbita de um jogador bem mais habilidoso, é algo que só pode ser chamado de sorte mesmo. Esse jogo por mais técnico e abstrativo que seja, e por ser isento a dados ou sorteios como é em jogos como Pôker ou baralho, (e não estou dizendo que a sorte impere no jogo de Pôker por exemplo, que sei que a capacidade analítica e conhecimento percentual imperam mais que a pura sorte em si) tem ainda uma coisa que pode ser entendida como “sorte”, mas a sorte aqui não está no jogo, não está dentro do jogo, está fora. Acredito eu que se caso você jogar rápido pegando o maior número de peças possíveis, sem pensar em nada e apenas tomando cuidado para não entregar os cantos logo de cara, você poderá suscitar confusão no seu oponente, e mais uma vez, quase todos somos suscetíveis a esse tipo de manobra, é quase como uma hipnose, e antes que digam que hipnose é só Fabio Puentes e toda a falcatrua em torno disso, está enganado, para quem não sabe a hipnose é uma ciência, muito usada como ferramenta dentro da psicologia por exemplo, e ela trabalha “sugestões” e uma vez que mentalmente a pessoa está ligada ao mediador, ela pode entrar num estado diferente e alterado de consciência (não estou sendo místico, isso ainda é de esfera biológica-psicológica) então a meu ver, como naqueles casos em que o hipnólogo estala os dedos na frente da pessoa, a chamando de “João” por exemplo, enquanto lhe pergunta o seu nome, e a pessoa demonstra confusão e branco mental, sem conseguir responder o seu verdadeiro nome, nos mostra como o acesso à memória pode ser quebrado com um simples desvio visual ou auditivo, e é mais ou menos, e não tenho a pretensão de afirmar isso, que acontece quando você vê um jogador jogando rápido e virando todas as peças de maneira dissonante com aquilo que você habitualmente está acostumado a ver, nessa hora instintivamente temos o hábito de querer jogar rápido também, sem pensar muito no que fazer, ou de ficarmos atônitos a situação sem saber qual peça virar sem que o seu oponente destrua tudo num só movimento e acabe lhe zerando, vencendo a partida e deixando você sem nenhuma peça.

Então estou hipnotizado? O que fazer?

Se isso acontecer, pare e pense no próximo movimento, geralmente uma coisa que funciona bem comigo é fazer movimentos multidirecionais, como? Revertendo peças em duas direções ao mesmo tempo, à priori não se preocupe em como irá ficar a mobilidade do seu jogo, pois o seu oponente não saberá aproveitar isso em benefício próprio, por ter uma total falta de visão de jogo e não discernir entre virar uma peça ou outra, para ele todas são iguais e todas de uma vez melhor ainda, então depois disso e com uma boa posição em uma das bordas, a vitória será fácil. A não ser que você queira que a casa caia em cima de você, não também que eu esteja acusando alguém de bruxaria aqui. (risos) Faça isso e tente sempre manter a calma no jogo. É isso. J

Bom, é isso, continuem pensando, jogando e treinando.

E até a próxima.

Abraços

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Os Melhores Jogadores Brasileiros de Reversi, 2003 à 2017




Olá a todos, tudo bem?

Há exatos 6 anos, eu fiz uma postagem da qual na minha humilde opinião, eu dizia quem eram os melhores jogadores brasileiros de Othello/Reversi. Pois bem, lembro que essa lista deu um falatório só, algumas pessoas não ficaram satisfeitas e diziam coisas tais como: “Ah, mas fulano não está na lista?” ...  “Coloca sicrano, ele joga pra c...!” e até mesmo: “Oh, faltou eu nessa lista” [ironic/mode] creio eu. Mas isso tudo foi normal, pois não é nada fácil fazer uma lista arbitraria, subjetiva e pessoal e tentar agradar a todos, uma vez que minhas listas não agradam nem  a mim mesmo quando as leio no dia seguinte. Dessa vez, seis anos mais experiente e com mais bagagem analítica, estou um pouco mais seguro com meus palpites e, sim, são só palpites. Uma vez que não tive acesso a dados recentes de alguns desses jogadores, só posso especular em qual grau técnico o agente estava na última vez que o analisei, e qual impressão deixou impregnada em minha mente, dentre aqueles que pude analisar, em qual fase o analisei? Boa, regular ou má fase? Para isso o agente terá que contar com a sorte de ter jogado bem nos dias que pude analisá-lo, fora isso, posso acrescentar minhas impressões durante partidas que joguei contra o jogador, em momentos em que eu estive numa boa fase e detalhes característicos a cada jogador. Critérios como fluência, criatividade, esquema tático, capacidade de criar armadilhas (Vai desde de Stoner Trap, passando pelos Swinddle até Envenenar Discos), leque amplo de aberturas (jogadores que usam somente uma ou duas aberturas não se comparam aos que usam 5,6 ou 7 aberturas, mesmo que sejam bons, caem no critério da criatividade) forte posicionamento e etc... Outra coisa que conta muito é a assinatura jogabilística de classe, ou seja, o estilo do jogador, aquele “caractere” que só ele tem, o trejeito que o denuncia mesmo quando quer jogar anonimamente, todos temos isso e não importa se é bom ou mal jogador, mas obviamente pelo título da postagem, só levarei em conta os bons jogadores. Como poderão notar, por motivos obvieis eu não me coloquei na lista, não analisarei eu mesmo, seria tendencioso talvez.

Ironicamente essa lista é bem dividida entre jogadores do Flyordie e do PlayOk, 10/10, e isso não foi propositalmente não, foi apenas coincidência, mas não significa que os nicks flyordianos e playokianos estejam ativos ainda, pois alguns dos integrantes dessa seleta lista sumiram do mapa, infelizmente. Em comparação com a minha primeira lista, essa tem alguns nomes novos, jogadores que surgiram agora ou que simplesmente se desenvolveram somente agora, tais como Vitor Cid, Ricardo Brandão e Denis Ribeiro. Alguns membros da lista antiga decaíram um pouco e não estão mais nessa lista, tal como Daniel Dantas (ddantas – P), Henrique Oliveira (henrique1 – F), Suzane Petry (Sú – F) e Paulo Silva (bizonho21 – P). Nessa lista assim como na outra, só tem uma representante feminina, até mesmo porque ainda há uma certa predominância masculina nesse e em outros jogos de tabuleiro, mesmo que eu reconheça que existam magníficas jogadoras de Othello/Reveris pelo mundo, posso citar a Veronica Stenberg da Suécia, Velma Fu de Hong-Kong, Joanna William de Singapura dentre outras mais... Mas, ainda é raro ver mulheres se interessarem muito por esse jogo. (Talvez Nova Odessa mude um pouco isso, já estamos vendo progresso) Outra coisa sobre essa lista é que infelizmente tem jogadores que não participam do nosso circulo de amizade e divulgação, (mas tão pouco incomodam alguém hoje em dia) mas que mesmo assim seria injustiça da minha parte deixá-los de fora, só para citar dois: Jeffeson e Paulo Farina, por algum motivo nunca proferiram uma só palavra a nenhum dos jogadores que inocentemente fazem parte dos veteranos e iniciantes, por razões de privacidade (compreensível nos dias de hoje) ou turrice mesmo. Nessa lista também há outra coisa inusitada, tem um gringo. Pois é, o Pedro Jorge (le magnific – F) é português, mas como desde o início interagiu com os brasileiros super veteranos como Lucas, Adegar, Marcos e outros, acabou ficando meio abrasileirado, acabou fazendo parte da turma de brasileiros, até mesmo porque não há tantos jogadores portugueses de Othello/Reversi, por alguma razão incógnita... Um país que fica do lado da Espanha que tem uma excelente divulgação desse jogo, próximo à França, Itália e Alemanha por assim dizer, e nem sequer sabem que o jogo existe, é de se questionar mesmo. Nessa lista apenas três jogadores já participaram de algum campeonato de Othello oficial, são eles: Lucas Cherem, Jun Takemoto e Marcos Pires)todos os outros só jogam virtualmente, se você comparar a lista de jogadores do Ranting Oficial da Federação Brasileira de Othello, ainda sentirá uma discrepância enorme, um abismo que separa os jogadores virtuais dos jogadores do mundo real, infelizmente pelo motivo de muitos jogadores somente poderem jogar virtualmente, eles não conseguem oficializar seu nível junto a FBO, ou seja, são invisíveis perante a organização, não existem para ela e o mundo, a não ser virtualmente (não estou aqui dizendo que sejam obrigado a isso, ou que até mesmo queiram isso de fato, pois jogar tem significados diferentes entre as pessoas, alguns não trocariam o conforto de seu smartphone por nada nesse mundo, e é um direito deles, mesmo que eu pense diferente) e nem sempre quem joga no tabuleiro tem tempo ou companhia para poder jogar, já o jogador de Internet sempre tem adversários, o que no final resulta com jogadores masters virtuais (treinados pelo excesso de partidas jogadas) e jogadores do mundo real (sem muitos adversários, sem muito treino, sem tantas habilidades) ou seja, o ranting de qualquer federação ou associação no mundo, terá esse mesmo problema, o problema da lista de ranting não representar a realidade. Enfim, essa é a lista, hoje dia 28 de Fevereiro de 2017, atualizando a lista de 28 de Fevereiro de 2011, o que mudou? Confira e tire suas conclusões.
J

Melhores Jogadores de Othello/Reversi, Lista de 28 de Fevereiro de 2017
A Letra "F" representa os jogadores cadastrados preferencialmente no Flyordie, e a letra "P" no PlayOk.

1 – Dennis Medeiros                       (johnnyherbert – P)
2 – Adrian                                         (buyo – P)
 Jun Takemoto                              (hattori – P)
4 – Anuar Haddad “Salim”             (StepMan – F)
5 – Lucas Cherem                            (carlbarks2003 – P)
6 –  Guilherme Chyodetto “Satto”  (REVERSIIMASTER – F)
7 – Robson “Robão”                        (robão – F)
8 – Rose Matsumoto                       (Rose – F)
9 – Ricardo Brandão                      (BUJUVALO – F)
10 - Denis Ribeiro                             (Fora Dilma – F)
11 – Marcos Pires “K-Marão”         (reversisp – P)
12 – Vitor Cid                                     (lordvitor3 – P)
13 – Pedro Jorge                               (le magnific – F)
14 – Peter Buchan                            (bossa0nova – P)
15 – Rubens Pereira                         (captainsnake – P)
16 - Paulo Farina                              (grandep1 – P)
17 – Jefferson                                   (Jeffersontmc – F)
18 – Carlos Roberto                         (745i – F)
19 – Adegar Alves                            (admiib – P)

20 - Henrique Oliveira                     (henrique1 - F)

Adendo Especial

Alguns jogadores que marcaram dentro da minha trajetória não aparecem na lista, mas gostaria de deixar algumas referências aqui para vocês.

Lembro que quando eu estava aprendendo a jogar, não em 2004, mas lá para 2007 que eu tinha me cadastrado no Flyordie a menos de um ano, eu tinha um terrível adversário! O nome desse cara era Wagner, e eu, um novato que mal sabia alguma coisa do jogo, dentro da minha concepção, ele jogava demais. Ele não era do Reversi, ele era do Xadrez, e por isso ele tinha bastante visão de posicionamento do qual eu não tinha, nossa... como era difícil jogar com esse cara... Partidas travadas, cheio de cunhas (uma ou mais peças suas isoladas entre peças adversárias nas bordas) cheio de indecisão, um monte de medo de ter que entregar o canto (perder o canto naquela época era sinônimo de derrota dentro de minhas limitações), mas como era bom jogar com esse cara, ah era. Ele sempre vinha com uma torcida a favor dele, uma tal de Andreia que era sua namorada, eu com meu orgulhoso nick com escudo azul, vs o enxadrista de escudo verde provavelmente, era um jogão! E ele não gostava de perder perto da namorada, o que me ferrava mais ainda, pois era ainda mais difícil derrotá-lo, no final ficava meio que empatado nas vitórias ou empates para cada um, não me lembro mais. Infelizmente esse cara sumiu, é uma pena. Hoje ele teria bem mais dificuldade de me derrotar, eu garanto. (risos)

Outro jogador que eu me lembro bem, não era do mundo virtual, mas sim do âmago da minha própria família, no caso um antigo cunhado meu, que vivia a disputar o antigo celular do meu pai comigo, quando não era eu que estava jogando Othello no ancião celular da LG de 2004, era ele. Haja bateria! Ele era viciado mesmo em Reversi, jogava muito ali sozinho contra o próprio celular, ele deveria estar descobrindo as nuances do jogo igual a mim e na mesma época, mas, ironicamente eu nunca joguei contra ele na minha vida, sei lá o porque, afinal oportunidade não faltavam. Mas com o tempo infelizmente as coisas mudaram, e perdemos o contato com ele, era um cara legal, quem sabe um dia retorne e possamos jogar a partida tão esperada? Fica ai dica.



Ah, essa eu não poderia deixar de citar aqui, pois faz tempo que eu a conheço e jogo com ela, já jogamos em vários sites, olha um pouco da lista ai: Flyordie, PlayOk, Ludoteka, Game Twist, Buho 21, Our, Game Desire, em Smartphones e tabuleiros pessoalmente e por ai vai, eu a conheci em um outro jogo quando num lindo dia de sábado eu estava navegando na Internet, foi lá no jogo Gomoku dentro do Flyordie mesmo, ela que também não era de lá, (era do Conexão 4) me chamou a atenção, e ai estamos. Devo ter jogado umas 300 partidas ou mais com ela, ganhei e perdi um monte, mas a ensinei bastante, e num dia muito especial de 2014, ela resolveu participar do Torneio do Flyordie, e né que ela ganhou?! Pois bem, essa é minha linda aluna, Jacqueline Batista. Exímia jogadora viu, fica esperto não pá vê. (risos)


Bom pessoal, vou ficando por aqui, espero que tenham curtido a lista e o meu adendo.

É isso ai, e te a próxima.

Valeu!

Ah, e não entenderam a alusão que fiz na imagem de capa da postagem do time do Real Madrid da Espanha com  Ronaldo, Beckham e Zidane? Afinal, a lista é de brasileiros, não de espanhóis (Tá, eu sei que o Ronaldo é brasileiro e Beckham e Zidane não são espanhóis)... Mas explico, caso você não saiba nada sobre futebol ou seja muito novo para ter conhecido esse time, esse era o Time das Estrelas, igualzinho a lista que fiz. :)

Abraços


Link da postagem antiga, de 28 de Fevereiro de 2011

http://othelloclassic.blogspot.com.br/2011/02/especial-afinal-quem-sao-os-melhores.html

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Reversi, Entre Especialistas e Especiais



Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Na minha postagem sobre a disseminação do jogo Reversi, que fiz em dezembro de 2015 eu propus a iniciativa de marketing agressivo, que na verdade já era algo praticado em todas as prefeituras do Brasil que divulgam esportes, mas eu sabia que se a coisa toda teria que fluir, seria dessa forma e não de outra, como por exemplo, a proposta de patrocínio empresarial que seria magnífica porém, pela falta de interesse de empresas que trabalham com jogos de tabuleiro ficaria inviável conseguir algum tipo de incentivo. Pois bem, ao menos com as prefeituras de Nova Odessa e toda a região, o negócio todo vingou e foi um sucesso. Então, qual a próxima etapa? Obviamente se alastrar para todo o país; já se tem uma ideia de um divulgador em Campos dos Goytacazes no Rio de Janeiro, que seria o Alamir Jr. e quem sabe até mesmo no nordeste, com Martinho Santos, lá em Penedo no Estado de Alagoas, e com o tempo teremos outros Estados participando de toda essa empreitada, isso tudo virá naturalmente, desde que haja paixão na divulgação.

Quando em abril de 2009 eu resolvi criar esse blog, meu intuito inicial era justamente querer tirar as pessoas aqui no Brasil dessa inércia desinformativa, onde permeava a ideia do Reversi online, e apenas esse sentido era interpretado por todos que jogavam o jogo, o cenário imaginativo era limitado, estreito e com poucas influências, então resolvi fazer minha parte e mostrar a todos que também havia um mundo real onde as pessoas poderiam jogar, sociabilizar e aprender mais sobre o jogo, havia um mundo de tabuleiros e pessoas reais. Mas sinceramente quando resolvi fazer trocentas postagens sobre um só assunto, o fiz por prazer e por hobby, e durante muito tempo nem sequer haviam comentários nos meus posts, e eu não ligava ao ponto de querer parar, o motor da minha construção era somente o amor que eu tinha ao jogo, e a minha vontade inerente de ensinar. Tão somente isso já era necessário.

Eu me sinto gratificado quando vira e mexe aparece alguém fazendo perguntas ou simplesmente usando alguma postagem minha para fazer algum tipo de trabalho escolar, (sim, a galera de TI gosta das minhas postagens sobre Inteligência Artificial aplicada a construção de programas de Reversi, mesmo que eu seja um completo leigo no assunto) isso pessoalmente já é um prêmio que eu aprecio muito, e como eu disse antes, faço por amor e hobby e isso já basta. Mas talvez alguém pergunte: E se você ganhasse financeiramente pelo seu trabalho no blog, você gostaria? A resposta para isso obviamente que é sim, e inclusive já até pensei nisso, mas como esse tema (Othello/Reversi) não é um tema que atrairia muita gente, e eu não gostaria de transformar o meu ritmo de postagens em uma programática, eu nem precisei de mais de 2 minutos para descartar a ideia, prefiro do jeito que está agora mesmo, gratuito e livre.

Bom, então com o surgimento do facebook com  força total aqui no Brasil, eu deixei um pouco o blog de lado e me dediquei a postar informações nos grupos do Face., era mais prático e a informação chegava a mais gente, e foi assim durante um bom tempo, até que esfriou também, vi que nem todo mundo que estava no grupo realmente participava do mesmo (Por que “participar” de um grupo onde ficam até oito meses sem ver publicações? #desinteresse) Então resolvi parar a divulgação em alguns desses grupos, me foquei no Whatsapp (droga) e eu sinceramente não imaginava que grupos de Whats poderiam ser tão fúteis para qualquer coisa que você pense, de inicio até que todos interagem bem, depois vira baderna e fogem completamente ao assunto, por isso já sai de uns dois grupos e desativei uns dois meus também, pois bem... A saga continua. Até mesmo antes do Whatsapp, eu já havia começado a fazer vídeos para o Youtube, isso lá para outubro de 2014, e o canal está lá até hoje com seus 50 vídeos! Ensinei estratégias e seus nomes, divulguei campeonatos e os expliquei, divulguei livros e até fiz três vídeos dedicados a analises de estratégias do livro de Brian Rose, e tudo isso por amor ao jogo, e de verdade, fiz porque gosto e ponto final.
Tive que escrever toda essa “bíblia” para deixar bem claro o meu posicionamento referente ao assunto, nunca ganhei dinheiro par fazer qualquer tipo de divulgação, e sinceramente não preciso, mas... Lembram daquela perguntinha lá em cima? Pois é, vou reformular ela a um contexto geral, lá vai: Você gostaria de ganhar pelo seu “trabalho”, gostaria de trabalhar com isso e viver disso? Sim, eu gostaria. Quem não gostaria de trabalhar com o que gosta? Para quem tem algum tipo de dificuldade de abstração ou até mesmo porque eu não esteja sendo claro exatamente, explico. Muita molecada, talvez não mais nos dias de hoje, mas na minha época era normal em qualquer lugar que você fosse, ver  crianças e adolescentes jogando bola na rua, bola de plasticão mesmo, bola de capotão, ou bola de meia, com certeza alguns deles devem até mesmo ter tentado entrar numa escolinha, ou tentado a sorte de treinar num clube grande, passando por todos os tipos de peneiras que existiam, e com certeza somente um séquito conseguiu isso, uma quantidade pífia que em porcentagens deveria e é cerca de uns 5% dos que tentam e tentaram, mas aos que não conseguiram passar no teste, você acha mesmo que eles deixaram de gostar de jogar futebol? É claro que não! Eles gostam ainda, e muitos viraram os tais “tiozinhos das peladas de final de semana” que com certeza terá alguns exemplares ai perto de você nesse exato momento. Esportes tradicionais como Futebol, Vôlei, Basquete e Handebol por exemplo, têm boas estruturas, e consequentemente federações, e confederações que lhe representam e pagam os atletas devido ao incentivo massivo do governo e patrocínio empresarial. Mas os atletas jogam somente por dinheiro? Você realmente acha isso? Quiçá hajam mercenários no meio, aqueles que realmente jogam por dinheiro e nada mais, ainda assim a maioria esmagadora dos jogadores de qualquer esporte o fazem por paixão, que claramente por acabar se tornando o seu ganha pão, vêm com todos os probleminhas encaixotados que tem em qualquer profissão que você queira traçar, mas que mesmo assim, ainda deve ser o sonho realizado desses jogadores, pois todos trabalham com o que gostam de fazer. Lembro de uma entrevista do Oscar Schmidt, onde ele disse certa vez que se sentia gratificado, (não exatamente essa palavra) por poder fazer o que gosta e ainda ser pago por isso. O que o veterano jogador de Basquete disse, acaba por representar quase todos os esportistas do mundo em qualquer modalidade em que você possa imaginar, (também representa alguns empresários que trabalham com aquilo que gostam e etc.)  e não seria diferente para jogadores de jogos de tabuleiro também.

Qual é o jogo de tabuleiro mais famoso ao menos aqui no ocidente?

Sim, é o Xadrez. Eu gosto de usar esse jogo como exemplo de quase tudo, por ser um jogo bem sucedido em todos os quesitos que se possa imaginar, comércio, mídia, livros, artistas, filmes, desenhos animados, divulgação científica, guerra fria e em tudo mais que você possa imaginar esse jogo já botou “os pés”, então é mister falar que se tem um esporte intelectual onde existem jogadores assalariados, esse esporte seria o ápice, mas mesmo assim está longe de ter um salário justo a profissão, eu tinha lido uma entrevista com o Rafael Leitão (na época pentacampeão brasileiro, hoje é heptacampeão brasileiro de Xadrez) e reli novamente hoje, onde ele disse que o sonho de viver apenas do Xadrez aqui no Brasil era algo longe de ser alcançado pela falta de apoio do governo, no caso dele ele vivia de aulas e viagens a competições fora do Brasil, tão somente assim ele poderia alcançar alguma coisa justa, um salário justo. Então daí já temos uma breve ideia de que se é assim com o Xadrez, que não duvido estar diferente nos dias de hoje, imagina com os outros jogos? Isso tudo talvez se deva ao fato do lance de “economia”  adotada por diversas prefeituras. Em uma pesquisa recente sobre professores de Xadrez, me deparei com o pronunciamento de Luiz Antônio Leite, presidente do Clube de Xadrez de Belo Horizonte, referente a falta de apoio da prefeitura de sua cidade, onde ele disse que o problema de quem conhece o jogo, sabe jogar e ensinar o jogo de verdade é que as prefeituras em geral preferem dar o título de professor de Xadrez a quem já está na lista de pagamentos da mesma, como por exemplo um professor de matemática. Então quem acaba dando aula de Xadrez não é o cara que entende do jogo, e sim alguém que não tem intimidade alguma com o mesmo. Como disse Luiz Antônio Leite: “ Saber jogar Xadrez, não é a mesma coisa de saber ensinar Xadrez” afirma. E isso também se aplicaria a qualquer jogo que você possa imaginar, e o jogo Reversi está nessa lista. Ainda nessa mesma reportagem ele disse que teve sim uma união entre o governo do Estado de Minas Gerais, e o Clube de Xadrez de Belo Horizonte, onde promoveram um curso de 250 horas/aula e cadastrou e capacitou alguns instrutores de Xadrez, mas como as escolas ligadas a prefeitura não exigem esse curso, o curso em si acaba por se tornar algo inútil.

Então em suma, temos aqui o entrave insípido, que é a questão do apoio incompleto das prefeituras. Entendo que ao menos no caso do jogo Reversi, sem elas as coisas por aqui não teriam chegado tão cedo aonde chegou,  porém essa barreira poderia ser quebrada, pois sabemos que é quase impossível apenas um professor, bom e especialista em apenas um jogo, conhecer com o mesmo afinco todos os jogos que ministra, o correto no meu modo de ver, seria primeiramente a valorização da secretaria de esportes, evitando qualquer corte em investimentos das mesmas e se investindo mais nelas, para que tivessem meios de trabalhar com conhecedores e especialistas dos jogos e esportes ensinados. E sim, assalariando por exemplo, um professor de Xadrez que seja verdadeiramente um especialista e estudioso do jogo, não o professor de Geografia que por acaso foi convocado a dar aulas de Xadrez como uma espécie de tapa buracos. Voltando ao assunto, como eu disse acima, faço o que faço por amor ao jogo, mas se eu pudesse ganhar para fazer o que eu gosto por que não aceitaria? E em relação ao jogo Reversi, existem alguns especialistas e gente com vontade de ensinar que também aceitariam o convite numa boa. Espero que futuramente haja uma união integral entre prefeituras e FBO, para que possamos realmente ensinar de verdade e formar campeões, que para “nascerem”, precisam primeiramente gostar de verdade do jogo, (leiam minha última postagem no blog, está logo abaixo dessa) e uma vez tendo ajuda especializada, tenderão a progredirem de maneira rápida, uma união integral entre as duas entidades, governamental e lúdica formará uma “sopa pré-biótica” que germinará em algo realmente sólido. O jogo Reversi, assim como todos os jogos, são suficientes por si só, todos os jogos podem ser usados como ferramentas para algo, como por exemplo: Estimulador de experimentação lúdica, para através de um jogo específico, a pessoas acabem se interessando por outros jogos, e por todo o mundo dos jogos de tabuleiro, ou até mesmo pode ser usado para testes clínicos como já li certa vez (Usaram o jogo Reversi em um teste “anedótico” de exame e funcionamento do cérebro de crianças com a Síndrome de Déficit de Atenção, constatando que o jogo melhora a memória de trabalho dos portadores desse transtorno) ou seja, o jogo pode até ser usado para outros fins, mas se você quiser fazer algo despertar na mente de uma criança ou adulto, referente o jogo Reversi, você tem que fazê-lo sentir a essência DESSE JOGO, não apenas o usando como ponte para algo, mas como parte fundamental de um todo, jogar Reversi é bom porque é incrível, não porque é o mais fácil. Com essa mentalidade, poderemos formar verdadeiros campeões de Othello no futuro, com a junção do querer aprender do poder ensinar, teremos maiores progressos no aspecto qualificativo, não somente no quantitativo.

Vou ficando por aqui, e até mais.

Alguns links:

Como vive o maior enxadrista do Brasil?

http://www.elhombre.com.br/como-vive-o-maior-enxadrista-do-brasil/

Professor de Xadrez Busca Profissionalização

http://www.otempo.com.br/capa/economia/professor-de-xadrez-busca-profissionaliza%C3%A7%C3%A3o-1.297392

sábado, 11 de fevereiro de 2017

E ai, como anda a sua técnica?



E ai, como anda a sua técnica?


Já tem um tempo em que venho observando a evolução de jogadores novatos e antigos, e por mais que a grande maioria evolua, não importando se pouco ou muito, um fato é percebido: Há evolução. Porém, tem aqueles que a palavra evolução parece desaparecer gradualmente com o tempo, até não restar absolutamente nada. E é sobre estes que eu vou discorrer aqui nessa postagem, que não tem o intuito de depreciar os talentos ou a falta de tato para algum jogo específico de ninguém, mas sim, questionar se tais jogadores estão verdadeiramente “jogando” ou apenas clicando o mouse do computador, essa postagem indaga se alguns jogadores verdadeiramente gostam do jogo Reversi, e de toda a sua nuance estratégica ou se apenas não encontraram nada melhor como válvula de escape, algo para poder passar o tempo, e nada mais. Se você é um jogador que joga Reversi por jogar, e não tem interesse em aprender nada sobre o jogo, e que usa o jogo como um artifício elaborado de relaxamento, ok... É um direito seu, e ninguém tem nada a ver com isso; mas se você verdadeiramente gosta do jogo e tenta melhorar, e não consegue evoluir para um grau satisfatório, talvez essa postagem seja para você.

Como vocês já perceberam, irei me focar nos jogadores virtuais, por oferecerem maior alcance de análise, e de maior empírica. Mas antes de mais nada, vou começar falando de mim, e de como o processo de aprendizado emergiu aos poucos dentro de minha mente e de como ainda borbulha algo a cada dia. Eu conheci o jogo num celular antigo da LG, e curiosamente já o conheci com o nome patenteado Othello, coisa rara de se imaginar, pois até mesmo nos dias de hoje com toda a divulgação e emaranhado de apps para se baixar no Android e IOS, o nome mais utilizado é ainda “Reversi”, por mais que tenham alguns “Othello” os programadores preferem evitar problemas e usar o nome mais genérico, então foi algo hilário eu ter conhecido logo na primeira oportunidade o jogo com o nome mais comercializado. Pois bem, peguei o celular e na função 9, que era destinado a jogos, encontrei o único jogo que lá tinha, e com uma imagem personalizada que aparecia de um lápis vermelho (menino) e um lápis amarelo (menina), antes de começar a partida, eu não fazia ideia do que me esperava, e foi então que o jogo começou. Eu não lembro quanto tempo demorei a entender o que tinha que fazer, mas me lembro claramente que depois de jogar algumas, eu achei que o fundo da tela de jogo, onde uma das imagens que aparecia era justamente os Moinhos de Vento da Holanda, tinha algo a ver com o jogo, ideia que logo após se mostrou nonsense. Mas joguei, joguei e joguei, e cheguei à conclusão sozinho que o canto por algum motivo era importante, depois bolei estratégias para não perder o canto, e outras para tentar pegar o canto, coisa da qual fazia chiar o meu cérebro, lembro que comecei desafiando vizinhos a jogar comigo, e depois de um tempo quando vi que não evoluía e perdia costumeiramente para o celular, abandonei o jogo por uns 2 anos, e quando voltei já foi jogando no Flyordie, onde aprendi algumas técnicas, e toda hora eu ia lá na comunidade do Orkut “Othello/Reversi”, onde eu lia o que falavam sobre estratégia ou livros, além de sempre me encantar com o tabuleiro da Grow que usavam como imagem do grupo, isso tudo em 2006, 2007 e 2008, que foi quando eu imprimi toda a metade final do livro do Brian Rose e comecei a ler e a treinar, sozinho mais focado, além de estar sempre jogando, além de tentar imitar jogadas de programas, e foi assim que a coisa toda foi sendo absorvida por mim, e até hoje eu treino e jogo, e posso dizer que aprendi muito a jogar esse jogo, e ainda descubro nuances novas. Mas se engana quem acha que evolução está ligada somente em quantidade de partidas jogadas, leitura ou quantos vídeos sobre o jogo já assistiu, evolução tem um algo mais, ou... Alguns “algo a mais”, que é o ponto onde eu queria chegar.

Existe um jogador lá no Flyordie, que acredito usar dois nicks, tenho lá minhas dúvidas se são ou não a mesma pessoa, mas tendo a um grau confortável a dizer que sim, é a mesma pessoa. Então, para facilitar, desse ponto em diante, vou tratar os dois nicks como sendo oficiais a um só individuo, para não causar confusões. O jogador em pauta,  já jogou mais de 30 mil partidas com um nick e mais de 27 mil partidas com o outro nick!  O que daria mais de 57 mil partidas jogadas! Se você parar para pensar bem, é um número assustador. Porém, o nível do jogador em questão, que joga com um dos nicks desde 2006 é vergonhosamente irrisório, não há evolução alguma, além de ser uma personalidade ignara, que costuma falar palavrões na primeira oportunidade que tem; o que me leva a outra questão (não exatamente pelos palavrões, eu também falo às vezes), mas pela falta de sensibilidade com as coisas ao seu redor, que denota uma falta grave de faculdades intelectuais, que em outras palavras, é o que chamamos de “pessoa ignorante”, não há como falarmos, ao menos dentro da esfera intelectual,  que somos todos iguais, pois definitivamente, não somos. Por outro lado, há aqueles que buscam o conhecimento não exatamente jogando, mas apenas lendo e vendo vídeos sobre o lado teórico do jogo, esses eu posso chamar de pessoas inteligentes, mas estes têm ainda uma dificuldade imensurável de transportar o lado teórico para o prático, muitas vezes se perdem em conceitos que não são somente para serem falados, e sim sentidos durante o jogo, Reversi é um jogo que precisa ser sentido, você precisa ter o “timming”, ou você acabará explicando como o coração bombeia o sangue e os nomes de todas as artérias que o envolvem, quando alguém simplesmente lhe perguntar: “O que faço, estou com uma tristeza no ‘coração?’” Ou seja, você nunca entenderá a essência da coisa, e começará a enxergar e a papagaiar “tecniquês” pra lá e pra cá, sem saber colocar nada daquilo em prática, então logo concluo que não é somente esse o caminho.

Para jogar bem não basta apenas ler, ver vídeos e jogar mais de 60 mil partidas durante um longo tempo, pois existe um outro ingrediente dentro dessa história, que está intrinsecamente ligada com sua psique, não acho que seja algo que venha do lado consciente do cérebro, mas de um conjunto  que escapa a suas decisões racionais, que é o “gostar”, pois se eu pudesse escolher ser bom em um jogo, eu com certeza escolheria o Xadrez, mas eu não gosto assim tanto desse jogo, apesar de achar a história em sua volta fascinante, e ser algo realmente deslumbrante ver os grandes gênios enxadristas jogarem, mas não é a minha praia. Eu poderia escolher ser bom em Damas, mas eu nunca gostei de jogar Damas, nunca fui bom nisso, ou eu poderia escolher ser bom em Dominó, Pôker ou qualquer uma das modalidades do Baralhão (Seis! Seis!) a parte do número seis ai é o que eu ouvia quando via aqueles tiozinhos jogando por ai, não sei até hoje do que se trata, apesar de já terem me explicado há um tempo, esqueci. Mas não, eu não sei nada ou quase nada sobre esses jogos populares, mas eu queria gostar de jogar qualquer um desses, e ser bom, mas o jogo que eu gosto é o Reversi, e sendo popular ou não, lá estou eu jogando. Mas por que isso? Agora atente muito para o que eu vou escrever aqui, sabe por que eu jogo Reversi e treino Reversi e outro jogo não? Porque foi o jogo quem me escolheu, não fui eu que escolhi o jogo. Cada jogo tem suas características particulares, que atiçam algo em sua mente e o chama para a vontade de jogar ou não, quando você vê já está prezo ao jogo, e todo o mecanismo de recompensa disparada por estímulos em seu cérebro já fica acesa, então temos aqui um ingrediente importantíssimo para ser bom em qualquer jogo que você venha a jogar em sua vida, o “gostar” do jogo.

E como saber se você gosta ou não de um jogo?

Bom, quando você está jogando um determinado jogo sente alguma alteração de emoção intensa quando vence? Algo como desafio superado,  algo como mais uma etapa vencida e o sentimento de dever cumprido? Quando você vê, percebe que está a mais de uma hora jogando o mesmo jogo e fica chateado quando perde e hiper feliz quando vence? Você quer sempre saber mais sobre o jogo, seja sozinho ou lendo e vendo vídeos? (Essa última característica é um Non sequitur, ou seja, não necessariamente uma pessoa que goste muito do jogo, queira estudar algo sobre ele.) Se você tem todas ou somente algumas, mas bem vivenciadas dessas características comportamentais em relação a um jogo, é bem provável e falo com uma certa segurança, que você goste do jogo. Então uma vez que descobriste sua paixão lúdica, estará livre para o desenvolvimento natural, sem engodos ou necessidades de estímulos externos como muleta, somente absorverá o necessário para caminhar por conta própria, que é exatamente o que não acontece quando você descobre que joga determinado jogo tão somente por jogar, ou somente como método profissional ou ferramenta profissional. Nesses casos o desenvolvimento será tecido com muitos buracos na renda, com pouca destreza, e a uma velocidade pusilânime, até estacar.

O jogo e o prazer que sentimos o jogando nascem naturalmente, não decidimos exatamente gostar de algo, simplesmente gostamos e ponto final. Consequentemente o amadurecimento decorrente da prática também virá, e quando notar, estará jogando muito melhor do que estava um ano antes, ou dois anos antes e assim consecutivamente. Se realmente gosta do jogo Reversi, tenha calma e continue jogando e praticando que a técnica virá com o tempo naturalmente, mas se percebe que o jogo não se encaixa em suas preferências pessoais, e que você talvez jogue uma, duas ou nenhuma vez durante uma semana, jogando talvez umas 4 ou 5 vezes por mês, realmente você dificilmente será um bom jogador(a), e a não ser que realmente não tenha achado outro jogo melhor para jogar, ao menos entenda suas dificuldades de aprendizado no Reversi, e tente melhorar ou aceitar suas limitações. Que a propósito foi o que o jogador citado logo no início desse post, com suas mais de 57 mil partidas mal jogadas fez, aceitou que é incapaz de aprender a jogar, e rechaça com todas as forças qualquer dica que lhe dê sobre estratégia, lembro uma vez que o convidei para participar do nosso grupo no Facebook ou no Whatsapp, já não me lembro, e ele literalmente me respondeu com um belíssimo palavrão com a tecla Capslock apertada!  Oh céus... Realmente vejo que com algumas exceções, o nível de abstração racional de alguns jogadores de Reversi, é intrinsecamente ligado ao nível de empatia, educação e sociabilização do individuo (não quero aqui dizer que pessoas pouco comunicativas sejam fadadas ao fracasso nesse jogo, pois eu posso ser “caladão”, mas tenho empatia) Ao menos usando o site Flyordie como ferramenta empírica, noto que os melhores jogadores brasileiros (isso também se aplica aos estrangeiros e com as mesmas exceções, com ressalva aos programeiros, que têm uma alta pontuação e baixa empatia, pois são trapaceiros) que ali estiveram desde 2006, eram de alguma forma simpáticos, e/ou comunicativos, e a grande maioria tinham empatia e educação com os pares, em contrapartida, os piores jogadores brasileiros eram (e são) invariavelmente mal educados, falastrões e ofendem de maneira gratuita qualquer um que se aproximavam e se aproximam deles, sem falar dos que nunca respondem absolutamente nada, os que são totalmente indiferentes aos demais. Mas  atenção ao que eu vou dizer: Estou me referindo a jogadores que já entraram no automático, que jogam por jogar e são viciados em virar as bolinhas brancas em pretas e vice e versa, NÃO ME REFIRO a quem está aprendendo ou tentando aprender esse jogo há pouco tempo, um ou dois anos, e que ainda não descobriu se esse jogo é ou não a sua praia, NESSES casos os jogadores podem não jogar bem ainda, e mesmo assim serem pessoas agradabilíssimas e com um nível de educação do qual eu pessoalmente demorarei muito ainda a atingir, essas pessoas que estão aprendendo agora, dos quais eu pude conhecer, quase 100% são pessoas do qual eu tenho um bom apreço e respeito. O que é bem diferente aos jogadores com 8, 9, 10 anos ou mais de “prática” e que não aprendeu nada ainda, por alguma barreira cognitiva, que é a que eu noto quando vejo uma lista infindável de brasileiros (e portugueses) que pude analisar.

É isso pessoal, eu vou ficando por aqui, e faça essa pergunta a si mesmo: “Eu gosto mesmo de jogar Reversi, ou é apenas um passa-tempo qualquer que eu jogo?” Se sua resposta for sim, eu gosto de jogar Reversi, fique calmo(a) que a técnica irá vir com o tempo, mas se não, você não gosta tanto assim de jogar Reversi, a sua técnica poderá até vir um dia, mas isso poderá demorar muito tempo.

Obrigado e abraços a todos.

Até

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Divagando... Seja Bem-Vindo 2017!





E ai, beleza?

Pessoal, sabe quando você quer publicar alguma coisa; alguma ideia ou reflexão para enfim estrear seu blog ou a timeline do seu Facebook em 2017 e nada lhe vem à mente? Pois bem, aqui estou eu. Eu decidi então meio que num décimo de segundo falar sobre coisas banais, ou relevante até certo ponto no que tange a história do jogo/e ou desse humilde editor que aqui vos escreve, mas atenção: Tudo dentro do encantado mundo reversiano, ok?

Comecemos então, e já com uma paulada! Quem estava certo afinal naquela disputa centenária na terra da rainha, Lewis ou Mollett?

Não pretendo nesse post me aprofundar muito em temas já abordados aqui nesse blog no passado, onde com toda a certeza esse tema já foi (http://othelloclassic.blogspot.com.br/2011/07/quem-inventou-o-othello-mollett.html) porém por que não contribuir com mais alguns centavos de novo? Na época em que escrevi este artigo, eu não tive acesso a dados dos quais obtive de uns tempos para cá, o que tece um quadradinho aqui e outro ali na costura, mas não modifica muito a roupa, ou seja, ainda continuo com a mesma opinião de antes, porém um pouco mais anestesiada com uma dose de incerteza e com as mesmas convicções circunstanciais de sempre. Sim, eu acho que quem inventou o jogo Reversi foi John Mollett, mas se chamava “Annexation”, como eu disse tempos atrás, era um tabuleiro em formato de cruz (Já vi tabuleiros octogonais do final do século de 1800, e atualmente a MegaHouse também lançou os seus) e “DEVIA” ter configurações de regras similares ao posterior “Reversi” de Lewis Waterman, que tinham essas configurações, por ser uma semi-cópia, mas acredito eu que a burrada de Mollett foi ter ele a partir desse momento, largar o tabuleiro em formato de cruz, e relançar o jogo com o mesmo formato de tabuleiro de Waterman, mas agora com o nome de “Annex – A Game Of Reverses”, e é óbvio que Warteman agora com toda a razão o acusaria de plágio, onde o acusado se sentia vingado por ter suscitado isso no seu algoz, e acabou virando o famoso “elas por elas”, se Mollett tivesse investido em seu jogo em cruz, talvez tivesse galgado algum sucesso maior, mas somente quem viveu na época e viu toda a coisa de perto, poderia dar uma opinião mais fidedigna que a minha. Ah, e uma coisinha a mais aqui, por mais que o jogo Reversi londrino, depois de toda a amálgama entre Annexation+Reversi+Annex ter tido uma regra só, que diferia levemente da que é praticada dentro do jogo Othello de hoje em dia, tal como ausência de peças centrais no início da partida e término de jogo quando algum jogador passa a vez, fazendo com que esse Reveris seja inferior estrategicamente falando, (Ao colocarem as quatro peças iniciais no antigo Reversi, poderia se obter uma configuração paralela entre peças rivais, que daria vantagem matemática às brancas: Preto-Preto-Branco-Branco, ao invés das que temos hoje com o Othello: Branco-Preto-Preto-Branco (que cria um leque de possibilidades intermináveis para os dois jogadores) o jogo Othello de hoje, não existiria sem o Reversi de ontem, não na época e da forma como o conhecemos hoje, e é difícil não acreditar nisso, por isso a junção popular de chamar de Reversi todo o jogo que conhecemos que tenham as mesmas regras do jogo Othello;  um é intrínseco ao outro, por mais que as regras impostas ao jogo Othello lhe dê vida longa, ao contrário das regras limitadas do jogo Reversi antigo. Não temos como ter certeza de nada, mas pelo que eu vi, é isso que eu acho.

Por que jogar em/e colecionar tabuleiros?

Por que não? Sério... se você ainda não sentiu a graça e o prazer que é poder jogar num tabuleiro e poder virar as peças com suas próprias mãos, você não sabe o que está perdendo.Mas respeito a galera digital, também sou em parte digital, e nasci digitalmente para esse jogo, e também gosto muito de jogar virtualmente, mas o que não me faz pensar jamais que uma partida online tem a mesma graça (pessoal) do que jogar cara a cara com alguém num tabuleiro, é muito bom! Por isso que desde a época em que vi a fotinho do tabuleiro de Othello da Grow, na capa de imagem da comunidade do Orkut: “Othello/Reversi” eu me apaixonei e fiquei alucinado para ter um, o que de fato demorou mais uns dois anos para eu ter, que foi quando eu ganhei um de presente da minha namorada em dezembro de 2008, e me surtiu durante muito tempo, até eu colocar em mente que enquanto eu não tivesse o Othello Tsukuda Original, eu não me aquetaria, o que veio somente em 2014, e peguei gosto pela coisa, tanto que comecei a colecionar alguns outros modelos, sempre sobrando um dinheirinho, tento comprar algum, virou um hobby quase tão bom como jogar o próprio jogo.

Bom, mudando de assunto... O que você pensa quando está jogando? Como pensa nas jogadas?

Não sei vocês, mas eu penso em muitas vozes ecoando pelo meu córtex cerebral, ou “ouço” um silêncio, não há conversação introspectiva, mas às vezes o silêncio é quebrado por vozes interrogativas, e sinais oriundos de pura percepção intuitiva, e faço a jogada. Quando a partida é mais acirrada e tem um certo desafio pessoal por trás, a coisa muda, a agitação cerebral é elevada, passa de canto de grilos à fogos de artifício na praia de Copacabana, consequentemente se há uma recompensa pessoal pela vitória, aumenta-se os batimentos cardíacos e o corpo começa a suar um pouco, mas esses casos são raríssimos para mim, equivalem a menos de 3% dos casos, na maioria das vezes o que me impera é mesmo o reflexo e respostas condicionadas, dentro de um silêncio que só é quebrado algumas vezes para decidir um novo caminho dentro das ramificações de variáveis de jogadas, do qual eu tenho um leque memorizado de respostas práticas, que quando não tenho, tento criar, e só. Obs: Eu ganho mais partidas quando estou escutando algo, do que quando permeia o silêncio preguiçoso.

Flyordie, é o melhor lugar mesmo para se jogar?

Se você quiser “jogar”, nem de longe esse é o melhor lugar, porém se você quiser jogar e quem sabe através de uma conversa conseguir amizades ou dar umas boas risadas, (ou passar raiva) talvez o Flyordie seja mesmo o melhor site para se jogar Reversi, além de ter um visual gráfico insuperável, com suas pecinhas nórdicas que se digladiam em fogo e gelo, que imagino ter uma relação sim com a mitologia escandinava, representando talvez  as terras de Niflheim (Mundo Frio) e Muspelheim (Terra do Fogo) o próprio símbolo do site já tem um dragãozinho cuspindo fogo (Nidogue?), pois bem... É um site onde você pode encontrar desde jogadores novatos, passando por jogadores regulares até os especialistas de todos os níveis e diversas habilidades, e que foi criado penso eu, em 2001 (já me disseram que ele existia antes e se chamava “Banana Games”), sei lá, eu duvido muito já que para ter esse nome a plataforma deveria ser de algum país de língua portuguesa, 
tal como o Brasil, Portugal, Angola e etc, (digo, PROVAVELMENTE, não que eu morando aqui no Brasil não possa criar um site dedicado aos alemães com linguagem adaptada e tudo mais) coisa que acredito não ser, e o que sei é que o Flyordie é um site húngaro e nada mais, e continuando o papo, sei que é um lugar meio doido, lá a trapaça corre solta, a impunidade lembra muito a do sistema penal brasileiro (não funciona mesmo), e manda quem é mais idiota; sem contar a paranóia que chega a ser risível às vezes, onde muitos jogadores fortes são confundidos com trapaceiros que estejam utilizando programa, (sem ser hipócrita, não que todo mundo não já tenha se enganado assim alguma vez na vida [bad])) inclusive tem um sujeito brasileiro por ali que é bem famoso em acusar a todos injustamente, em umas... deixa eu ver... 100% das vezes, mas restrinjo-me a ser discreto quanto a dizer quem é (risos) se você é um bom jogador, honesto e educado, ou você finge que não tá vendo nada ou vai passar raiva, mas... Tem muitas qualidades, e Reversi nem é o jogo que leva mais gente para esse site, jogos como Xadrez, Damas e Gamão juntos levam uns 5 mil jogadores diariamente ao Flyordie, o Reversi leva uns 130 diariamente, sem contar todas as denominações de sinucas que há por lá que levam uns 400 jogadores ou mais diariamente também, ou seja, o Flyordie é mais que apenas jogar Reversi, mas como eu jogo mesmo é esse jogo nessa grandessíssima plataforma, restringir-me-ei apenas a falar desse pequeno, mais interessante, nicho do site. Um problemão que você irá com certeza passar lá no Reversi, (em outros jogos também, provavelmente) é o fato de trapacearem usando software especializados para passar coordenadas ao jogadores, mostrando-lhes o melhor movimento, NÃO É PROIBIDO, isso mesmo, o Flyordie permite a trapaça, e a única coisa que eles fazem é marcar o cidadão ou a cidadã (quando raramente os identificam) com uma exclamaçãozinha vermelha na frente dos pontos do nick, bonito né? (risos) Porém, preparem-se, ainda tem mais. O único momento em que o Flyordie proíbe peremptoriamente o uso de softwares (programas) para trapacear, são durantes os famosos “Torneios do Flyordie”, onde somente são permitido a participação de pessoas com nicks assinados, ou seja, a jogadores que pagaram aqui no caso do Brasil, uma de suas taxas, (7.00 R$ mensal ou 34.00 R$ anuais) e a estes é concedido o direito irrevogável de jogar qualquer torneio flyordiano enquanto sua assinatura estiver válida, e olha, pessoalmente eu acho esses torneios muito interessantes! Tem jogadores de todos os níveis, e uma galera mais educada, e os jogos  não são demorados, uma vez que cada partida tem a cronometragem geral de 1 minuto para cada jogador apenas (Uma partida normal são 10 minutos para cada), isso tudo instigaria os participantes a jogarem na base do raciocínio rápido e mostrar suas habilidades, nua e cristalina frente a outros participantes, isso tudo se não fosse por um pequenino problema... Usam programa também no torneio! Pois bem, e cadê a fiscalização?! Desculpe, qual fiscalização? Até onde eu sei o principal moderador que toma conta ou deveria tomar conta do Reversi do Flyordie, o tal de “Thor von Midgard” está mais preocupado em banir nicks “perigosíssimos” que não fazem mal a uma mosca, só por utilizarem talvez palavras pouco coloquiais em sua estrutura, e nada mais, do que realmente punir e banir jogadores que trapaceiam durante os torneios, coisa que é proibido pela própria regra do site. Mas...tirando tudo isso, ainda por incrível que pareça, ainda gosto do Flyordie, bem mais do que do PlayOk, que ao meu ver, parece um site frio, apático, prefiro o sangue quente do Flyordie.

Quem são ou quem é o jogador brasileiro de Reversi mais forte por ai?

Depois de uns 10 anos ininterruptos jogando por ai, em alguns sites e em campeonatos presenciais, obtive uma pequena ideia de quantos jogadores de linha tem por ai, e talvez essa ideia assuste um pouco, mas a verdade é que não há muitos não... Eles estão por ai, mais espalhados nesse pequeno Universo do que a vida inteligente pelas Galáxias (não pensei em uma analogia que prestasse [sad/mode]) mas um que eu me lembro nitidamente e que verdadeiramente me chamou a atenção pelo excesso de habilidades incríveis, foi um jogador que já haviam me falado antes, um tal de “buyo” lá do PlayOk, ele é mesmo brasileiro mas com ascendência japonesa, e disse se chamar Adrian, e de fato em 9 partidas rápidas de 1 minuto cada,  na época de 2009 mais ou menos, (nessa época o meu nível técnico era inferior ao de hoje, 2017) levei uma surra de 2-7! Muito bom, pensei... Então resolvemos mudar o cronômetro, e colocar agora 5 minutos para cada, para que eu pudesse pensar um pouco mais nas jogadas, e jogamos apenas 3 partidas, 2-1 para mim. Tempo de jogo, site, tipo e tamanho de tabuleiro, podem mudar muita coisa num jogo, mas de fato senti que esse jogador era infinitamente melhor do que eu, hoje em dia já não sei mais. Eu posso contar aqui mais ou menos uns 22 jogadores de ponta aqui no Brasil, dos quais eu conheço e já joguei, mas pode haver um pouco  mais que isso, e provavelmente há.

Há outro jogo além de Reversi?

É claro, mas foram poucos que chamaram a minha atenção, o primeiro de todos com toda a certeza foi o famoso “Jogo da Velha”, eu lembro que eu ficava treinando dia e noite para saber a melhor jogada, e até mesmo fiz um livrinho de regras e estratégias. Eu era quase imbatível nesse jogo, e ainda sou (risos). Mais para frente no tempo, e mudando de jogo, eu ainda me lembro do dia em que salvei no jogo Sonic The Hedgehog -2,que era outro jogo que eu amava, festejei pra caramba! Isso há muito tempo já, foi um dos primeiros jogos que realmente me chamaram a atenção, e lembro também que eu jogava muito o Football Soccer 95 do Mega Drive, eu amava... Eu tinha esquema tático e tudo, e o time que eu mais gostava de vestir a camisa era o Norwich da Inglaterra, talvez pelo seu uniforme lembrar as cores mais representativas dentro do esporte, da bandeira do Brasil (verde e amarelo), ou sei lá o porquê, mas sei que chamava esse time de “Time do Milharal”, algo relativo a milho mesmo, sei lá o porquê de novo. Antes disso, eu amava um jogo de Labirinto do Atari, mas calma, não é Pac-Man não, que a propósito eu nem jogava muito, não me deslumbrava nem um pouco a propósito. Era outro jogo do qual eu não sei o nome, e tinha que atirar nuns fantasmas e monstros que corriam atrás de você por todo o lugar, bem copiado do Pac-Man, mas melhor, pois você ao invés  de uma bolinha correndo era uma pessoa (aquelas quadradas bem características do game) com uma arma na mão e atirando. Eu não vou discorrer muito, mas eu também era muito bom no Boxe do Atari, êta joguinho bão sô!

Mais para cá na história, apenas pouco mais de um ano após eu descobrir o Reversi num celular antigo, numa Lan House, que era a febre de uma década atrás, eu descobri um jogo de tiros espetacular! O nome dele é bem famoso até mesmo para quem não é lá tão ligado assim em games, Counter Strike... no caso o 1.6 mesmo... O jogo maravilhoso... Eu era ruim, não durava 1 minuto vivo no meio daqueles ratos adolescentes de Lan House, mas quando eu comprei o meu computador e instalei esse jogo... Tá continuei ruim mesmo, mas um pouco menos ruim, a tela que eu mais gostava e ainda gosto, é a da Itália. Eis então que eu descobri um outro joguinho que me chamou muito a atenção, e que viria a ser um dos fortes candidatos a desviar meu caminho reversiano, (O Counter Strike 1.6 quase que conseguiu), era o nórdico Tablut, também conhecido como  “Tafl”, que para quem não sabe se trata de um jogo de tabuleiro escandinavo, apreciado dentre outros, pelo povo Viking. Eu acabei largando um pouco o jogo quando descobri que ao menos no modelo em que eu jogava havia uma certa limitação estratégica para um dos jogadores que jogasse com um dos lados disponíveis, mas eu estou falando aqui meio que por cima, há variáveis tipos de configurações desse jogo, que vai desde tamanho de casas disponíveis no tabuleiro até mesmo a quantidade de peças, e eu sinceramente não conheço nada além daquele em que eu jogava no site Ludoteka, que de qualquer maneira, era muito legal. Jogos como Xadrez sempre me chamaram a atenção pelo charme e beleza das jogadas, mas nunca tive vocação alguma para jogar esse jogo. Ah! E eu também cheguei a inventar alguns jogos há muito tempo, um deles se jogava com uma mesa de Futebol de Botão e Pilhas... Mas isso já é uma  outra história. (risos). E deixando bem claro, larguei praticamente todos esses jogos, me dedicando agora unicamente ao Othello/Reversi, valeu pessoal.

Bom, vou ficando por aqui nesse breve mais divertido e sem noção devaneio, espero ver vocês mais vezes durante esse ano, fiquem todos na paz, e até mais.

Abraços


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Othello Federação Ltda




Othello Federação Ltda

Olá a todos,

Já faz oito meses desde a minha postagem explanando os problemas do atual cenário da FBO e ideias para engajar um caminho, e eis que tivemos sim alguns avanços, como por exemplo, os contínuos torneios e copas realizados em Nova Odessa e região por Moisés Jr. que tem sido nosso mais importante entusiasta nos últimos tempos. Fora ideias futuras como o reconhecimento da Secretaria Estadual de Esportes do Othello como um esporte oficial, e nesse momento a coisa vai dar uma guinada magnífica, porque poderemos ter esse patrocínio estatal (não sou nenhum fã e idólatra do Estado, mas como eu disse antes, para esse jogo “morto” que tanto amo, qualquer ajuda é bem-vinda) e isso permitirá quem sabe, montarmos e enviarmos uma equipe brasileira ao Campeonato Mundial nos próximos anos. Mas e ai, o que é necessário para pularmos essa fase do jogo e irmos adiante? Depende, se a sua intenção for realmente ver o jogo Othello num patamar de reconhecimento ao menos próximo a uns quarteirões do que é visto no Xadrez, existem três respostas: A primeira eu já encimei, é por meios governamentais, que é basicamente o que tem sido feito nos últimos meses lá em Nova Odessa, uma outra opção seria por meios de patrocínio comercial, que é o que só houve uma única vez na história desse jogo aqui no Brasil, lá no ano de 2004 com a Grow  (nos campeonatos mundiais e no Japão, empresas patrocinam os eventos de forma corriqueira), a outra opção é a da atitude pessoal, aquela em que você mesmo sem a ajuda de ninguém monta sua página no Facebook, Blog; Youtube; Whatsapp e Dissemina o jogo. E das duas outras alternativas que nos restam além do governo, essa independente é a que mais gosto, pois com ela não precisamos “pedir esmola” de ninguém, e podemos fazer o jogo crescer novamente que com o tempo, trariam patrocinadores para o jogo, os novos empreendedores querendo relançar o jogo aqui no país em grande escala, sem necessariamente dar ouvido ao copyright Othello, mas sim ao jogo Reversi. Como já falei aqui no blog, a empresa Ludens Spirit relançou o jogo aqui no país com a patente “Yin-Yang”, e isso já foi de grande ajuda a todos, mas podemos ir adiante, imagina a Hasbro ou quem sabe, a Estrela relançando o jogo aqui no país? (a Estrela já tem a categoria de jogos chamada “Academia da Mente”, então não seria impossível isso).

Mas e então, o que está acontecendo agora?

Bom, todo o levante reversista tá indo muito bem em Nova Odessa, de escola em escola, de cidade em cidade, mas para ir mais à frente é necessário algum reconhecimento oficial, que para a Secretaria de Esportes só se pode ter através de um sítio oficial, que no caso do Reversi seria através da página da Federação Brasileira de Othello, que é o órgão reconhecido internacionalmente pela World Othello Federation como a representante do jogo Othello no país, tudo seria muito fácil se não houvesse um porém:  Esse, que é o órgão que deveria dar todo tipo de subsistência àqueles que queiram divulgar o jogo está totalmente inativa há dois anos, sem nenhuma atualização e ainda com total dependência de hospedagens caríssimas ao ano, (cerca de 400.00 Reais Anuais) e como que ainda não fosse o bastante, ao que parece ser, se iguala à “Othello Club Deutschland” que seria o Club Alemão de Othello, que tem um dono, que é algo que jamais deveria acontecer com um órgão desses. Ao meu ver, e acho que todos concordam com isso, a Federação Brasileira de Othello é de todos! Óbvio que não necessariamente significa que qualquer um poderia mexer e implementar diretrizes ao bel-prazer, algo como uma cooperativa que se recicla uma vez a cada ano ou a cada dois anos que fosse, mas dando a possibilidade a todos que realmente têm um real comprometimento com o jogo de atuar, de decidir metas de acordo com as exigências da WOF e que dessem guinadas na propaganda do jogo no país. A Federação Brasileira de Othello nunca, jamais poderia ter um dono, (pois ao que parece, “quem paga a hospedagem do site praticamente é o dono” já que não acredito em altruísmo nesse caso) que é o que tem parecido acontecer aqui no nosso país. A FBO, atualmente não faz absolutamente nada, além dos pífios campeonatos protocolares com no máximo 4 a 6 jogadores por ano, e vira e mexe manda os resultados à WOF, que diz OK, valeu.

Temos algumas sugestões para o impasse?

Sim, a primeira delas é redemocratizar a FBO, que atualmente nem mesmo as ditas eleições presidenciais acontecem mais a cada ano como exige a regra, o nosso atual presidente é realmente muito bom, mas assim como qualquer outro membro da diretoria da FBO, vive de mãos atadas por não conseguir nem mesmo permissão para mexer no site, até mesmo eu que era incumbido disso tive minha senha extinguida sem mais nem menos, (Ok, sumiu e durante dois anos não teve atualizações no site, qual seria o papel do “dono” do site? Reparar na ausência de postagens e se preocupar, não? O que houve foi somente um total desmazelo) Outra ideia que foi sugerida foi a de encontrar uma nova hospedagem ao site da FBO que fosse deveras mais barata e independente, o que foi rechaçado pelo “dono da FBO”, que preferiu respostas evasivas e desconexas,  foi também sugerido que  já que o site tem que ficar nas mãos de uma pessoa (“dono”) que fosse nas mãos de uma pessoa comprometida, como é o caso da Federazione Nazionale Gioco Othello Italian Othello Federation que é um site criado por Biagio Privitera e que ao mesmo tempo é o maior entusiasta do jogo no Itália, é meio ditatorial? É, mas ao menos ele não atravanca o jogo em seu país. Outro caso é o da Ivory Coast Othello que nem sequer tem um website, mas que tem como “dono” Jeannot Ourega, que é também o maior entusiasta do jogo Othello na Costa do Marfim e, por que não, de todo o continente africano. Ainda a tempo, acontece o mesmo no Japão com o presidente Goro Hasegawa que é meio que um Rei na história desse jogo na era moderna, mas que ao invés de atravancar, ele faz a coisa toda andar lá no Japão e no mundo. Aqui no Brasil a atual pessoa mais comprometida e com tempo em período integral para isso seria o Moisés Jr. mas o máximo que lhe foi concedido pelo “dono” da Federação Brasileira de Othello foi um login (todos à serviço do Faraó?)no site, porém sem se esquecer que para atualizar o mesmo necessita enviar emails para um empregado que trabalha no prestando serviço à plataforma de hospedagem, para ai sim, depois de uns três dias a pessoa publicar/alterar o que você pediu, e com sorte não ter erros na postagem. Como eu disse antes, o site da Federação Brasileira de Othello é um dos mais bonitos do ramo que eu já vi, e é cheio de ferramentinhas interessantes, mas sua total dependência de terceiros para manutenção das informações (empregados da plataforma de hospedagem) e como se não bastasse, com o total e atual único domínio de uma pessoa só que não abre mão da propriedade da FBO e que não deixa “ninguém mais brincar” com o seu brinquedinho, a coisa tá mais parecendo o regime fascista de Benito Mussoline “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado” é só trocar o nome Estado por FBO.  Mas, esquenta não, eu tenho uma boa notícia para vocês... não é uma real exigência da WOF ter um site específico para dar-lhe o nome de “Acrópole” como os antigos gregos denominavam o santuário político e filosófico das cidades, que eram sempre situados nos montes na Grécia Antiga, por motivos estratégicos e simbólicos, nesse caso a WOF pode reconhecer uma casinha de madeira localizada abaixo de um barranco, com um humilde marceneiro morando nela, como o representante da propaganda reversista no país, ou seja, não é necessário website algum! Algumas federações e associações não têm website e mesmo assim são de total atividade no escopo mundial, não há prevaricação desses reais colaboradores e apaixonados pelo jogo, eles energizam o jogo em seus respectivos países, que é o caso da Denmark Othello Federation com o Henrik Vallund, a Suomi Othello Finland Othello Federation com o grande jogador Lari Pihlajapuro, e um outro exemplo aqui  mesmo na América Latina seria o Club Argentino de Othello que tem Daniel Olivares sempre atualizando seus compatriotas, nos três casos através do Facebook. Ou seja, nós podemos com todo o respeito dar uma “banana” ao Website FBO e fazermos nossa divulgação nós mesmos através de blogs, Youtube ou como nos exemplos acima, através do Facebook, desde que sejam obedecidas as regras dadas pela WOF e sempre linkando e documentando todas nossas ações, nada nos impedirá.

Acredito eu que toda essa situação vexaminosa e por que não mesquinha, da qual o Othello nacional  se encontra hoje em dia, com todas as suas dissensões acabarão um dia, e se tudo der certo nada irá tolher o crescimento do jogo em nosso país, aos poucos estamos abrindo mão daquilo que não precisamos, e rumando ao que realmente nos interessa, tendo em mente que a Federação Brasileira de Othello não é sine qua non, e que não atenderemos aos caprichos alheios de um jogo que é de todos nós, onde todos podemos e devemos opinar para render melhorias.  Chega de respostas evasivas! Chega de promessas que nunca vingam, oriunda de interesses meramente pessoais.

O amor ao jogo é a nossa égide, se você tá junto nessa, não deixe de participar dos nossos grupos no Facebook: Brazucas Por Othello e Revolução Paulista Othello/Reversi, e no nosso grupo do Whatsapp. (Para participar do nosso grupo no Whatsapp é só me procurar no Facebook com o nome de Fabrício Silva e me enviar uma mensagem privada com o seu número de telefone, deixarei o link das páginas no Facebook e do meu próprio Facebook abaixo).

Obrigado a todos.

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Ontologia do Jogo Reversi


Há uns dias eu estava pensando como seria legal casar algumas noções que encontramos dentro do jogo Reversi com algum escopo filosófico para facilitar (ou talvez não) a compreensão de alguns paradigmas intrínsecos ao jogo. Pois bem, todos sabemos que no final do século 19 nasceu ao menos dentro do conhecimento oficial, o nosso queridíssimo jogo lá no velho mundo, lá na terra da Rainha, a sempre inovadora Inglaterra. Não se sabe como aqueles pioneiros jogavam, quais eram as suas técnicas, quais eram seus primeiros pensamentos mais aprofundados em torno do jogo, mas talvez até mesmo com um certo nível de segurança, eu posso assegurar-lhes que deviam no geral, usar conhecimentos e compreensões deveras diferentes das que utilizamos hoje em dia, num mundo dominado pela tecnologia e digitalização dos meios, no advento da ciência computacional e progresso da Inteligência Artificial as nossas experimentações do mundo, dentro dessa era pós-moderna é diferente da clássica em muitos aspectos, e não poderia ser diferente dentro da mente dos jogadores antigos, vejamos o porquê.

Pulando quase um século de história e ignorando o total hiato e obscurantismo do qual o jogo Reversi entrou, cheguemos ao ano de 1977, apenas meia dúzia de anos após a reconfiguração do jogo e de todo o marketing publicitário no relançamento do jogo, que surgira agora com um novo e shaskepereano nome: Othello. E foi nesse ano que em Tókio acontecera o primeiro campeonato mundial de Othello, e logo de cara foram dois mundiais num ano só! Mas foquemos a esse primeiro, onde o japonês Hiroshi Inoue fez a grande final contra o norueguês Thomas Heiberg, o batendo nas duas partidas sem lá grandes dificuldades. Pois bem, aquela era uma época em que ainda não haviam os ditos programas de Reversi com a força que conhecemos hoje, os poucos que tinham era demasiadamente primários, como era o que ficou conhecido como o primeiro programa de Reversi já criado, o IAGO. Os jogadores no geral tinham que aprender tudo sozinhos e copiando uns aos outros para tentar melhorar o próprio jogo, o que fazia com que essas partidas se modelassem de uma forma bem diferente dos padrões modernos, mas o porquê disso? O ser humano é um ser social, ele é quase que 100% copia e execução, foi assim que progredimos como espécie durante milhares de anos, e é assim que aprendemos nos dias de hoje, seja para o aprendizado de nossa língua, em como se dirigir um carro, aprender sobre engenharia espacial  ou fritar um ovo, o ser humano necessita de outros seres humanos para aprender as coisas, caso contrário até aprenderia coisas básicas, mas a passos de tartaruga. Nessa partida do que foi a grande final do mundial, o torneio de maior prestígio dentro do mundo do Othello, vimos dois bons jogadores, mas ainda assim ambos não muito diferentes de jogadores que nos dias de hoje estejam aprendendo a jogar Reversi, e que com pouco esforço cheguem àquele nível dos dois na década de 1970, ou seja, os meios hoje em dia são mais favoráveis a esses humanos copiarem e executarem seus aprendizados. No decorrer de mais 10 anos, no mundial de 1987 vimos um certo progresso em comparação ao nível dos jogadores de 1977, por que isso? Opa meu amigo, mas ai já haviam softweres táteis  e programas integrados em computadores capazes de derrotar um ser humano, dos programas portáteis eu posso citar dois em particular, que também foram criados pela Tsukuda (a mesma marca que relançou o Reversi em tabuleiro, o Othello) que seriam o Clementoni Othello Elettronic Box e o Tsukuda Othello G5, não eram programas fortes, mas já ajudavam. E por meios digitais o magnífico The Moor, que em 1981 derrota o bicampeão mundial de 1977 e 1979, o dito cujo falado acima, Hiroshi Inoue. Ou seja, nessa época os seres humanos com sua capacidade de máquina de xérox estavam já aos poucos remodelando sua forma de jogar, agora não era mais necessário beber da fonte jogabilística humana, agora o sabor eletrônico parecia mais ácido e vigoroso. Muito bem, no campeonato mundial de 1997 a coisa já estava bem avançada, nesse ano empresas como Microsoft já haviam se adentrado pela facilidade e o prazer recompensáveis que era poder criar programas de Reversi, e lançou em sua plataforma o jogo embutido no Windows 3.0, até mesmo empresas de videogame como a Atari lançou a sua própria versão do jogo Reversi, e os programas estavam a todo vapor, havia até mesmo em 1993 uma plataforma virtual onde programadores poderiam entrar com seus programas e digladiarem com programas de outros programadores, a IOS (Internet Othello Server) plataforma essa criado por Igor Durdanovic, foram nesses anos que também surgiram livros sobre o jogo como o “Othello: Brief & Basic” de Ted Landau e o “Othello Par L’Exemple” escrito por vários jogadores baseado em partidas do mundial de Paris na França em 1988, se um jogador quisesse aprender, ele não teria como não aprender dentro de um terreno tão fértil.

Porém, desde 1997 até os dias de hoje a coisa toda não andou muito mais rápido, com a falta de descobertas matemáticas e programabilísticas que fomentasse e desse um acicate no entendimento do que é um sistema de busca bruta (Alpha Beta Poda, Heurística, Minimax), os jogadores estranhamente também pararam de progredir, temos uma miríade de jogadores, um grande contingente de estilos e performances, mas nada que digamos “Oh, como isso?”, o entendimento sobre o jogo deu uma empacada nas últimas duas décadas, mesmo com o advento dos aplicativos de jogo dos smartphones  e plataformas de dowload como a Google Play (Android) e iTunes (iOS) sou obrigado a assumir que muito se deve a copia e cola das mesmas jogadas que também são ensinadas nesses aplicativos, alguns jogadores magistrais como Ben Seeley ou Yusuke Takanashi ou até mesmo os criativos Arthur Juigner e Nicky Von den Biggelaar têm insights maravilhosos nas partidas dos quais nos deixam embasbacados, mas quase nunca fogem de jogadas que se pegarmos para estudar, veríamos que está dentro daqueles limites estipulados pelo leque humano aprendido e pelos ensinamentos capturados de softweres especializados. Ou seja, a máxima do filósofo alemão Martin Heidegger faz todo o sentido: “Nunca chegamos aos pensamentos. São eles que vêm.”

O jogo Reversi na sua forma oficial, 8x8 ainda não tem uma solução, o número de jogadas legais é de dez elevado à vigésima oitava potência e a árvore de jogo é de cerca de dez elevado à quinquagésima oitava potência, ou seja... Se é insolúvel para programas fortíssimos, quiçá para nós meros humanos. É nessa hora que adentramos em ideias abstratas como ao da fenomenologia do filósofo prussiano Emmanuel Kant, que diz que só o que podemos conceber através do uso da razão é o que experimentamos, há um todo intocável, intangível e invisível em sua real forma a nós humanos, ou seja... Seja lá o que for o jogo perfeito, só o que conseguimos conceber é aquilo que nos auto-ensinamos através de nossas vivências, e concretizamos aquilo que através de uma manipulação entendemos ser útil, então o julgamos verdadeiros. Se você leu a minha última postagem onde falo sobre a obsessão ao padrão, ainda mais nas aberturas de jogo, você entenderá o quão benéfico foi a criação dos ditos sistemas  XOT, onde uma plataforma cria aleatoriamente aberturas matematicamente equilibradas das quais você dará continuidade com seu adversário humano. Antes disso, acredito eu que deveria ser algo a contar nos dedos de uma só das mãos os jogadores que saíam daquelas aberturas já manjadas e ditas seguras pelos programas desde a década de 1980, ou seja, esse novo sistema deu um novo insight aos jogadores dos quais gerarão bons frutos lá na frente dentro do entendimento do jogo como um todo.

Bom, para finalizar eu fico aqui pensando, eu e minhas conjecturas sobre as possibilidades que ainda irão ser descobertas (ou virão até nós como diz a máxima de Heidegger) em torno do jogo Reversi, ainda estamos trilhando um caminho desconhecido, que será talvez finalizado lá bem na frente dentro do tempo, por novas mentes criativas e curiosas, que ajudarão a formar jogadores de um nível nunca antes visto, é esperar para ver.

Hoje meu blog faz 7 anos de idade, então resolvi trocar uma ideia aqui com vocês, até a próxima. :)

Alguns dos jogos dos mundiais de 1977 até 2015.

1977 (Jogos da Final)


Hiroshi Inoue 34 - 30 Thomas Heiberg: F5D6C3F3F4D3C4G6F6E6C5C6D7D8E7G5E3D2G4H3F7B5H5G3B4B6C8B8C7E8F8G8H4H6E2D1C1A3A6A5E1F2G7C2A4H8A2B7F1B3B1B2H7A7A8A1G1G2H2H1

Hiroshi Inoue 45 – 19 Thomas Heiberg F5D6C5F4E3C6E6F3D3F6G4C4B4A3B5E2D2H4C7B3C3A6D7D1C1C2E7B6E1F1G1F2B1C8A5A4D8E8B7A8B8B2A1A2G5H5G3H3A7G2H1H2H6G6H7G7G8H8F8F7



1987

Peter Bhagat 21- 43 Ken‘Ichi Ishii:  F5F6E6F4G5E7F7H5E3D3F3D6C7C5D8G6H4H3C6G4G3E8F8C4D2C2B3B5D1C3A5D7E2B4B6A3H7H6H2B8A4A6B2A2G7E1C1F2G2F1G1H8G8C8A7A8B7H1B1A1

Karsten Feldborg 37-27 Brian Rose :  F5F6E6F4E3C5C4E7G4G3G5F3E2H6D7D6E8H4G6F7F8C8H3H7B5F2F1A5B6C7C6D8B8C3A4D2D3A3C1C2B4B3A7D1E1H2H5G2B1G8H8G7A2A6B7A8H1A1G1B2


1997

Graham Brightwell 38-26 David Shaman :  F5D6C3D3C4F4C5B3C2E6C6B4B5D2E3A6C1B6F3F6F7E1E2G5D7E7G4C7H6F1G6H3H5G8E8G3D1B1F2G1D8C8B8B7A8A7A5H4H2A4A3F8H8B2A1A2H1G2G7H7

Makoto Suekuni M. 20-44 Emmanuel Caspard :  F5D6C3D3C4F4F6F3E6E7D7G6D8C5C6C7C8B6E3F8E8B8B5G5A6F7G4B4B3E2H5H3D2F2H7H6E1B7A8H8H4G3F1C2D1A4G8A3A5B2A2G7G2A1B1A7H2H1G1C1

2007

Stéphane Nicolet 27 – 37 Kenta Tominaga

c4e3f4c5d6f3e6c3d3e2b5c6d7f6g6f5b4e7f7a4g5g4h3h5g3h6h4h2a3a6b3c2a5a2d2c1f2e1d1f1g2c7b2h7b6a1b1c8d8a7b8e8f8h1g1g7b7a8g8h8

2015

Yusuke Takanashi 36 – 28 Makoto Suekuni

f5d6c3d3c4f4f6g5e6d7e3e7g3c5b6b5c6b4c7b3d8a6h6c2e8g4g6f3h3f7f2f8d2d1e2e1a3f1a5b2a1c8g7h4h5h8h2h7b1h1c1g2g8a7a8a2b8b7g1a4

Não sabe colar as transcrições no WZebra? Então aprenda aqui nessa minha outra postagem, link mais abaixo:

http://othelloclassic.blogspot.com.br/2010/06/wzebra-o-modo-para-se-seguir-as.html